Por Opinião
Em 22/09/2020

ASSEMBLEIA DOS HOMENS

Walber Aguiar*

“Tornai-vos pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”

Houve um tempo em que a piedade se apossava com mais facilidade da alma humana. Homens e mulheres buscavam uma resposta para os mistérios que não compreendiam, fenômenos naturais e angústias pessoais e particulares. Tempo de absoluta internalização daquilo que poderia preencher as vagas e brechas do existir humano, na expectativa de tornar a vida algo mais suportável.

A partir dessa busca pelo sagrado, variadas vertentes surgiriam nesse chão da fenomenologia e da historicidade. Não apenas a vazies existencial para preencher, mas a mensurabilidade, a concreção histórica, o desejo de construir a fé sistematizada, sobre colunas e pilares. Aí começou a Constantinização do evangelho, fazendo com que os cristãos saíssem das cavernas para os templos.

Na esteira da historicidade surgiram as estruturas eclesiásticas. Daí para as denominações e suas placas foi um processo extremamente rápido e efetivo. Assim vieram calvinistas e arminianistas, os primeiros com a exacerbação da soberania divina transformaram o homem num boneco nas mãos de Deus; os últimos, seguiriam na afirmação de que o homem tinha poder pra querer, deixando Deus praticamente fora do processo.

Ora, daí vieram congregacionais, presbiterianos, luteranos, adventistas, batistas e assembleianos. Estes últimos representados historicamente por Daniel Berg e Gunnar Vingren. Assim, o pentecostalismo surgiu, no afã de “aquecer” o “esfriamento” das chamadas denominações históricas. No entanto, trouxe com ele vícios doutrinários, legalismo, exacerbação de doutrinas, fixidez comportamental, como “não toques nisso”, “não pegues naquilo”, coisas que valor nenhum tem diante da sadia espiritualidade.

Como se não bastasse o legalismo e exacerbamento doutrinário, que ensina preceitos de homens e inventa agenda pra Deus, explodiu dentro da igreja uma enorme vontade de fazer política. Na verdade, politicalha, pois, sem ética e sem evangélicos políticos, o que restou foi a quantidade no lugar da qualidade, como moeda de troca, ou seja, o rebanho vendido de porteira fechada, e a sede do poder pelo poder, bem como a comercialização da fé e a mercadejação do sagrado.

Nesse viés, o que era pra ser Assembleia de Deus, tornou-se algo bizarro, caricaturesco, pois foi hipertrofiada a graça e o rosto de um Deus cheio de vida e grandeza. Daí a igreja que era de Deus, passou a ser Assembleia dos homens, visto que foi sangrada pelo grande capital, na perspectiva de Max Weber e sua teoria weberiana.
Pastores que se estereotipam como caudilhos dos regimes vigentes, lobos que “lideram” a alcateia alienada e sem rumo; muitos fascinados pelo poder e pela facilidade em conseguir terrenos para templos, aparelhagem de som, material de construção, cargos comissionados e tantas outras benesses.

Por causa de um ou de alguns que se apropriam indebitamente dos bens da igreja, a mesma é dividida, rachada, perdendo aos poucos sua santidade, sua influência como sal da terra e luz do mundo. Gente atrelada ao poder que o cargo oferece, ávida por negociar os votos do rebanho. Mas, ainda há muitos que não se dobraram a Mamon e a Baal. São os de coração sincero que buscam viver a palavra e as velhinhas de cocó que levam a igreja nas costas com suas orações e lágrimas. O que passar disso é apenas loucura de pseudopastores que desprezam a Deus e se atrelam aos homens, cheios de mercenarismo e possuídos pela síndrome de Balaão, usando Deus apenas como referencial para seus discursos vazios, sem poder e sem graça.

*Poeta, professor de filosofia, historiador, membro do Conselho de Cultura, advogado e membro da Academia Roraimense de Letras.
E-mail: wd.aguiar@gmail.com

DESMATAMENTOS SECULARES

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Se as cidades forem destruídas e os campos forem conservados, as cidades ressurgirão, mas se se queimarem os campos e conservarem as cidades estas não sobreviverão.” (Benjamin Franklin)

Olha que ao Franklin fez esse alerta ainda no século XVIII. Nada mais irritante do que ficarmos o tempo todo ouvindo alaridos nas mídias, sobre os desmatamentos e incêndios florestais. Não dá para acreditar que as autoridades não tenham competência para evitar o desastre que já destruiu e vem destruindo, há séculos, pelo mundo todo. Os blá-blá-blás vazios que não são mais do que briguinhas comadrescas, enjoam os mais esclarecidos.

Não vamos ficar falando aqui, o que os que deveriam ser entendidos deveriam evitar. Mas o assunto se estende por meios que já conhecemos de sobejo. Então vamos refletir sobre isso e fazer nossa parte na defesa do nosso querido e amado Brasil. Mas não basta que amemos. Temos que respeitá-lo e fazer nossa parte para que ele, o Brasil, seja realmente respeitado não só por nós, brasileiros, mas pelo mundo.

Eu ainda era adolescente, e isso faz um punhado de tempo, quando fiz um curso, imagina, de datilografia. E a redação que me deram para eu datilografar em poucos segundos, foi: “Brasil, esse colosso imenso. Gigante de coração de ouro e músculos de aço. Que apoia os pés nas regiões Antárticas e que aquece a cabeleira flamejante na fogueira dos Trópicos. Colosso que se estendesse um pouco mais os braços, iria buscar as neves dos Andes, para com elas brincar nas praias do Atlântico.”

Este, porque é este e não esse, é o brasil que devemos e podemos construir. Mas precisamos crescer e nos tornarmos cidadãos. E tudo se inicia na Educação. Então vamos nos educar para podermos levantar a cabeça e mostrarmos o que realmente somos, como filhos de um País que não está sendo respeitado devidamente.

Não adiante ficarmos gritando e esperneando em defesa patética do nosso País. Vamos defendê-lo nas urnas, iniciando o processo já nas próximas eleições. Sabemos que no Brasil ainda temos bons políticos. Mas não os conhecemos. Porque os maus políticos, que são maioria, os impedem de trabalhar. E só quando reconhecermos isso seremos capaz de ser o que realmente somos, como cidadãos.

Antes da datilografia, ainda criança, li na sobrecapa do meu caderno escolar, a seguinte frase: “A educação é como a plaina: aperfeiçoa a obra, mas não melhora a madeira.” E só quando entendermos isso estaremos preparados para uma escolha civilizada. Então vamos nos educar politicamente. Assim preservaremos nossas matas e animais. E consequentemente, nossas cidades. Pense nisso.

*Articulista

E-mail: afonso_rr@hotmail.com

95-99121-1460

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