Por Opinião
Em 25/01/2021

A mudança da política pelo coaching; ajustes comportamentais

 

Osmar Bria*

O coaching é uma área que vem ganhando cada vez mais relevância nos últimos anos. Este tema já virou polêmica até em novela, reality show e em inúmeras reportagens na TV. Na política não é diferente, e os profissionais desta área estão se tornando grandes aliados dos candidatos. Mas fica o questionamento na cabeça do cidadão comum: o coaching realmente pode mudar a política brasileira? 

Para responder essa pergunta, é necessário definir de forma clara o significado da palavra. Coaching é um processo de desenvolvimento comportamental; já o coach é o profissional que guia esse processo. É ele quem vai ajudar a pessoa a alcançar o objetivo desejado.

Porém é necessário salientar que este objetivo precisa ser palpável, desejável e alcançável. Por exemplo, a vontade de “ficar rico”, por incrível que pareça, não é um objetivo claro. O conceito de riqueza pode variar entre as pessoas. Assim, é necessário estabelecer parâmetros para que esse tipo de meta seja alcançada. 

Na política, o objetivo já fica muito mais claro se considerarmos as eleições. Um candidato já sabe a data e a hora do seu objetivo e por isso tem mais facilidade em definir suas estratégias e metas. Um agente político que deseja vencer necessita desenvolver suas habilidades comportamentais de modo que inspire as pessoas a estarem ao seu lado.

Um líder inspirador precisa gerar ressonância, fazer com que seu discurso tenha o alcance desejado. Seus colaboradores precisam se sentir representantes e representados. Para isso acontecer, é necessário um autêntico alinhamento de propósitos entre todos, após o qual o colaborador passa a entender o seu lugar dentro do projeto político-eleitoral. Assim, ele também vai ajudar a propagar as ideias do agente político.

Compromisso também é uma palavra-chave dentro do ajuste comportamental, pois é ela que vai nortear o relacionamento dos envolvidos no processo eleitoral. O compromisso juntamente com o alinhamento dos propósitos vai tornar a candidatura ainda mais atraente. Ou seja, mais alcançável e desejável por parte das pessoas.

Tudo isso não pode acontecer sem coerência. Os seres humanos são coerentes quando assumem compromissos, e isto será cobrado durante toda a caminhada eleitoral. A coerência mora dentro do inconsciente humano e gera a conexão necessária para o alinhamento dos propósitos.

Esses são os pilares do comportamento do líder político inspirador. Este líder também necessita da confiança e credibilidade das pessoas que vão estar ao lado dele em todo o processo eleitoral. Um comportamento ético condiciona a base segura de um grupo político.

Ao desenvolver o ajuste comportamental, o líder passará a desenvolver habilidades como sintonia, sincronia, consciência social, aptidão social, gestão de conflitos, trabalho em grupo, lidar com críticas e, principalmente, empatia. Em um processo de political coaching, todas essas características serão desenvolvidas de forma assertiva.

Obviamente, o coaching é complexo e trabalhoso. Mas, com certeza, é uma ferramenta à serviço da sociedade. Profissionais competentes precisam ser procurados e valorizados, principalmente os que possuem conhecimento das técnicas necessárias para desenvolver as habilidades e pilares comportamentais citados neste artigo. Assim, é possível mudar a política brasileira.


*Osmar Bria é autor dos livros “A Fórmula do Voto” e “Mulher, Emoção e Voto”. Realiza treinamentos com partidos e candidatos de todo o país. Em 2020, mais de 20 mil pessoas foram impactadas por seus ensinamentos e seus treinamentos ajudaram a eleger 370 vereadores, 31 prefeitos e reuniu 4 milhões de votos.

Atividade física e saúde mental: mais é menos ou menos é mais?

Rafael Luciano de Mello*

Que a atividade física traz benefícios à saúde, não é novidade para quase ninguém, certo? No entanto, menos ênfase é dada à saúde mental.

Ao nos exercitarmos, uma série de adaptações fisiológicas ocorrem no organismo, tanto de maneira aguda, quanto crônica, e são essas alterações que proporcionam os benefícios adquiridos pela prática regular de atividade física. Pensando na saúde mental, em especial, é importante compreender o efeito dos neurotransmissores, dopamina, noradrenalina e serotonina, por exemplo, em relação ao humor, sensação de prazer e distúrbios mentais, como ansiedade e depressão. Mas como tirar o melhor proveito do exercício físico?

Para que a atividade física afete a concentração destas substâncias, é necessário pensar em alguns pontos:

  • Atividade física, exercício físico ou ambos?
  • Quantas vezes por semana?
  • Qual o tipo de exercício?
  • Qual será o tempo (volume)?
  • Qual será a carga ou velocidade (intensidade)?
  • Quantas vezes de cada exercício (séries)?

Enfim, é o gerenciamento destas variáveis que determinará o sucesso da prescrição. Em geral, as recomendações de atividade física para indivíduos com ansiedade ou depressão, não diferem de adultos saudáveis e, mesmo que a sensação de bem-estar possa ocorrer logo após a prática (efeito agudo), os resultados mais relevantes são adquiridos ao longo do tempo (efeito crônico). Com isso, é importante que o praticante tenha aderência, sendo que a intensidade e o método de treino, influenciam a manutenção do exercício.

A caminhada é a atividade física mais praticada, de simples execução e intensidade moderada. Por outro lado, existem exercícios intensos, como o “famoso” treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT). Mas afinal, qual exercício escolher pensando na saúde mental, sentimento de bem-estar e prazer?

Essa resposta deve ser individualizada, embora possamos apontar algumas características relevantes:

  • O exercício físico é dose-dependente, ou seja, maiores volumes e/ou intensidades podem trazer maiores benefícios;
  • Embora a caminhada seja um “ponta pé inicial” e possa ser muito útil, com a melhora da condição física, é necessário progredir para que o organismo se adapte ao novo estímulo;
  • O aumento da intensidade deve ser planejado, pensando em aspectos fisiológicos e psicológicos;
  • Estudos que medem resposta afetiva e prazer no exercício, apontam que o HIIT pode ser mais efetivo, desde que as séries sejam curtas (60 segundos) e o intervalo compatível (60 segundos ou mais), em comparação ao exercício moderado e intenso contínuo.

Como a atividade física deve ser regular, o primeiro passo é traçar estratégias de aderência. O ideal é que a atividade realizada seja prazerosa, independente do público. Em relação aos acometidos por depressão e ansiedade, isso se torna ainda mais importante, afinal, o sentimento de tristeza, baixa autoestima e estresse, acompanham esses indivíduos no dia a dia. Assim, atividades intervaladas de alta intensidade, podem ser alternativas às contínuas de alta intensidade, que apresentam os piores escores afetivos e de prazer.

 Rafael Luciano de Mello é especialista em Treinamento desportivo e prescrição do exercício físico e Gestão em esportes e fitness, professor da área de linguagens cultural e corporal nos cursos de Licenciatura e de Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter.

Educar é um ato de humanizar a si mesmo e o outro

Leonardo Taveira*

Podemos observar de maneira simples ou não, que todo ato de ensinar promove ao outro, a possibilidade de conhecer algo, de apropriar-se de um determinado conhecimento que antes lhe era inviável. Educar também é um ato de influenciar, de conduzir alguém num caminho que não seria possível se fosse sozinho. A educação é expandir fronteiras, é fazer caminhos e também possibilitar acessos. Além desses fatores, um dos mais importantes é o ato de educar como fator de promoção humana nas interações de igualdade.

Todos podem promover algum tipo de conhecimento com mais propriedade sobre o assunto ou não, uma evidência nítida são as Redes Sociais. Nelas, todos têm opiniões sobre diversos assuntos. No entanto, é interessante perceber que alguns falam com tanta convicção que nos fazem acreditar que realmente sabem o que falam. E a quantidade de pessoas que estão reproduzindo variados conteúdos que não conhecem a fundo realmente parece assustar. Ou seja, se está de acordo com aquilo que acredito (por mais que eu não saiba profundamente sobre esse assunto), então estarei pronto a repassar sem ao menos realizar uma pesquisa mais acurada. E é nesse cenário que observamos uma quantidade consideravelmente grande de atrocidades acontecendo pelo mundo. Então, educar não pode ser um ato isolado de promover conhecimento.

Como também, é fácil perceber que por causa da era digital muitas pessoas têm facilidade ao acesso dessas informações e com isso, usar esse conteúdo para influenciar com as intenções mais adversas. Podemos dizer que educar também não pode ser um ato isolado para influenciar ao próximo (que por vezes nem é tão próximo assim) com motivações pessoais egoístas que por vezes só interessa a um determinado público específico.

Quando consideramos a educação somente como aspecto de expandir conhecimento para abrir caminhos, precisamos refletir sempre quais caminhos são esses. O porquê dessa reflexão? Porque o educar como forma de expandir conhecimento apenas, pode gerar pessoas com muita ênfase na base teórica e pouco no campo da prática, isto é, pessoas que se dedicam relacionar-se com os livros somente. Todo conteúdo teórico é válido, porém, sempre é bom considerar o campo da prática também.

Educar implica em gastar tempo aprendendo bem para depois ensinar. Implica também considerar que ninguém sabe tudo. Educar envolve o respeito, caminhar ao lado, bem como possibilitar acesso ao conhecimento visando sempre um caminho de humildade, para promover novas possibilidades para todos. É fato que a educação passa por todas essas etapas e outras tantas que o leitor pode considerar. Contudo, um ato sublime (penso eu) de educar, deve ser a paixão que todo educador precisa manter quando promove conhecimento, a saber, um desejar intenso de olhar para o próximo continuamente com a esperança de ver nele o melhor. Promovendo tudo o que for necessário para que ambos, educador e educando, sejam dignificados nesse processo contínuo de humanizar-se através da educação.

 Leonardo Taveira é professor especialista da Área de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter.

Opinião
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