Por Opinião
Em 11/01/2019

Empreendedorismo social, que negócio é esse?

Fernando O. Caparica Santos*

Desenvolvimento sustentável é um tema que tem sido discutido com grande ênfase nos últimos anos, graças à cultura de incentivo ao consumo e às limitações impostas por nosso planeta. Em um cenário de revoluções tecnológicas disruptivas e aumento da conscientização coletiva, surge um novo movimento que busca associar o ganho pessoal ao benefício social.

Através do empreendedorismo social ou setor 2.5, empresas são concebidas para promover o desenvolvimento sustentável, gerando lucros enquanto endereçam questões socioambientais. Assim é a Mostra+Sustentável: com o propósito de ser uma ferramenta de transformação social, ela acontece sempre em uma instituição de benemerência, deixando como legado social a revitalização física do prédio, maior visibilidade e incremento na receita financeira. Atende 11 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU para a Agenda 2030 e, ainda assim, é um evento de marketing e educação sobre arquitetura, design e estilo de vida sustentáveis, que busca gerar negócios às empresas e profissionais envolvidos.

A parte mais interessante – e gratificante – do empreendedorismo social é que o sucesso do negócio acontece graças a essa abordagem com um propósito, ao trabalho com causa, ao plano de negócios com valores. No empreendedorismo social, os meios justificam os fins!

A inclusão de mulheres e minorias no setor 2.5 é regra e não exceção: a diversidade, apesar de não facilitar, enriquece o debate para tomada de decisões. Temas como pegada ecológica (abrangendo aqui as pegadas hídricas e energéticas), análise de ciclo de vida e economia circular, estão sempre presentes na cabeça dos empreendedores sociais. Dessa maneira, soaria como hipocrisia falar em sustentabilidade sem pensar em questões como educação e conscientização, acessibilidade e democratização. Por fim, como o negócio social é concebido para endereçar (e não, necessariamente, resolver) um problema social, ambiental ou ambos, ele sempre conta com um número muito maior de stakeholders. Não há empreendedor social que atue só; não há empresa do setor 2.5 que não faça parcerias, muitas parcerias.

De resto, é mais do mesmo: objetivos e metas continuam presentes, a lucratividade permanece fundamental, estratégia e planejamento ainda mais necessários. O grande diferencial é que a realização pessoal e profissional vem decorrente do fortalecimento de nosso habitat – nosso próximo, nosso bairro, nossa cidade, nosso país, nosso planeta. Como habitantes dessa aldeia global, ganhamos o nosso pão e cuidamos do solo que gera o trigo.

*Empresário e empreendedor, engenheiro eletricista, pós-graduado em administração de empresas e construções sustentáveis, sócio proprietário da Ecotopia Soluções Sustentáveis, empresa organizadora da Mostra+Sustentável e das SustenTalks.

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A falência das instituições públicas de ensino superior do Estado de Roraima

Daniel P. Trindade*

O desenvolvimento humano pode ser alcançado através de políticas sociais, entre elas, as políticas educacionais que permitam a redução do quadro histórico de desigualdade e disparidade social.

Sabemos que os jovens e indígenas que vêm para a Capital em busca de qualificação e de formação superior não retornam para suas comunidades e trazem suas famílias para Boa Vista, assim, não contribuem para o desenvolvimento do interior e intensificam os problemas sociais da sede.

O progresso do interior está intrinsecamente ligado à educação. Há uma necessidade urgente de fortalecimento das licenciaturas e isto é uma agenda do governo federal, o Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, que é uma ação para profissionais do magistério que estejam no exercício da docência na rede pública de educação básica e que não possuem a formação específica na área em que atuam em sala de aula.

Formando os professores do ensino básico e médio, teremos jovens capacitados para o estudo superior e tecnológico. Hoje, percebemos uma carência de professores qualificados e os jovens do interior finalizando o ensino médio de forma precária, sem capacidade para concorrer às vagas ofertadas pelas universidades públicas.

No interior, não apenas as licenciaturas devem ser contempladas, mas também bacharelados que promovam o desenvolvimento regional, a exemplo decurso de Engenharia de Pesca para o Município de Caracaraí. Outro curso de vanguarda e extremamente necessário é o de Engenharia Ambiental, tendo em vista o grande potencial de exploração mineral, agrícola e agropecuária do Estado de Roraima.

Outra demanda de suma importância é a inclusão social de deficientes. Acessibilidade ainda é algo distante em sua ampla concepção, como a comunidade de surdos, em que pese a gama de leis que tratam da obrigatoriedade da alfabetização em Língua Brasileira de Sinais – Libras. Em Roraima, ainda estamos engatinhando nesse processo.

A Universidade Virtual de Roraima – Univirr, Fundação Pública de Direito Privado, criada por meio da Lei Complementar nº 156, se efetivamente aproveitada, seria uma solução para os problemas supramencionados, pois tem como finalidade o ensino superior e a formação continuada na modalidade de educação a distância (EAD).           

Esta instituição pode e deve ser instrumento de inclusão social por meio da capacitação, atendendo um grande número de pessoas com um baixo custo.

Cursos de extensão podem ser ofertados para fins de arrecadação de receita própria, tendo em vista a natureza jurídica da instituição, com uma infinidade de opções.

Na educação superior, além dos bacharelados e licenciaturas, os cursos tecnológicos podem ser contemplados, pois são cursos de curta duração e de grande aceitação no mercado de trabalho.

Hoje, temos mais de 120 diferentes cursos de tecnólogos disponíveis no Brasil abrangendo áreas diversas.

As pós-graduações podem ser viabilizadas para a Univirr através de convênios com outras universidades, formando mestres e doutores do quadro permanente de instituições distantes dos grandes centros de ensino e pesquisa, de modo a diminuir as assimetrias hoje existentes.

Na oportunidade, é interessante relatar a atual situação vivenciada pela Universidade Estadual de Roraima – Uerr.

A Uerr foi criada pela Lei Complementar nº 91, nasceu da grande necessidade do desenvolvimento do Ensino Superior no Estado.

Em 2006, chegou a contabilizar mais de 3.000 alunos de graduação regularmente matriculados em 6 campi: Boa Vista, Rorainópolis, Alto Alegre, Caracaraí, São João da Baliza e Pacaraima; 6 núcleos: Bonfim, Caroebe, Iracema, Mucajaí, Normandia e São Luiz; e 7 salas descentralizadas Surumu, Contão, Vista Alegre, Truaru, Félix Pinto, Entre Rios e Nova Colina. E com 23 cursos de graduação.

Ocorre que o Plano de Desenvolvimento Institucional-PDI 2018-2022 foi concebido para atuação da Uerr em apenas quatro municípios: Boa Vista, Rorainópolis, Caracaraí e São João da Baliza, porém nos dois últimos anos, foram ofertadas vagas nos vestibulares da Uerr apenas para os Campi de Boa Vista e Rorainópolis.

Hoje, a Uerr conta com um total de 958 acadêmicos (alunos de graduação, segunda licenciatura e estudantes de pós-graduação) para 285 professores. A Uerr esteve presente, até o ano de 2015, em 17 localidades. Atualmente, está em apenas 6 localidades, sendo todos campi e, no futuro, diante do PDI 2018-2022, provavelmente estará apenas no campus de Rorainópolis e nos dois campi de Boa Vista (vide os últimos editais de vestibular).

Assim, o Poder Público Estadual deve voltar os olhos, urgentemente, para a atual realidade vivenciada pelo ensino superior, sob pena de severa regressão educacional, que já afeta diretamente as pessoas do interior e os que não têm como pagar uma faculdade particular.

*Mestre em Direito – UEA

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O poder da verdade

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Fale a verdade, seja ela qual for, clara e objetivamente, usando um toque de voz tranquilo e agradável, liberto de qualquer preconceito ou hostilidade.” (Dalai-lama)

A verdade tem uma força incomensurável. Com ela, não podemos enganar quem quer que seja. O importante é que sejamos sinceros, senão não seremos verdadeiros. Não importa qual o risco que você possa correr falando a verdade. Ela sempre é um elemento de defesa. Logo, fale sempre a verdade. O popular já nos diz que a mentira tem pernas curtas. Assino embaixo. Ela não vai muito longe. Num dia qualquer, vai descobrir que um amigo traiu você. E é nessa hora que você deve se olhar no seu espelho interior e perguntar se ele enganou você ou você se enganou com ele. E se você for um cara que goste da verdade, vai descobrir que não houve um vigarista, mas um otário. E o otário foi você. Então, não há por que você se aborrecer com o cara. O importante é que você deve se afastar dele. Só assim você vai se valorizar. Simples pra dedéu.

É muito gratificante a gente descobrir que foi usado como laranja, por exemplo, de um político que você considerava amigo. E melhor ainda, quando descobrimos isso, anos depois do acontecimento. Eu já vivi esse drama. Muitos anos depois, descobri que o cara usou meu nome como laranja. E sou tão ligado ao assunto que nem sei se ele usou meu nome ou a mim. E foi tão ridícula a maneira como descobri a bandidagem, que nem vou te contar. Apenas ri da minha ingenuidade em confiar em quem não mereceu nem merece minha amizade nem meu respeito. Tirei o e-mail do cara da minha lista de amigos, afastei-me dele e pronto. Fiquei mais esperto para selecionar novos amigos. Aprendi a olhar nos olhos e ver se ele é amigo ou “amigo”.

Vamos mudar a prosa. Prometi pra mim mesmo que manteria você informado sobre minha estada aqui na Ilha Comprida. A mesma, já rotina. Esperamos o técnico para conectar o televisor. O cara não veio. Aproveitamos e fomos tomar o café da tarde com nosso neto Tácio e o bisneto Felipe, na residência deles. Voltamos numa caminhada leve pela praia, e já em casa, só não posso lhe dizer quem foi que cuidou do jantar. Mas dá pra imaginar. No final das contas, já há uma lei chamada Maria da Penha. E vai ser assim até alguém criar a lei Zé da Peia. No mais, tá tudo em ordem. Muita felicidade, calor e praia gostosa. O resto é resto. Um abração para toda a turma. Sei que vou me tornar chato falando do ambiente por aqui. Mas, fazer o quê? Vou tentar maneirar. Prometo. A Salete já está lendo meus recados e começando a me olhar de soslaio. Vou me mancar. Pense nisso.

*Articulista

afonso_rr@hotmail.com

99121-1460

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