Por Opinião
Em 04/09/2019

BRUTAS HISTÓRIAS DE UMA PERIFERIA ESQUECIDA - (Cena 2) - Hudson Romério*

Mais uma dose...

Mesmo calejada, a’lma sonha!

Tanto tempo, e ainda arde na boca

Mesmo entorpecida, sabe que nada mudou.

Mais uma Zé! (Quase desaba sobre o balcão!) – Caralho! Vai pra casa, Zé! Já é uma e meia da manhã...amanhã tu trabalha, porra! (Pausa) -Tô pagando ou pedindo favor? Quero mais uma!...eu já pago caro pela vida e ainda tenho que ouvir essas ofensas! - Porra, tu já caindo pelas tabelas...vai pra casa! (Pausa) - do que adianta ir pra casa? Nem casa eu tenho mais...minha mulher me “butou” um chifre! (Pausa) -...também, tu só vive aqui enchendo a cara...e quando chega bêbado em casa quer ter razão...batia nela! Ela não tem culpa pelo teu fracasso, porra! - ...cala a boca seu filho da puta! (Desaba em si) Ela é minha mulher! Faço o que quiser...essa merda de vida. (Pausa longa) - Minha saideira...aí vou embora – já é a quinta saideira! (Indignado) - Tu tá contando essa merda agora? Deu pra isso? (Pausa) Tua mulher também te meteu um chifre, seu corno! (Rir sem graça) Fugiu com aquele moleque lá da feira! 

A solidão é foda, compartilhada, é mais solidão ainda! Assim como as mazelas e as desilusões - dose nenhuma cala a alma, consola o corpo, alivia a dor. Todos têm seu quinhão: com seu peso e sua medida - é a parte que nos cabe dessa vida. Mesma sedenta, a alma não se sacia com toda a aguardente do mundo - o espírito é um poço sem fundo de conhecimento e humildade, só os pobres de espírito enche-os com o passado. 

Zé, chega uma hora que temos que deixar nossos fantasmas para trás e seguir em frente. A solidão e o amargo da cachaça vão te acordar amanhã cedo: a boca seca, a cama vazia...não adianta arrependimento, agora é pretérito! Junta teus cacos, tua pouca sorte, tua parca fé, ou fé nenhuma para mais um dia de labuta. Forças? Tu já não tem! Então grita! Corre! Foge pra algum lugar! Algum lugar...e esquece que existe. 

Zé, chega de remoer o passado... a porra do passado passou! Tu tem sorte de ter esse teto... nesse boteco de merda! Aqui é a casa de tantos outros fracassados como eu, como nós! Nem tú fica rico tirando o pouco que nós temos e nem nós mais pobres te dando o que não temos! (Os dois riram de suas desgraças!)

Se pudéssemos ser estranhos de novo, Zé! Qual dos “Zés” deste mundo você queria ser? O Zé que vende a pinga para os desiludidos ou o Zé desiludido que compra a pinga de um Zé desiludido? Somos lágrimas do mesmo choro. No final da noite, no frio, em pé naquela parada de ônibus, pegando chuva, ninguém nos nota... ninguém vê as lágrimas que escorre quando chove, Zé. 

*Escritor e Cronista 
Tel: +55 (95) 99138.1484
hudsonromerio@gmail.com


REFÉNS DE TODA ESPÉCIE DE VIOLÊNCIA - Dolane Patrícia*

Acabar com a violência é desafio de gigantes, afinal, o mundo inteiro está sendo vítima de toda espécie de violência. Acabamos sendo reféns do medo, sem querer sair de casa. Ela está por toda parte, nas ruas, nas reportagens, nos filmes, no trânsito.

Não há como fugir. Antigamente quando se ligava a TV para assistir ao noticiário, não era como agora, assassinato, violência doméstica, estupros, roubos, arrombamentos...

Certo dia assistindo a um filme na sky imaginando não ser violento, na primeira cena o crânio de um ator voou pelos ares com um disparo de arma de fogo do seu “amigo”. Mudei de canal, passava um desenho animado, um bandido atirava em sua própria cabeça, sim, você leu certo: “desenho animado”.

No entanto, se querem acabar com a violência porque criar filmes cada vez mais violentos e fabricar armas de brinquedo cada vez mais avançadas? Foge a lógica, crianças brincando de polícia e bandido com armas que parecem reais e mesmo assim, ainda se perguntam: porque a violência não acaba?

Toda vez que um grave problema aparece, temos uma forte tendência a resolvê-lo tentando exterminar as consequências e não as causas. Porque não começar desde cedo nas escolas ensinando brincadeiras que não estimulam a violência. 

Existe todo tipo de violência, até no futebol, que é paixão nacional. São tantos incidentes que a violência no futebol já é tratada como algo “normal”.

É preciso protestar. A cada ato de violência, a cada menção de aprovação a socos e pontapés, milhares precisam demonstrar sua contrariedade. Só assim estes valentões serão punidos. O fim da brutalidade depende da atitude de cada um. Pode ser que mais uma vez um texto sobre violência no futebol não ajude a resolver o problema. Mas se pelo menos um dos caros leitores adquirir essa postura de se manifestar sempre contra qualquer ato de violência, seja no trabalho, na conversa com os amigos, familiares ou até mesmo nas redes sociais, já vai valer a pena. 

Ademais, o Brasil é um país violento que ainda está atrasado em seu sistema penal. As pessoas que estão presas deveriam estar trabalhando, construindo casas, asfaltando ruas, dando duro para saber que dinheiro não se ganha fácil, mas nosso sistema prisional é arcaico. 

A violência muitas vezes nasce dentro de um ser revoltado, que muita das vezes foi injustiçado e vive num meio conturbado por tantos descasos e discriminações, não apenas étnico, mas principalmente social. Mas isso também não justifica, conheço pessoas que foram criadas em condições bastante desfavoráveis e hoje são juízes, empresários, etc.

 Tudo depende da escolha que cada um faz de sua vida. Se vão buscar dinheiro de forma honesta, ou se vão preferir dinheiro fácil, descontar em outros as agressões que sofreram na infância, ou estudar para combatê-las.

As crianças não podem mais brincar nos parques, as pessoas não podem mais sair nas ruas tranquilamente sem medo de serem vítimas dessa violência que assola nossas vidas. Pois, de uma forma ou de outra somos vítimas de alguma espécie de violência, inclusive psicológica.

Um Vereador de um Município do Espírito Santo certa falou que “É cada vez mais difícil fugir da violência no Brasil e no mundo inteiro. Assassinatos, tiroteios, conflitos de traficantes com a policia, sequestros, assaltos e etc... a sociedade brasileira entrou para o grupo das mais violentas do mundo. Esse índice aumenta todo ano e uma das maiores preocupações do governo é mudar hábitos para acabar com esse problema. Porém o mais difícil de entender é saber separar a causa e a consequência que levou tal pessoa a cometer o crime. O ideal seria a população conscientizar de que violência não é ação é reação, tirando os casos psicológicos, a violência não é cometida sem motivo.”

No entanto, nada justifica um ato violento! Vamos fazer nossa parte e colocar isso nas redes sociais, conscientizar as pessoas a viver corretamente, a serem honestas íntegras e fieis a seus princípios, não cometendo qualquer tipo de violência, principalmente psicológica.

Entretanto, o principal problema da violência está ligado ao esfacelamento da família moderna, uma família estruturada é uma sociedade estruturada. Vamos investir na família e na educação, quem sabe, poderemos mudar essa realidade em nosso país, começando dentro de nossa própria casa?

*Advogada, juíza arbitral, eleita Personalidade Brasileira e Personalidade da Amazônia, mestre em Desenvolvimento Regional da Amazônia pela UFRR. Acesse dolanepatricia.com.br  Whats 99111-3740


Capricho e Liberdade - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Há uma coisa muito mais forte do que o capricho das crueldades políticas: é a opinião pública de uma nação livre, próspera, feliz, moralizada.” (Rui Barbosa)

 Uma nação moralizada é sempre respeitada na opinião pública dos seus filhos. Mas precisamos ter noção do que é uma Nação. Os desmandos nas crueldades políticas refletem a ignorância política de um povo. E esta pode estar refletida nos resultados das eleições. O que é muito claro. E para que elejamos bons políticos é preciso que entendamos o valor e o poder da política. E só aí podemos respeitá-la com o respeito que ela merece. Um povo civilizado não tem como ver a política como uma maracutaia fantasiosa. E infelizmente ainda é assim que a vemos. Continuamos a eleger para a política, candidatos que não são políticos nem entendem nada de política. Mas nunca iremos resolver esse problema histórico, enquanto não nos educarmos politicamente. 

Todos nós merecemos o respeito que é dado a um cidadão. Mas primeiro precisamos ser cidadãos. E ainda não somos. Ainda no temos a liberdade que um cidadão deve ter, na escolha do candidato que realmente mereça nosso voto cidadão. Mas ainda não entendemos que somos nós mesmos que não merecemos o nosso voto. Ainda não aprendemos a respeitá-lo como demonstração do nosso valor. Só seremos uma nação feliz quando formos realmente respeitados como cidadãos de uma nação moralizada.

Vamos primeiro refletir sobre o nosso valor, como brasileiros. Sobre o que queremos para o futuro dos nossos descendentes. Que país nós queremos para os que deverão viver um país próspero e respeitado? E não nos esqueçamos de que essa é responsabilidade de cada um de nós. Então vamos fazer nossa parte, como ela deve ser feita. Vamos parar de ficar esperneando como tontos protestantes. Nada de arrufos nem gritos tolos. Nosso poder está no nosso conhecimento sobre nossos poderes. Nossa decisão é tomada no momento simples e cidadão, do voto. É nele que você demonstra seu valor como cidadão. Mas primeiro tem que ser cidadão. E você nunca o será enquanto for obrigado a votar, quando deveria votar por dever de cidadão. 

Vá refletindo sobre isso. É simples pra dedéu. É só você se valorizar e se respeitar como filho de uma Nação que merece, e deve ser respeitada. O tempo está passando e nós continuamos caminhando pelas veredas da incompetência política. Não vamos permitir que os histriões de fora continuem tentando nos ensinar como cuidar de nossa Nação. Mostremos nossa competência, com competência. Mas precisamos primeiro entender que somos filhos de um País que causa inveja a muitos países. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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