Por Opinião
Em 05/12/2019

Os felizes...

Flamarion Portela *

 Recebi de um amigo esse texto da escritora cearense Socorro Acioli, publicado inicialmente em 2015, no jornal O Povo, mas que se mostra sempre atual, pois trata da felicidade, a eterna busca do ser humano. Compartilho aqui neste espaço para reflexão do amigo leitor.

"Existem pessoas admiráveis andando em passos firmes sobre a face da Terra. Grandes homens, grandes mulheres, sujeitos exemplares que superam toda desesperança. Tenho a sorte de conhecer vários deles, de ter muitos como amigos e costumo observar suas ações com dedicada atenção. Tento compreender como conseguem levar a vida de maneira tão superior à maioria, busco onde está o mistério, tento ler seus gestos e aprendo muito com eles.

De tanto observar, consegui descobrir alguns pontos em comum entre todos e o que mais me impressiona é que são felizes. A felicidade, essa meta por vezes impossível, é parte deles, está intrínseco. Vivem um dia após o outro desfrutando de uma alegria genuína, leve, discreta, plantada na alma como uma árvore de raízes que força nenhuma consegue arrancar.

Dos felizes que conheço, nenhum leva uma vida perfeita. Não são famosos. Nenhum é milionário, alguns vivem com muito pouco, inclusive. Nenhum tem saúde impecável, ou uma família sem problemas. Todos enfrentam e enfrentaram dissabores de várias ordens. Mas continuam discretamente felizes.

O primeiro hábito que eles têm em comum é a generosidade. Mais que isso: eles têm prazer em ajudar, dividir, doar. Ajudam com um sorriso imenso no rosto, com desejo verdadeiro e sentem-se bem o suficiente para nunca relembrar ou cobrar o que foi feito e jamais pedir algo em troca.

Os felizes costumam oferecer ajuda antes que se peça. Ficam inquietos com a dor do outro, querem colaborar de alguma maneira. São sensíveis e identificam as necessidades alheias mesmo antes de receber qualquer pedido. Os felizes, sobretudo, doam o próprio tempo, suas horas de vida, às vezes dividem o que têm, mesmo quando é muito pouco.

Eu também observo os infelizes e já fiz a contraprova: eles costumam ser egoístas. Negam qualquer pequeno favor. Reagem com irritação ao mínimo pedido. Quando fazem, não perdem a oportunidade de relembrar, quase cobram medalhas e passam o recibo. Não gostam de ter a rotina perturbada por solicitações dos outros. Se fazem uma bondade qualquer, calculam o benefício próprio e seguem assim, infelizes. Cada vez mais.

O segundo hábito notável dos felizes é a capacidade de explodir de alegria com o êxito dos outros. Os felizes vibram tanto com o sorriso alheio que parece um contágio. Eles costumam dizer: estou tão contente como se fosse comigo. Talvez seja um segredo de felicidade, até porque os infelizes fazem o contrário. Tratam rapidamente de encontrar um defeito no júbilo do outro, ou de ignorar a boa nova que acabaram de ouvir. E seguem infelizes.

O terceiro hábito dos felizes é saber aceitar. Principalmente aceitar o outro, com todas as suas imperfeições. Sabem ouvir sem julgar. Sabem opinar sem diminuir e sabem a hora de calar. Sobretudo, sabem rir do jeito de ser de seus amigos. Sorrir é uma forma sublime de dizer: amo você e todas as suas pequenas loucuras.

Escrevo essa crônica, grata e emocionada, relembrando o rosto dos homens e mulheres sublimes que passaram e que estão na minha vida, entoando seus nomes com a devoção de quem reza. Ainda não sou um dos felizes, mas sigo tentando. Sigo buscando aprender com eles a acender a luz genuína e perene de alegria na alma. Sigamos os felizes, pois eles sabem o caminho..."

 *Ex-governador de Roraima


A BELA BOA VISTA DE FUTURO INCERTO

Luis Cláudio de Jesus Silva*

Como boa-vistense tenho acompanhado a gestão da prefeitura com um misto de alegria e preocupação. Alegria por ver nossa cidade se modernizando e urbanisticamente mais bonita e funcional. Não posso deixar de reconhecer a transformação por que passa nossa cidade e os resultados alcançados pela atual gestão. Negar essas transformações e avanços é covardia de políticos inescrupulosos e que tentam pintar um quadro falso da cidade. Eu não preciso destes arautos do pessimismo, peritos nas críticas e incompetentes em realizar, para enxergar o que está acontecendo ao meu redor. Por outro lado, me preocupa como a atual gestão deixará nossa cidade. Como será após 2020? Será que o município terá capacidade de suportar com recursos próprios, oriundos de suas receitas (IPTU, ISS, ITBI, Cosip), as despesas permanentes com a manutenção da estrutura que ficará? Não sou afeito ao elogio cego e irresponsável e por isso, vejo que, não obstante esses avanços, algumas áreas importantes foram deixadas de lado, não merecendo por parte da atual gestão a atenção devida. Porém, já vi coisas bem piores e não me dou ao luxo de esquecê-las, o que me força sempre a comparações.

Nesta época, com a proximidade dos festejos natalinos, alguns pontos da nossa cidade ficam mais bonitos ainda. O colorido das luzes de natal transparecem o zelo e o cuidado da equipe que auxilia a gestão municipal. Os críticos desavisados se avexaram em dizer que esse cuidado é só com a área central e que os bairros periféricos estão abandonados e sem atenção. Esse discurso não se sustenta. A mesma atenção tem sido dada aos bairros mais afastados, as áreas de lazer estão espalhadas nas praças em todas as regiões da cidade. E os enfeites e luzes de natal, idem. Saindo do campo do embelezamento da nossa cidade, outros pontos também merecem destaque. Enquanto o contexto atual da gestão pública exige maior austeridade nos gastos e a redução do tamanho do estado, estamos vendo Boa Vista fazer o caminho inverso. A prefeitura, principalmente, neste ano pré-eleitoral, tem construído e inaugurado prédios, adquirido equipamentos e automóveis e realizado concursos para centenas de vagas em diversos setores. Mais uma vez, ressalto que não estou discutindo a necessidade destas ações, e sim incomodado com a capacidade futura do nosso município manter essas despesas. Gostaria de acreditar que o município deixado pela atual gestão será capaz de continuar com a mesma eficiência. Mas, se pensarmos que a maioria destas ações são bancadas com recursos de convênios com a União e que, pela sua natureza, têm prazo certo para terminar, nada garante que no futuro teremos condições de atender as despesas permanentes criadas por esta gestão.

Todos devem saber que a atual gestão deixará a prefeitura no dia 31 de dezembro de 2020, ou seja, está no seu último ano de mandato. Esse fato também me força a refletir sobre se existe preocupação com o futuro, em não deixar um município inchado, endividado e incapaz de ser administrado com suas próprias receitas. Não serei surpreendido se num futuro próximo essa conta chegue e tenhamos o sucateamento desta bela estrutura, falta de recursos para pagar salários, abandono de prédio por falta de condições de uso ou de recursos para mantê-los. Também não me surpreenderá, em 2024, a pregação do “eu quero voltar porque só eu sou capaz de administrar o caos que eu mesmo criei”.

Estamos acostumados a ver o Estado maior que os municípios, mesmo porque um compõe o outro. Na nossa realidade essa ideia está investida, enquanto o Estado vive seu pior momento de falta de gestão e suposta crise financeira, a prefeitura caminha a passos largos com execução de obras em todos os cantos da cidade. Seria ótimo que essa realidade se perpetuasse, porém, com poucos investimentos e ausência de políticas públicas de estímulo à geração de emprego e renda, essa conta vai chegar e talvez não tenhamos condições de pagar. Estou preocupado, mas festejando a Boa Vista de hoje.

*Professor universitário, Doutor em Administração. luisclaudiojs@gmail.com


Nada de carranca

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“O bom humor é contagiante. Espalhe-o. Fale de coisas boas, de saúde, de sonhos com quem você encontrar. Não se lamente, ajude as outras pessoas a perceber o que há de bom dentro de si.” (Aristóteles Onassis)

Aristóteles Onassis foi um dos maiores armadores gregos. Provavelmente um dos maiores do mundo. Teve uma história interessante, conhecida pelo mundo todo. E há quem estranhe os pensamentos que ele deixou escritos. Eu os uso com frequência. Acho que nada é mais importante para um grande homem dos negócios do que os bons pensamentos. Não há como alcançar o sucesso com o mau humor. Todos os mal-humorados que aparentaram sucesso não são mais do que falsos bem sucedidos. Recentemente conhecemos grandes empresários de sucesso, no Brasil, que estão presos por infidelidade a si mesmo.

Valorize o seu bom humor. Nada faz você se sentir mais feliz do que os momentos vividos no bom humor. Seja amável. Cumprimente sempre as pessoas, mesmo que você não as conheça. E não se aborreça se o seu cumprimento não for respondido. Porque se você se aborrecer estará se igualando ao mal-humorado e, portanto, mal educado. Seja você, sem se aborrecer com o que os outros são. O Emerson já nos disse que: “Você é taão rico ou tão pobre quanto o seu vizinho; senão não seria vizinho dele.” E seu vizinho nem sempre é o cara que mora aí na casa ao lado da sua. Seu vizinho é o seu amigo com quem você pode contar em todos os momentos. E você só terá um bom vizinho se você for um vizinho bom.

Vá refletindo sobre tais pensamentos que às vezes parecem vazios. Mas na verdade eles são riquíssimos. O importante é que saibamos entendê-los no que eles realmente são. Viva sua vida como um momento. Cada momento da vida é tão importante quanto a vida. Perdoe sempre. Nada é mais gratificante do que o perdão. Porque ele deve ser sincero. Não adianta você ficar fingindo que perdoou e continuar magoado com o ofensor. Seu valor é você que vai lhe dar. O que você deve fazer para mostrar seu valor é valorizar-se no que você é. E você é o que você é, e nem sempre o que você pensa que é. Simples pra dedéu. Tão simples que os que não se valorizam não entendem.

Não se esqueça que no dia do seu aniversário você está completando mais uma volta em volta do Sol. Se você está comemorando seu vigésimo aniversário, você já deu vinte voltas em torno do Sol. E nem todos os grandes astronautas levam isso em consideração. Reflita sobre isso e considere o valor que você tem como um ser de origem racional. Seja feliz valorizando-se no que você é. E seja sempre o melhor usando o melhor nos seus pensamentos. Pense nisso.

*Articulista

afonso_rr@hotmail.com

99121-1460

Opinião
fale@folhabv.com.br
Cadastrar-me Enviar Comentário
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Últimas de
Opiniao
+ Ler mais artigos de Opiniao