Por Opinião
Em 12/09/2019

Onde quer chegar a imprensa? - Neimar Fernandes*

Em plena semana da pátria, como se não bastasse ter o abdômen aberto novamente por 5 horas de cirurgia, afastado do governo, enfrentando tramitações de extrema importância no congresso, ainda voltam à carga na grande mídia escondendo realizações e propagando ódio e dúvidas.

Especulam sobre demissões na polícia federal, montam ilhas de produção de imagens em pequenos focos de incêndios na Amazônia, enfrentamentos na câmara e no senado, economia focada no aumento do dólar – muito mais devido a problemas externos que internos – inadequação da literatura infantil, e tome críticas!

Tudo isto para isolar o presidente e fomentar intrigas com os ministros Sérgio Moro, Ricardo Salles, Tarcísio Gomes, Damares Alves – não por acaso os mais populares e eficientes – além de criar dificuldades e desentendimentos nas lideranças do governo, congresso e partidos dentro do legislativo.

Quando se pensa que os aliados, arregimentados apenas pela confiança no trabalho realizado, estariam prontos a defender e exaltar a volta do sentimento patriota, orgulho pelos valores e símbolos nacionais, lá vêm eles de novo com farpas, pedras e dúvidas requentadas com a finalidade de diminuir o impacto da aceitação popular.

É inaceitável que queiram colocar na conta do presidente problemas, dúvidas ou controvérsias do legislativo e do judiciário, quando a principal função do executivo é garantir a governabilidade em estrito cumprimento da constituição.

Extremamente difícil manter essa governabilidade combatendo e lutando pela condenação e prisão de corruptos e corruptores que, ainda hoje, assolam nosso país.

Mais uma vez alerto o presidente para que desenvolva estratégia semelhante aos adversários na sua estrutura de comunicação social.

Não se combatem canhões e blindados com infantaria leve. Ou se equiparam as tropas ou se adotam estratégias de guerrilha com focos específicos.

Sei que o presidente e seus assessores militares conhecem e dominam o assunto e as estratégias da caserna, mas no campo das comunicações estão chafurdando em atoleiros.

Apenas como ilustração chamo a atenção para um tremendo equívoco:

Ao atacar a grande mídia diariamente com denúncias de parcialidade e corte de verbas, o presidente está sufocando e matando as médias e pequenas empresas de comunicação nos estados e municípios brasileiros, uma força estratégica e numerosa para combater o “inimigo”.

O simples ato de adotar a gratuidade para a publicação de balanços das grandes empresas e sociedades de capital aberto – lembre-se que não é dinheiro público – está causando um estrago estrondoso nos médios e pequenos contingentes, que poderiam ser aliados fervorosos do governo, enquanto nenhum mal fazem às empresas direcionadas.

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o governo encontra-se órfão e sem nenhum interesse por adoção. Da mesma forma, em diversos estados brasileiros, pequenas empresas estão sucumbindo sem a chance de sequer serem ouvidas.

Encerro evocando Nicolau Maquiavel:

“Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela.”

*Jornalista e publicitário, pós graduado em marketing pela SUNY-State University of New York e tem mais de 40 anos de experiência com serviços prestados no Brasil e exterior.


Um duro golpe na pesquisa e no desenvolvimento científico do Brasil - Flamarion Portela *

 O corte de 5.613 bolsas de mestrado e doutorado, anunciado pelo Governo Federal no início do mês de setembro, é mais um duro golpe na pesquisa e no desenvolvimento da ciência no Brasil. 

Essa última leva representa bolsas que estavam em período de renovação e o governo resolveu extinguir e a previsão é que, até o fim deste ano, nenhum novo projeto seja financiado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que planeja economizar R$ 37,8 milhões. Ao todo, 11.811 bolsas de mestrado e doutorado já foram extintas em todo o País somente este ano.

Em Roraima, as Instituições de Ensino Superior também foram atingidas pelo contingenciamento de recursos para as bolsas. Somente a Universidade Federal de Roraima (UFRR) teve 12 de mestrado e duas de doutorado cortadas na primeira fase do corte, no primeiro semestre deste ano e, segundo a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, 96 bolsas de iniciação científica que foram implantadas em agosto correm o risco de não receber os recursos.

A educação de forma global precisa de investimento e de uma política pública de Estado e não de Governo. O 'desinvestimento' que está ocorrendo agora trará graves consequências para o desenvolvimento da nação.

No Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR), os cortes devem atingir os dois programas de desenvolvimento científico e tecnológico fomentados pelo CNPq: o Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica); e o Pibiti (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação). Apesar de ainda não ter havido cortes oficiais, a preocupação é se os projetos terão continuidade, devido ao contingenciamento anunciado pelo Governo.

Até mesmo a Universidade Estadual de Roraima (Uerr) já está sofrendo as consequências do corte. Por lá já foram perdidas cinco bolsas do Pibic-EM (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio) e a previsão é com o contingenciamento todos os bolsistas da instituição parem de receber o aporte financeiro para suas pesquisas.

Sem dúvida, esses contingenciamentos e cortes na pesquisa e na produção científica terão um impacto muito grande no desenvolvimento do País. O conhecimento é a base de todo o processo de crescimento de uma nação.

Inúmeros projetos de pesquisa importantes, sobretudo na área da Saúde, podem ser paralisados em todo o país, prejudicando a descoberta de cura para várias doenças. 

É lamentável que um Governo que foi eleito com a promessa de trazer de volta o desenvolvimento para o Brasil comece sua gestão contingenciando recursos de uma área tão crucial para o crescimento do País.

 

*Ex-governador de Roraima


A LISTA TRÍPLICE E OS MAUS COSTUMES PETISTAS - Luis Cláudio de Jesus Silva*

Estamos vivenciando um momento de transição política onde, após longos anos de desmandos administrativos e de generalização da corrupção, a esquerda representada por Lula, Dilma, o PT e sua gangue, foram apeados do poder e o Brasil escolheu um novo tempo, um novo modelo, uma nova ideologia, a direita, democraticamente eleita, ocupa o poder e enfrenta a raivosa resistência às mudanças. Em meio a essas transformações, ao limpar os porões para expulsar as ‘ratazanas', vez ou outra surgem revelações das tramoias do fracassado projeto de poder petista. A última dessas revelações foi a tal forma de escolha do Procurador Geral da República (PGR). Usurpando o dispositivo constitucional que atribui ao Presidente da República a livre nomeação do titular da PGR entre aqueles ocupantes da carreira e maiores de 35 anos, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), mau acostumada com os velhos tempos, tenta impor seu poder e limitar o poder constitucional do presidente Bolsonaro, exigindo sem qualquer respaldo legal, que o novo PGR seja escolhido dentre os nomes da lista tríplice, por esta indicada. Se o (des)governo petista se sujeitava à pressão da tal associação classista, isso, além de não gerar direito, deixa transparecer a submissão, as tramoias e supostas chantagens que caracterizavam as relações entre os envolvidos.

Um dos argumentos para a formação da tal lista tríplice pela ANPR é a independência do escolhido. No entanto, que independência tem um Procurador da República que diante do escândalo do Mensalão do PT, deixa de oferecer denúncia contra o líder da quadrilha? Somente a partir de 2003 que a ANPR criou e impôs a tal lista tríplice e, como dito, o governo petista, ao se subordinar escolhendo sempre o primeiro dos indicados, cria um suposto costume. Nunca esqueceremos que os costumes do PT foram desmascarados pela Operação Lava-jato, revelando um dos maiores esquemas de corrupção do mundo. Isso, por si só, já bastaria para não defendermos nenhum costume da era petista. Hoje, o que vem a tona é um verdadeiro esquema montado pela ANPR para manter seu poder de indicação do chefe maior da procuradoria entre seus ungidos e desde que comunguem das mesmas ideologias do grupo que domina a associação. O descaramento é tanto que só podem concorrer à “lista tríplice” os procuradores associados. Ou seja, aqueles que se sujeitam ao seu estatuto associativo. É muito poder para uma associação de classe, e ainda mais ao arrepio da lei, sem qualquer garantia constitucional.

Não está sendo fácil ao Presidente da República o desmonte do aparelhamento institucional deixado pelo PT. Esse episódio da lista tríplice imposta pela ANPR é apenas mais um esquema a ser desmantelado, e o presidente Bolsonaro, ao exercer o seu poder constitucional de livre escolha, ignorando a lista imposta, marcou mais um ponto positivo entre os muitos acertos que a grande mídia insiste em não divulgar, quando não age distorcendo a verdade. Por outro lado, mas ainda sobre lista tríplice, agora as legalmente formadas, é grande a reclamação de alguns setores da sociedade quando o presidente não indica o primeiro nome da lista. Ora, se da lista constam três nomes, o presidente pode escolher qualquer um deles, do contrário, não faria sentido a formação de lista tríplice para escolha, era só informar o mais votado e o presidente apenas homologaria o ato, sem qualquer oportunidade de escolha. Viver na democracia é saber respeitar o resultado das urnas e no Estado democrático de direito se impõe a submissão social às normas e à constituição, qualquer tentativa contra um ou outro, deve ser desestimulada e repudiada.

*Professor universitário, Doutor em Administração.

 luisclaudiojs@gmail.com


Ainda no cabresto - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Todo povo é uma besta que se deixa levar pelo cabresto.” (Henrique IV)

O Rei da França falou isso no século XVI. E o que mudou de lá para cá, num País que se diz e se considera democrata e democrático, onde o povo ainda é considerado um “João da couve”? Enquanto não nos educarmos politicamente continuaremos marionetes de políticos que não são políticos nem pretendem entender de política. Nada mais ridículo do que vermos políticos de alto nível usar a imprensa para protestar contra o incontestável. É uma ingenuidade pensar que iremos mudar e aprimorar nossa administração pública de uma década para outra. Ainda temos muito a fazer na política, para podermos ser um país democrata. A coisa é tão simples que ainda não entendemos, politicamente, que não há democracia com a obrigatoriedade no voto. E quando será que seremos livres para escolhermos nossos candidatos? Falta muito.

Chega de blá-blá-blá boboca. Nunca seremos um povo politicamente preparado enquanto não formos um povo educado. E a nossa Educação está no fundo do poço. Pais despreparados para educar e professores despreparados para ensinar. É nesse balaio de caranguejo que queremos educar nossos filhos e descendentes, para terem um País sadio, com uma democracia desmascarada. Está na hora de acordarmos e sair desse círculo de elefante de circo. Merecermos o respeito que deveriam ter por nós, como cidadãos. Mas primeiro precisamos ser cidadãos. E só o seremos quando formos um povo realmente livre. E só seremos livres quando formos educados.

E como ninguém, na política, está nem aí para nos educar, vamos fazer isso, nós mesmos, por nós. Vamos parar com essa pantomima de ficar gritando sem nem mesmo saber para quê. Não vamos mudar nossa administração pública de uma década para outra. Vai demandar tempo. Mas precisamos nos preparar nesse tempo. Não devemos ficar esperando que os outros façam por nós o que nós mesmos devemos fazer. Então vamos fazer. Vamos nos educar politicamente, para que sejamos verdadeiramente cidadãos, sem precisar ficar beijando a mão dos que elegemos para trabalharem por nós e para nós. Vá refletindo sobre isso e se preparando para as próximas eleições. Mas nunca nos prepararemos enquanto não entendermos o que realmente é uma democracia. E sem ela nunca seremos um povo livre. E ela ainda está a caminho. O tempo que levar para chegar até nós vai depender do nosso entendimento com o desenvolvimento do País. E cada um de nós é responsável por esse desenvolvimento que ainda levará tempo para chegar. Vamos fazer nossa parte, como ela deve ser feita. Mas sem burburinho. Pense nisso.

*Articulista

99121-1460  

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