Por Opinião
Em 16/04/2019

O início do ano! - Selma Mulinari

Enfim! O carnaval foi embora e parece que o ano realmente está começando no Brasil! Quando falamos isso fora do Brasil, todos estranham, mas infelizmente é verdadeiro. O País só funciona após as folias de momo! Já tivemos discussão e chilique do presidente, besteirol do primeiro filho, viagens, reuniões, nomeações, exonerações, Brasil funcionando! Capenga, mas funcionando.

Então, com todos agora querendo mostrar trabalho, vamos para o impasse número um, que é o projeto de mudanças na Previdência, que a cada semana nos brinda com alguns capítulos dessa novela. Primeiro, os nhenhenhéns do presidente BBB com o presidente da Câmara Federal. Dois meninos mimados cada um querendo luz, câmera e ação!

No segundo ato, a audiência com o ministro da Economia, que foi literalmente bombardeado com as perguntas da oposição e viu seus pares ficarem caladinhos acerca da proposta apresentada. Mas em sua fala o ministro disse um ponto que devemos refletir: por que o Congresso Nacional não para de reclamar, fazer drama e não efetua as mudanças necessárias, já que é o palco certo para isso? Quem impede os nossos parlamentares de agirem em favor de uma legislação que ampare o povo que os elegeu? 

Quando o presidente da Câmara diz que o presidente BBB precisa se articular para fazer funcionar, é para lembrar que a mola que move o Brasil infelizmente é a da moeda. A bancada da Bíblia está relutante quanto ao apoio e quer articulação, a bancada do Boi está mais maleável e a bancada da Bala tem algumas observações ao projeto. 

Assim vamos levando, acompanhando os faniquitos acontecidos nas reuniões e a falta de respeito para com o povo que, com certeza, é que vai sair lesado e lenhado dessa estória.

Em Roraima, também iniciamos o ano! Já iniciamos com notícias novas e outras nem tanto, mas os problemas continuam os mesmos. Na Assembleia, carne nova junto com outras meio passadas. O presidente continua o mesmo, temos deputado que saindo para o tribunal, o primeiro líder do governo não aguentou e junto com ele iniciou a dança das cadeiras. Então, o governo anuncia um novo líder que por sua vez, promete! 

Daí, finalmente, iniciaram-se os trabalhos e o governo está dando os primeiros passos, está encontrando mais boa vontade e unanimidade, sinal que as articulações deram certo. No Diário Oficial, continuam saindo as publicações das articulações e podemos acompanhar também as nomeações das unanimidades. 

Enquanto isso, já tem gente abandonando o barco!

*Mestra em História Social; Conselheira do CEERR
Mulinari.selma@globo.com


Sua vida vale um cigarro? - Walber Aguiar

Nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos. (Renato Russo)
    
Madrugada. Inverno. O mundo sombrio estava cada vez mais carregado de sombras. Sombras de ódio, marcas de dor, fragmentos de indiferença. A morte rondava os homens, com suas carrancas de medo e ilusão. Um cigarro, uma caixa de fósforos, uma facada. Mais um a engrossar as estatísticas de uma cidade sem educação e segurança.

Depois de desvalorizada a vida e banalizada a morte, não há como deixar em branco um acontecimento desses. Não podemos fingir que não vimos ou ouvimos nada. A não ser que estejamos cegos, surdos, loucos ou extremamente insensíveis.

Quanto vale a sua vida? Uma dose de cachaça, um cigarro de maconha, uma roupa de marca ou um relógio de ouro? Quanto você paga para existir num mundo desajustado e complexo? Estaremos pagando pelo erro de outros ou pelos nossos próprios? Seremos bonecos iludidos pelo livre-arbítrio ou cobaias de um Deus apático e sem graça?

Ora, a teodiceia (Deus é culpado pelo mal) tem várias vertentes. Uma delas é que para valorizarmos o bem, temos que experimentar o mal; para conhecermos o alívio, precisamos considerar a dor; para entendermos a graça, temos que passar pelo sofrimento. Que a cura vem depois da doença. Que se Deus é todo bom, ele não pode ser todo-poderoso e se ele é todo-poderoso, ele não pode ser todo bom. 

Leibniz, filósofo alemão, num de seus ensaios, diz que a presença do mal no mundo não entra em conflito com a bondade de Deus. Que o livre-arbítrio não é um brinquedo posto em nossas mãos; que atraímos sobre nós mesmos o bem ou o mal conforme nossa particular maneira de ver ou de agir.

O que nos assusta um feto na lixeira, a violência gratuita de quem mata por um cigarro? Quanto vale a sua vida? Será que vale um cargo oferecido por um candidato em ano eleitoral? Se sua vida vale mais que um cigarro ou um pão amanhecido, então sua autoestima também tem que valer algo. O que não se admite é que as pessoas se anulem diante do poder que corrompe ou por ele sejam diminuídas.

A vida pode valer muito ou pouco. Depende daquilo que fizermos com o que fizeram de nós. 

Era madrugada. A chuva caía sobre o sangue na calçada. Ali nascia uma profunda reflexão. No canto empoeirado do boteco estavam Deus, um copo de cachaça e uma bagana de cigarro. 

*Advogado, poeta, professor de filosofia, historiador e membro da Academia Roraimense de Letras. wd.aguiar@gmail.com


Darwin ou a Bíblia? - Marlene de Andrade

"Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos." (Hebreus 11:1)

Adauto Lourenço escreveu um livro muito interessante: "Como tudo começou". Ele cita nesse livro CS Lewis, escritor irlandês, o qual, por seu turno, escreveu o livro "Deus no Banco dos Réus" explicando o seguinte: "Se o sistema solar veio a existir devido a uma colisão acidental, então, o aparecimento da vida orgânica neste planeta também é acidental, e toda evolução do homem acidental também. Se este é o caso, todos os nossos pensamentos presentes são meros acidentes criados pelo movimento dos átomos. E isto é válido tanto para os pensamentos dos materialistas e astrônomos, como para qualquer outra pessoa. Mas, se os pensamentos, isto é, do materialista e do astrônomo, são meramente produtos acidentais, por que deveríamos crer que eles são verdadeiros? Eu não vejo razão para crer que um acidente possa dar explicação correta do porquê de todos os demais acidentes".

Lewis também questiona que se conhecemos o certo e o errado, isso sugere a necessidade de um padrão absoluto e se alguma coisa é certa e outra é errada, é porque, afirma ele, alguém fez essa determinação tendo como uma causa específica e primária. Neste contexto penso eu, se todo o universo passou a existir devido a uma colisão acidental, por que hoje outros mundos e outras pessoas não estão aparecendo fora do contexto da Terra, ou não existe mais nenhuma colisão acidental no universo? Bem, de vez em quando a gente vê meteoros correndo no espaço, será que eles não se chocam em lugar nenhum?

Muito interessante também é Adauto propor uma reflexão questionando que tanto o crer que Deus existe quanto o ateu dizer que não existe, os dois exercem fé, pois nenhum dos dois tem como provar empiricamente a sua posição, uma de ateu e outra de cristão. Neste raciocínio, prefiro acreditar, por fé, que Deus existe e é o Criador de todas as coisas.

Quanto ao evolucionismo, ainda não vi uma célula endócrina se transformar em célula gástrica e sim se degenerar devido ao câncer. Célula endócrina e gástrica ou um “zilhão” de outras células permanecem sempre as mesmas sem evoluir para outro tipo de célula e o mundo está sempre se degenerando e nunca evoluindo para melhor, porém nada perde suas características e aí, neste contexto, como acreditar no darwinismo?

E por falar nisso, que desastre ocorreu no Rio de Janeiro, hein?! O temporal por lá destruiu muitas coisas e o que chama minha atenção é que nosso planeta também está sendo destruído e nunca evoluindo para melhor e por isso prefiro acreditar, por fé, em apocalipse e não que o universo está evoluindo e, sim, involuindo.

*Médica Especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT - CRM/RR-339 RQE-431


O dia - Afonso Rodrigues de Oliveira

“Onde não há esperança no futuro, não há poder no presente.”

Todo dia é diferente do dia passado. Há sempre algo novo e diferente para você observar quando acorda pela manhã. Ontem foi o dia. Acordei, e como de costume, fui até a varanda observar o movimento na rua. Olhei a imagem pequenininha, pela distância, do Cristo Redentor, lá no Município de Iguape. Sorri. Lá embaixo, os carros passavam barulhentos. Olhei para a praça e lá estavam eles. Acho que são um casal. Eles chegam sempre juntos. Param, olham como se estivessem pesquisando e saem catando migalhas na grama da praça. O que catam e comem, não sei, mas ficam um tempão naquele lanche. Não se separam. Estão sempre juntos. Dão a volta por todo o gramado da praça, param, olham-se e continuam a pescaria com os bicos na grama.

Na beleza da manhã, continuei mirando a beleza natural da Ilha. Mirei no Pronto-Socorro, ali em frente, no Espaço Cultural Plínio Marcos, na academia de ginástica, até que eles chegaram. Era outro casal. Só que chegaram fazendo um barulho engraçado. Parecia que estavam provocando o casal pacífico que catava migalhas. Mas o casal catador não deu a menor bola para o barulhento. E, pelo que me parece, isso irritou os barulhentos que continuaram gritando. Até que um dos barulhentos, irritado, foi até um dos do casal tranquilo, postou-se empinado e continuou gritando como se estivesse desafiando para a luta. O tranquilo nem deu bolas. Continuou na tarefa de catar migalhas e comê-las. 

Sorri do que via e comecei a explorar a beleza à minha frente. Mas não resisti e voltei a contemplar os casais na grama da praça. E foi aí que vi o mais interessante. O membro do casal irritado afastou-se, dirigiu-se à companheira, começou a gritar alto com ela. Lamentei não entender o linguajar deles. O outro membro respondeu calmamente e os dois partiram num voo rasante e barulhento. O voo foi curto e eles aterrissaram do outro lado da praça e começaram a catar migalhas na grama. Continuei admirando-os no seu sistema de vida. Será que um dia eles serão humanos? Pelo comportamento dos dois casais, acho que sim. Tem tudo a ver.

Depois de me divertir com os casais de quero-quero, voltei à minha rotina. E esperando que se os quero-queros vierem a ser humanos, que tenham uma rotina igual à minha. Porque sou muito feliz, mas invejo a tranquilidade dos animais que tenho observado aqui na Ilha Comprida. Ainda há pouco, estive comentando isso com o Alexandre e ele concorda comigo quanto à diferença no comportamento dos animais por aqui. Você precisa ver como os cachorros se comportam entre os banhistas na praia. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

Opinião
fale@folhabv.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Últimas de
Opiniao
+ Ler mais artigos de Opiniao