Por Opinião
Em 16/05/2018

Dislexia Política

Dolane Patricia*
Abraão J. Pereira**

Alguns termos surgem em pesquisas outros em debates acalorados, mas esse “Dislexia Política” ouvi do humorista de stand up Afonso Padilha em um vídeo no qual ele estava falando sobre o Facebook ter censurado um vídeo dele sobre o que é direita e esquerda. No vídeo intitulado “sobre censura, direita e esquerda”, após fazer a pergunta sobre o tema do stand up à plateia e não obter resposta, o humorista classifica-a como portadora de “Dislexia Política”.

Etimologicamente, a palavra “Dislexia” é composta pelos radicais “dis”, que se refere a uma ideia de difícil e “lexia”, que significa palavra. No seu sentido literal, o termo refere-se, portanto, a dificuldades na aprendizagem da palavra (Montenegro, 1974).

Segundo Torres e Fernandéz (2001), as características da Dislexia podem agrupar-se em dois grandes blocos: comportamentais e escolares. Na primeira categoria as autoras incluem a ansiedade, a insegurança, a atenção instável ou o desinteresse pelo estudo. Relativamente às características escolares, as autoras referem um ritmo de leitura lento, com leitura parcial de palavras, perda da linha que está a ser lida, confusões na ordem das letras, inversões de letras ou palavras e mescla de sons ou incapacidade para ler fonologicamente.

A palavra “política” provém do grego “politéia”. Tal palavra era usada para se referir a tudo relacionado a polis (Cidade-estado) e à vida em coletividade. Portanto, podemos chegar a um ponto em comum ao afirmar que a política está relacionada diretamente com a vida em sociedade, no sentido de fazer com que cada indivíduo expresse suas diferenças e conflitos sem que isso seja transformado em um caos social.

Embora se afirme que gregos e romanos tenham criado a política, com destaque para a obra “Política” de Aristóteles, não podemos negar a existência de relações de poder e autoridade em civilizações anteriores. De fato, gregos e romanos desenvolveram as características de autoridade e poder no sentido político.

Em sua obra “O Príncipe”, Maquiavel afirmou que o que move a política é a luta pela conquista e pela manutenção do poder, além disso, segundo ele, os fins deveriam justificar os meios, isto é, para a finalidade da ordem, soberania e bem-estar social, o Estado poderia usar a força física de forma legítima.

O cidadão politicamente disléxico pode ter adquirido essa deficiência social por dois vieses, ou pela ausência de formação política dentro do lar e da comunidade onde vive ou porque a escola não lhe proporcionou esse despertar, e quando falamos “escola” levamos em consideração todo o contexto (currículo, políticas públicas de educação e questões de cunho pedagógico no âmbito da escola e da sala de aula).

Segundo Cláudia Costin: "A educação no Brasil não ensina a pensar". A especialista em politicas educacionais também afirma que, “No Brasil, quando se fala nas teorias de Paulo Freire, em ensinar a pensar criticamente ou a formar cidadãos críticos, os professores decodificam isso, muitas vezes, como ensinar a visão de mundo deles para o aluno. Isso não é ensinar a pensar. Ensinar raciocínio crítico é ensinar a formular seus próprios juízos sobre os fatos, a raciocinar matematicamente, historicamente e cientificamente; é pesquisar evidências”.

Outros indivíduos são tão alienados à lógica do bom viver que preferem se manifestar de acordo com a maioria de seus amigos internautas, ou seja, ele curte, compartilha e comenta tudo que está bombando, independentemente de que esse conteúdo condiz ou não com seus atos externos ao mundo virtual.

Portanto podemos definir que o cidadão com “dislexia política” é aquele cidadão cuja formação política familiar não lhe despertou o interesse pelos assuntos referentes aos problemas sociais de sua comunidade, foi criado em uma família alienada que o tornou “escravo” de um pensamento dominante propagado pelos que estão no poder e não querem que indivíduo pensante tome decisões que desestabilizem suas formas de domínio e governabilidade. Para esse cidadão a escola não foi suficiente para despertá-lo para um senso crítico de sua própria realidade. E o fracasso da escola pode estar ligado a dois fatores, a metodologia e currículo adotado pela escola ou porque esses indivíduos em suas formações sociais foram ensinados a rejeitar qualquer forma de ensino ou doutrinação para o exercício da cidadania.

Não devemos nos abster da política, seja qual for as circunstâncias, nosso futuro está na forma como fazemos isso, seja no campo social, eleitoral, econômico ou científico. E finalizo com uma frase de um grande pensador.
“[...] o homem é naturalmente um animal político [...]” – Aristóteles.

*Advogada, juíza arbitral, mestre em Desenvolvimento da Amazônia, Personalidade Brasileira e Personalidade Amazônica. Acesse: dolanepatricia.com.br
**Licenciado em Educação do Campo com habilitação em Ciências Humanas e Sociais, Especialista em Sociologia e Filosofia e Mestrando em Educação.


Entre mim e você - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Vocês riem de mim porque sou diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais.” (Bob Marley)

Estou tentado, confesso. Quando você fica ligado aos acontecimentos políticos durante o ano todo, fica difícil, pra dedéu, ficar indiferente aos acontecimentos nas mudanças de períodos. E mais ainda quando você não viu mudanças onde tudo deveria ter mudado. Mas vamos deixar a política de lado e vamos cuidar do que possa contribuir para nossas mudanças. Já sabemos que temos o dever, para conosco mesmo, de mudar a todo instante. E como a Cultura Racional nos diz que o ser humano só aprende com repetições, vamos repetir o que nos interessa. Ou mais precisamente, o que interessa para nossa mudança enquanto seres humanos. Repetimos o Victor Hugo: “Devemos ser o que não somos, mas sem deixar de ser o que somos”. Nada mais sábio.

Vamos iniciar o ano aprendendo com o que já sabemos. E sabemos que nunca seremos totalmente sábios. Sempre há o que aprender nas veredas da vida que vivemos. As que ainda viveremos, vão depender do conhecimento que levamos da atual. E nada mais importante do que você fazer o que deve ser feito, da melhor maneira que puder fazer. E isso independentemente do que você faz. Aí vamos repetir o Swami Vivekananda: “Não se mede o valer de um homem pela tarefa que ele executa e sim pela maneira de ele executá-la.” Quando sabemos o que fazemos, fazemos bem feito até o que não sabemos fazer. Faça durante todo o ano que se inicia o melhor que você puder fazer por você e pela humanidade. Mas não se esqueça de se lembrar que você é o que você pensa, mas nem sempre é o que pensa que é. São coisas distintas e que contribuem, muito, para sua evolução.

Valorize-se no que você é sendo, a cada momento, melhor do que foi no momento anterior. É assim que evoluímos. E sem evolução ficamos o recruta que fica marchando sobre o mesmo terreno. Vá em frente. O horizonte está bem ali, mas você nunca vai alcançá-lo. Mas nunca deve deixar de tentar. Se parar estará contrariando o ensinamento do velho Chacrinha: “O homem é como a bicicleta, se parar cai”. Alguém também nos ensinou que desistir é uma coisa tão fácil que qualquer idiota sabe fazer. Não desista nunca dos seus sonhos. O importante é que você saiba o valor que têm os seus sonhos. Por maior que eles sejam não deixe de alimentá-los com maturidade. Talvez esteja aí a saída da encruzilhada do sapo da Alice. Lembre-se de que você nunca será melhor se continuar sobre o mesmo patamar. Suba sempre um degrau a cada dia. Você pode se achar que pode. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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