Por Opinião
Em 17/08/2019

Por que as pessoas quebram promessas? - Flavio Melo Ribeiro*

Você conhece alguém que promete, mas não cumpre? Diz que vai fazer, mas não faz? Às vezes a promessa é para si próprio, e mesmo assim não leva adiante, como por exemplo: segunda-feira inicio a dieta; ou algo mais sério, vou parar de beber! O que faz a pessoa não levar adiante o que ela mesma quer realizar? Por que é tão difícil? Em geral, é porque faz de um modo errado. Então vamos ver como fazer de um modo efetivo.

Existem três elementos por trás da promessa. O motivo, que é algo objetivo, que está no mundo e me faz agir para alcançar o que desejo; por exemplo, vou parar de beber porque alcoolizado tenho causado problemas em família. Outro elemento é o móbil, que é subjetivo, um sonho, algo que mexe com as emoções; por exemplo, a pessoa vê um celular numa vitrine e se encanta com o aparelho, entra na loja e o compra; às vezes não existia nenhum motivo, comprou apenas porque achou lindo e é o modelo que mais adorou. E também existe o fim, que é o elemento que une tanto o motivo como o móbil, lançando-os no futuro. 

Quando prometo, desejo alterar algo no futuro que está vinculado a uma objetividade ou subjetividade. E o faço com total honestidade, realmente desejo mudar. Porém, no outro dia, a possibilidade de fazer o prometido, ou agir de outra maneira, tem o mesmo valor. É necessário escolher. Para manter a promessa é necessário recorrer ao passado, relembrar que prometi para que ela ganhe força novamente. Porém essa estrutura é frágil, pois facilmente é desmontada. Diante do balcão de bar o alcoólatra vai precisar escolher beber ou seguir a promessa de não mais beber. E ao pensar vou beber apenas hoje para comemorar a vitória de uma conquista, ele afasta rapidamente a promessa e se vê livre para beber, principalmente se ele completar o pensamento dizendo que ele inicia a abstenção da bebida “amanhã”. 

Quer ser firme na mudança? Então idealize o contexto futuro. Se veja em detalhes num cenário em que você apareça mudado. No caso do exemplo da bebida, se ver sóbrio nas diversas situações da vida. Veja como serão suas relações familiares, como elas estarão diferentes. É a posse desse futuro mudado que permite à pessoa ter uma razão para mudar e se manter firme no processo de mudança. Assista ao vídeo clicando no link junto ao texto para compreender melhor esse assunto.

*Psicólogo - CRP12/00449
E-mail: flavioviver@gmail.com, Contatos: (48) 9921-8811 (48) 3223-4386



FÁBRICA DA FELICIDADE  - Wender de Souza Ciricio*

Onde está o incrível da vida? Como dormir sem ser importunado por aquele peso que está acima do que se pode suportar? Suavizar, relaxar, se alegrar e estar bem são desejos inerentes ao ser humano. No balanço da vida, o que mais desejamos são sintomas e práticas que conduzem para felicidade. Todos, direta ou indiretamente, correm em direção de atos que visam produzir felicidade. Um sujeito entra na igreja buscando receitas para felicidade e trabalha para garantir um salário que lhe garanta a posse de bens que supra suas necessidades fundamentais e com isso a felicidade seja garantida. O jovem estuda para melhorar seu senso de cidadania e assim saber se portar no meio da sociedade sem sofrer arranhões e, consequentemente, ser feliz. Não há um canto da vida, mesmo que usando métodos adequados e inadequados, em que pessoas não lutem e tenham sede da felicidade. 

Sabedores dessa sede das pessoas, instituições e vários seguimentos sociais dão receitas, conselhos e largas orientações sobre felicidade. Em meio aos vários seguimentos que discursam sobre receitas de felicidades, penso em uma que aparentemente soa como abstrato, porém é mais concreto do que se parece. Refiro-me às fábricas. Esse elemento chamado fábrica, desde sua existência de forma encorpada a partir do século XVI, vem determinando formas de viver que sugerem felicidade. Esse determinismo condiciona homens e mulheres a viver imaginando que a felicidade depende de ter aquilo que é fabricado, de modo que, seguramente, as fábricas vendem muito mais que produto, vendem conceitos, vendem ideias e a ideia de que só podemos ser felizes se tivermos o que é produzido.

Numa disputa entre capitalista e socialista, com maior volume na Guerra Fria, os Estados Unidos reforçou a expressão “American way of life” que consistia em proclamar que o modo de vida americano era a melhor e maior referência de felicidade que o mundo podia ter. Com todo vigor econômico os Estados Unidos inventou, fabricou e disseminou o preceito de que possuir, ter e adquirir bens, faria do homem e da mulher seres felizes. Enfim, as fábricas venceram. Não existe ninguém e nada no mundo ocidental que vincule tão bem a posse de bens ao sentimento de felicidade. A fábrica, com todo seu poder, investiu na propaganda e em vários mecanismos para fazer valer seu discurso de que a felicidade está condicionada a possuir coisas, mercadorias e objetos. São máquinas que funcionam ininterruptamente e que para não serem desligadas precisam do dedo forte de alguém lá de dentro, que convença que a boa autoestima depende da aquisição dos bens produzidos. 

Por isso que leveza, felicidade, alegria e maciez na alma dependem do tipo de carro que se tem na garagem, da marca do celular que carregamos no bolso, da sala luxuosa e de tantos bens que a fábrica coloca diante de nós todos os dias. O mundo do bom caráter e da boa moral perdeu lugar para o mundo do ter, do ter as coisas. E isso mexe em tudo, mexe, por exemplo, na cabeça do pai que passa querer como marido para a filha não, em primeiro lugar, um homem de caráter, mas um homem de posse. Mexe também com a família quando a mesma insiste com os filhos quanto à profissão, ou seja, estudem medicina e não pedagogia, a segunda tem remuneração baixa e a primeira tem tudo para tornar esse filho rico. Até as igrejas balançam diante da fala da fábrica, basta observar os depoimentos de quem viu a ação de Deus em suas vidas. Eles sempre dizem que estavam em crise financeira e que agora voltaram a ter bens e riquezas, ao contrário de dizerem que mudaram um caráter corrompido para um caráter íntegro. A fábrica é forte e sendo assim conseguiu trazer a felicidade para bem perto dela, e assim padece de tristeza quem da fábrica está distante. 

*Psicopedagogo, historiador e teólogo
Wenderciricio@gmail.com


Como motivar - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Motivação é a arte de fazer as pessoas fazerem o que você quer que elas façam por vontade delas.” (Einsenhower)

Motivar é uma tarefa gratificante. Quem teve a felicidade de viver os momentos marcantes no desenvolvimento da indústria paulista, nas décadas de cinquenta e sessenta, aprendeu com a motivação. Porque, digamos de passagem, o desenvolvimento não foi só na indústria, mas em todas as atividades comerciais. Foi no início da década dos cinquentas que comecei a admirar as atividades iniciadas numa empresa de ônibus, entre São Paulo e Rio de janeiro. Época em que ainda se iniciava a duplicação da Via Dutra. Atualmente não dá pra analisar, imaginando, a dificuldade que era viajar de ônibus entre Sampa e Rio. Tive a felicidade de viver intensamente aquela época.

O que tem uma coisa com a outra? Claro que tem. Foi naquela empresa de ônibus que praticamente se iniciou a fase da motivação no trabalho. No início da década dos sessentas iniciei as atividades no Controle de Qualidade com as Relações Humanas no Trabalho e na Família. E sem esse conjunto não há como haver motivação. E sem motivação não há como formar o conjunto da formação profissional. E acho que este é o obstáculo que ainda dificulta o desenvolvimento humano no trabalho. Mais de meio, século de trabalho e as dificuldades ainda persistem. Ainda vemos chefes que deveriam ser líderes mandarem em vez de orientarem. Ainda vemos auxiliares serem tratados como eram os do século passado. 

Na década dos setentas a indústria naval no Brasil teve seu maior impulso. Foi um período altamente produtivo em todos os sentidos. Tive a felicidade de trabalhar durante dez anos naquele ambiente. Um ambiente que pra mim foi uma verdadeira Universidade. Ali aprendemos o necessário para desenvolvimento em todas as atividades profissionais. E é por isso que me sinto como um verdadeiro observador profissional. Porque tudo se concentra nas Relações Humanas. Porque sem o conhecimento das Ralações Humanas não nos aprimoramos o suficiente. 

Minha maior preocupação quanto ao desenvolvimento profissional está no poder público. Não estamos levando tão a sério a importância das relações humanas no trabalho. É bem verdade que já houve um bom desenvolvimento, mas ainda estamos muito aquém do que necessitamos para sermos um povo desenvolvido. Não nos basta construir escolas e universidades. O mais importante é preparar os que vão ocupar e usar com profissionalismo, os ambientes. O importante não é o que fazemos, mas como o fazemos. Vamos corrigir erros do passado com a Educação. Sem ela não seremos o que o País espera de nós. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460 

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