Por Opinião
Em 20/08/2019

Todo ser humano tem direito de viver - Marlene de Andrade*

"Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe.

Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza.

Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto, fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.

Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir..." (Salmos 139:13-16)

É crime discriminar animais, negros, índios, deficientes físicos, LGBT, árabes, mulheres, idosos e, entre outros, pobres, porém não é crime praticar aborto em mulheres que foram estupradas.

Ora veja só, a mulher pode cometer aborto quando é estuprada, mas se ela tivesse nascido tendo sido gerada de um estupro, ela entenderia que sua mãe deveria tê-la assassinado antes dela nascer?

Precisamos entender que quando seguramos uma semente em uma de nossas mãos, ali já há um vegetal de forma embrionária, assim é o embrião e o feto, os quais são pessoas humanas. E o que chama atenção é não vermos o pessoal tão a favor das minorias e tem que ser mesmo, contemplar o aborto como uma barbárie, assim como contemplam todo tipo de fobia contra quem quer que seja. Eles estão certos nisso também, porém cometem um pecado abominável quando se colocam a favor do aborto, quer seja devido a estupro ou por qualquer outro motivo. 

Agora bem aí, diria uma amiga minha, mas matar papagaios, onças e entre outros animais silvestres, as araras, é crime e ai daqueles que os praticam, porém o aborto, devido ao estupro, não é crime. Por quê? Que régua é essa que mede essa barbárie? Calma, pessoal defensores de animais, matá-los é crime sim, todavia, um ser humano indefeso também é crime assassiná-lo e não pensem que sou contra o politicamente correto ou algo pelo estilo, todavia me causa espanto como cristã de fé reformada, perceber que existem até cristãos que comungam com essa ideia que criança gerada de estupro deve ser abortada, ou seja, assassinada.

Nesse raciocínio o que disse Deus a Adão e Eva? "Crescei e multiplicai-vos", entretanto ele não disse que os bebês gerados de estupro, doentes ou que porventura colocasse a mãe em risco de vida poderiam ser assassinados, visto que o aborto é um pecado, de fato, abominável.

Neste contexto Madre Tereza de Calcutá disse: "Temos medo da guerra nuclear e dessa nova enfermidade que chamamos de AIDS, mas matar crianças inocentes não nos assusta. O aborto é pior do que a fome, pior do que a guerra". Teresa de Calcutá, mulher valorosa, em poucas palavras, disse tudo a esse respeito.

*Médica Especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT - CRM-RR 339 RQE-431


TODOS OS NOMES & QUANTOS DE MIM SOU EU MESMO - Hudson Romério*

I

Já me chamaram de tudo nessa vida... de todos os nomes possíveis e impossíveis. Desde os mais sutis até os mais esdrúxulos – uns dos piores estigmas que alguém pode ter são os designativos! O nome é a forma mais básica para os significados, signos e significantes: é o fonema transformado no objeto, ou na coisa em si. Muita coisa do que já me chamaram eu sei que fui, acho que fui um pouco de tudo nessa vida, mas hoje eu sou da vida um pouco de tudo que eu quis ser – desde coisas boas até coisas ruins: já fui desde uma bela boutade até a piada mais sem graça. Acho que existe um fisiologismo entre a palavra e a vida: a primeira existe para dar sentido à segunda, e a segunda é o próprio sentido da primeira; enfim, as coisas e nós só existimos pela ação do propósito da vida. 

II

Já me chamaram de tudo: preguiçoso, mentiroso, burro, louco, drogado, alcoólatra, suicida, feio... crápula, veado, vigarista, mau pagador... levo comigo a carga de todos esses adjetivos, substantivos, pronomes... de sê-los ou não ser, eis a questão! Ela é bem maior que a indecisão de Hamlet, até porque fui (e sou) tudo isso. Conheço intimamente o peso de cada uma dessas coisas, de todos esses epítetos... nem todas as onomatopeias definem todas essas alcunhas que sou eu. Todas as palavras já foram ditas, gritadas, faladas, então me fale o que eu ainda tenho que escutar para me definir mais uma vez do que eu sou? Nem que seja outra figura de linguagem que não existe, de uma tradução da loucura de todas as dores: o significado-significante que existe entre nós mesmos! Uma vez inventei uma palavra, cunhei muitas outras; então eu gritei: “Cu!” – Inventei minha própria definição, pari minha própria onomatopoese, e a gritei mais alto ainda: “Caralhorvalho!”.

III

Eu não sou o que pensam que eu sou, nem sou o que eu penso que sou, sou mais ou menos eu mesmo. Essa coisa de pensar quem eu sou ou que nós somos ou fomos, nunca chega a lugar nenhum, é mais uma dessas perguntas sem respostas. Essas respostas (ou essas perguntas) de não sabermos se estamos vivendo no presente, presos no passado e sem nada para o futuro... isso não me traduz nada mais do que o nada! Eu não sei se estou velho o suficiente para a idade que tenho hoje ou ainda me sobram tempo e, alguns dias de minha fútil e terrível vida já nos últimos suspiros. Sou uma espécie de alfarrábio, porque até de mim eu me esqueci... gritarei de novo! “Cu!” E mais uma vez para todos ouvirem – “Caralhorvalho!”.

IV

Já fui muita coisa dessas coisas todas que me chamaram e me chamam... outras tantas eu tentei ser, como tantas outras nem cheguei a tentar, mas hoje sei o que eu fui e o que eu não fui, ou não sou o que quis ser, nem tão pouco sou ou serei o que querem que eu seja, não serei o que pensam que eu sou. Todos esses nomes (os meus e seus supostos nomes) reverberam em todas as direções, no tempo-espaço, no pretérito-presente-futuro, imperfeito, perfeito ou mais do que perfeito-imperfeito. Mas todos eles chegam a mim com muita força, me esmurram cada vez que os ouço: palavrões, palavrinhas, palavras... nomes, sobrenomes, pronomes... até que um dia eu achei o meu próprio neologismo, aquilo que era minha cara! Isso que sou de verdade, sou apenas o Hudson. 

V

Até que um dia ela (minha sílfide) disse: agora acabou! Até aquele dia eu não sei o que eu fui, acho que estava perdido – não me dava conta disso... sempre estive ausente no que eu era, de todos os nomes e alcunhas que me chamaram e, que eu ainda carrego, aquela frase foi a mais marcante de minha vida: aquelas palavras foram exatas e belas! Assim como o Corvo de Poe que grita: “Nunca mais!” Ela disse: Agora acabou! Então todas as formas semânticas tornaram-se simples, mesmo destroçado eu entendi aquelas coisas, todos aqueles significados, mesmo despido de mim mesmo eu ouvi e até hoje escuto aqueles fonemas que ficaram impregnados em mim – Agora acabou! Já na falta daquele amor que nunca houve eu senti pela primeira vez na vida, a vida! Que minha melhor parte já não existia mais, que nem um nome teria nome para aquilo, mesmo se inventássemos todos os nomes possíveis e impossíveis não caberia em sua própria definição aquilo que ocorreu, o absurdo que nem Deus deu conta de apagar do tempo. Foi, e, é simplesmente o fim! A vida por um tempo se esvaiu de mim – foi não querendo mais voltar... é o inverso da teogania: sem gênese, só o fim. 

VI

Eu não sou o que pensam que eu sou! Não vou ser o que eles querem que eu seja! Não quero ser nem eu mesmo. Não quero ser o próximo, o distante ou o mais ou menos... não quero ser nada além do que eu sou agora, já basta minha pré-velhice chegando a cada hora, dessa peleja de buscar onde quer que eu esteja... assim vou me encontrar? Já me chamaram de todos os nomes nessa minha vida, já inventaram apelidos, epônimos, designativos, tudo que é (e foi) possível na imaginação humana. Então eu grito: CU! CARALHORVALHO! NUNCA MAIS! AGORA ACABOU! Eu não sou o que eu penso ser e nem muito menos sou aquele que querem que eu seja, busco de alguma forma um nome para isso tudo; assim, depois de me definir vou ser o que sou, com um nome que recebi há muito tempo, Hudson. 

*Escritor e Cronista
Tel: +55 (95) 99138.1484
hudsonromerio@gmail.com


Batendo na tecla - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos.” (Pitágoras)

Se eu fosse um educador, talvez não estivesse tão chato neste assunto. Sei quanta gente fica bicuda com minha insistência. Mas ela é necessária. Porque sem a Educação não seríamos, e ainda não somos, merecedores do que precisamos para ser feliz. Napoleão Bonaparte não plagiou. Mas ele também disse que precisamos construir mais escolas pra não termos que construir mais presídios. E como já batemos muito nessa tecla, vamos entrar de mansinho. 

O que é investir na Educação? Depende do que se investe e como investe. E quem de nós, eleitores, está pensando nisso? Vá refletindo um pouco, antes de acusar. E olha que estamos falando na Educação nas escolas. Então voltemos para casa e vamos nos educar no lar. Mas só nos educaremos se nos educarem. E se eu continuar nesse peneiramento, o mingau vai ficar sem gosto. Então vamos maneirar. Eu ainda era criança quando li, na capa do meu caderno, na escola, a seguinte frase: “A educação é como a plaina: aperfeiçoa a obra, mas não melhora a madeira.” Um detalhe muito importante para ser considerado por quem educa. E a barra fica mais pesada quando nos referimos aos pais educadores.

A verdade mais cruciante que temos que encarar é que nem sempre tivemos, nós, pais, condições de entender a grandeza no educar. Ainda vivemos os momentos presentes, na tentativa de viver os modos dos momentos em que fomos educados dentro dos nossos lares. Talvez ainda não entendamos que a criança deve ser educada de acordo com a personalidade dela. O que não quer dizer que deixemos pra lá porque ela e diferente. E é aí que está a dificuldade em educar, tanto no lar quanto na escola. Mesmo porque há um detalhe pequeno, mas importante: a escola ensina, não educa. A educação vem e vai do lar. Ela se inicia no berço e continua se aprimorando na convivência familiar. O que é uma tarefa muito delicada, e por tanto, difícil.

Tenho observado, e muito, comportamentos de pais, que não se coadunam com a educação. E o mais preocupante é que os comportamentos, aparentemente negligentes, são apenas um gesto de desconhecimento da evolução humana. Simples pra dedéu. Ainda não estamos preparados para as mudanças. Ainda pensamos que o celular é o máximo na nossa evolução. Coisa mais ou menos assim. Ainda não imaginamos como era o Planeta Terra, antes do último dilúvio. E se é assim, como vamos nos preparar para o próximo dilúvio? Ou você pensa que ele não vai acontecer? Vamos ficar mais de olho nos acontecimentos globais, que são do Globo Terrestre, e não da “Globo”. Pense nisso. 

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460   

 

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