Por Opinião
Em 21/10/2019

C(idade) das pessoas

Linoberg Almeida*

Semana passada, uma das mais importantes instituições de ensino do mundo, a Princenton University, publicou um estudo sobre a política pública para a Primeira Infância da gestão municipal atual. Servidores, secretários, a iniciativa da prefeita e nosso trabalho como vereador são ressaltados. No nosso caso, insisto que ações públicas sejam primordialmente de longo prazo, e não só política de um governo, e sim a conquista da sociedade. 

Essa coisa de pensar a cidade a partir da perspectiva dos pequenos ou de uma pessoa numa cadeira de rodas é inovador. Imagine sujeitos de direitos e ocupantes de ruas e espaços públicos dos mais diversos tendo uma cidade realmente democrática, horizontal, participativa e humana. Sonho? Realidade à vista.

O trabalho do projeto Urban 95 e da experiência vivificada da Fundação Bernard Van Leer entre nós não podem ser encarados como algo com tempo de mandato eletivo e descartado por quem venha a sentar no 9 de Julho, ou pelas pessoas em desacordo com o bem coletivo. Educação patrimonial e cuidados com bens públicos devem ser estimulados, assim como o foco nas demais fases da vida numa perspectiva multidisciplinar. 

Ok, somos terra em que hotel privado vendido ao governo virou prédio público, foi escola tradicional, e hoje, do nada, vira secretaria. Que tristeza, Ayrton Senna. Essa terra de heróis e símbolos esquecidos vive da troca de foco na política pública como sopro de vento. É só ver o lugar reduzido, invisibilizado, ou até mesmo de pouco avanço metodológico, estratégico, ou orçamentário de programas sociais como Rumo Certo, o saudoso Guarda Mirim, o hoje decadente Projeto Crescer, o promissor, mas dilapidado, Dedo Verde e o estagnado PETI. 

Aos belos Cabelos de Prata e ArtCanto ainda considero que falta o conectivo Cultura-Educação para que esses atores sociais de brilhos nos olhos, experiência e música nas veias juvenis fortaleçam valores, conhecimentos e saberes, transmitindo repertórios de uma geração a outra, com arte, criatividade, formação e contato com práticas culturais que forneçam a matéria-prima para juntos construirmos uma Boa Vista eficiente, justa e sustentável. 

Toda política social deve caminhar no sentido de uma maior socialização da práxis, por meio de mecanismos de gestão e controle social com maior participação popular, visando ampliação da cobertura, tendo em vista a ideia da universalidade. Pensar a cidade na altura da cadeira de rodas e não conseguir transitar por ela, e com ela, complica. Dar centralidade a uma fase da vida e esquecer-se das outras também não é possível.

A crítica é construtiva. E a parceria nos permite aprender com aquilo em teste, aqui e no mundo. No México, priorizaram os caminhos entre casas e escolas para valorizar calçadas e vidas; em Bangladesh, o investimento em mobilidade urbana inclusiva e culturalmente dirigida; na Argentina, a ocupação de áreas públicas abandonadas com esporte e arte; as ruas de lazer no Gabão; as experiências inovadoras com creches no Quênia… Precisamos estar abertos a todos os pontos de vista e, sobretudo, não jogar o bebê fora, junto com a água da bacia. É sempre possível uma sintonia fina que adeque o já realizado até aqui.

Como diz o ditado, água mole, pedra dura, tanto bate até que fura, recém conseguimos sensibilizar o executivo após três anos ao orçamento da cidade priorizar Educação como maior destino de verbas públicas. Mas, ainda vejo nos segredos e cinzas do urbanismo, nos silêncios sobre o lixo e a limpeza urbana, sinais de que precisamos avançar. É com diálogo que se fomenta a Política e se convidam todas ao exercício da cidadania. É assim mesmo… Parlamentar é porta-voz e a cidade é de todos nós, de qualquer idade.

*Professor e Vereador de Boa Vista


Os direitos humanos na corda bamba

Sebastião Pereira do Nascimento*

Embora pareça uma coisa recente, as diversas formas de violência humana não são fenômenos novos. Esses fatos vêm desde os primórdios da humanidade e parece ser uma característica própria dos humanos em sociedade. Aqui vamos entender como violência tudo aquilo que, a partir de ameaças ou ações, possa levar prejuízo à vida humana ou mesmo ofender a dignidade de alguém.

Atualmente, com as recorrentes negações das garantias dos direitos igualitários, observamos cada vez mais ações de violência por parte das pessoas, onde inevitavelmente somos obrigados a confirmar que a coisa bruta sempre fez parte da natureza humana. Tudo isso elevado ao máximo, quando o homem naturaliza a violência estrutural ou sistêmica: a primeira vem do poder político e econômico dominante que expressa a falta de assistência aos serviços públicos essenciais, a má distribuição de renda, o quadro de miséria do povo, a exploração dos trabalhadores, dentre outras. A segunda vem de ações autoritárias que causam danos às pessoas fragilizadas, aos povos indígenas, maus-tratos e torturas policiais, ações de grupos de extermínios e outras formas de violências que afetam a dignidade humana.

Portanto, considerando que o Homo sapiens seja potencialmente dotado das mais sórdidas práticas de violência (às vezes praticadas apenas pelo prazer da maldade ou para satisfazer os desejos mais avassaladores do homem), onde o desprezo pelo ser humano sempre resulta em atos bárbaros contra a humanidade, as Nações Unidas (alicerçadas pelas aspirações mais elevadas do homem) resolveram proclamar, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, considerando entre todas as coisas que: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir uns para com os outros num espírito de profunda fraternidade”.

Diante dessa proclamação, os Estados-membros da Declaração Universal dos Direitos Humanos se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos fundamentais do cidadão e o cumprimento desses direitos na plenitude, assim como reconhecer a dignidade inerente a todos os membros da espécie humana e de seus direitos iguais e inalienáveis, que asseguram a liberdade, a justiça e a paz no mundo.

Assim, os direitos humanos foram protegidos pelo estado de direito, para que o homem não seja compelido a recorrer, em última instância, à rebelião contra a tirania e a opressão. Também foi assegurado promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações e que os seres humanos tenham liberdade de expressão sem medo e privações, com um ideal comum a ser alcançado por todos os povos e todas as nações.

Atualmente, no momento em que os valores humanos vêm sendo desvanecidos e fortemente ultrajados por elementos verdugos, onde muitos líderes governamentais vêm disseminando ideias ultra violentas, mais do que nunca é preciso que todos os povos passem revigorar seus direitos fundamentais, os quais devem estar constantemente presente entre todos os corpos sociais. Isso é necessário pelo fato de que os olhares atentos tanto servem de freios para os algozes como de orientações para que as ações dos poderes constituídos possam sempre estar em equilíbrio com os princípios dos direitos humanos, visando a preocupação com as cartas magnas e o bem-estar geral das nações. 

Para o povo brasileiro isso é de suma recomendação, visto que no momento em que estamos diante de um governo perigosamente autoritário (apoiado por grupos ultra conservadores com os mesmos ideários autoritários), o qual exerce a sua máxima feição amorfa quando mobiliza seus ressentimentos, sobretudo negligenciando os direitos naturais do homem, bem como fazendo apologias às ditaduras militares, aguçando atos misóginos e sexistas e fazendo declarações contra os direitos humanos.

Em vista disso, uma vez que o Brasil é um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e membro dos tratados internacionais que envolvem os delitos enquadrados como crime de lesa humanidade (tortura, escravidão, etc), tanto o governo como seus apoiadores devem se alinhar às boas práticas, visto que violar as normas dos direitos humanos internacionais, além de ir contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, fere a essência daquele que é ofendido.

Assim, tanto o país como cada brasileiro, no exercício de seus direitos e deveres, deve estar sujeito apenas às limitações determinadas pela lei exclusivamente com o propósito de assegurar o devido reconhecimento e respeito pelos direitos e liberdades dos outros e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar geral de uma sociedade democrática. Estes direitos e liberdade não podem ser exercidos, em hipótese alguma, contra os propósitos e princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

* Filósofo
E-mail: sepenascimento@gmail.com


Mãe Educadora

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Tudo aquilo que eu sou ou espero ser eu devo ao anjo que foi minha mãe.” (Abraham Lincoln)

É muito importante podermos falar assim de nossas mães. Elas são o poder que temos e nem sempre percebemos o valor que ela tem no nosso desenvolvimento. A educação se inicia no berço, alimentada com o carinho e a atenção da mãe. O importante é que saibamos peneirar as diferenças, não vindas das mães, mas das épocas e caminhada do berço às veredas da vida. O ambiente aqui na Ilha Comprida tem me favorecido na observação do desempenho na educação. Ontem vivi um momento que me chamou a atenção para os deslizes que podem até valer no crescimento, mas nem sempre. O que exige preparo para a tarefa de educar, criando e formando.

Estive ali no Pronto Socorro, na Praça. Passando pelo corredor, observei a atitude de uma mãe, que me chamou a atenção. A mãe estava com uma criancinha de poucos meses de idade, num cestinho próprio para crianças. A mamãe precisou ir até ao guichê. Ela pegou o cestinho, colocou-o sobre uma cadeira, sem nenhuma proteção. Afastou-se e foi até o guichê que ficava a uma distância de uns dez metros. Parei e fiquei observando. Ela ficou mais ou menos uns cinco minutos no guichê, e em momento nenhum ela virou-se para ver como a criança estava.

Desculpem-me por lhes trazer um assunto desagradável. Mas ele faz parte da grade da educação no lar. Sabemos que não devemos exagerar nos cuidados, mas não devemos relaxar. E isso faz parte da educação. Devemos orientar nossos filhos e não dirigi-los. Mas isso só deve ser feito quando os preparamos para a vida deles. E até lá devemos cuidar do seu bem estar. E este está na sua proteção, para que ele possa se orgulhar de poder se orgulhar da vida que teve com a proteção e orientação do anjo que foi, ou é, sua mãe. 

Mão permita que o avanço na evolução no ser humano tire da mãe o dever que ela tem, para que seu filho se orgulhe dela enquanto ele viver. E a maturidade está no entendimento do que somos tanto como mães ou como pais. E comecemos entendendo o pensamento do Mandino: “Vossos filhos não são vossos filhos. São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma. Eles vêm através de vós, e não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.” E é precisamente por isso que devemos educar nossos filhos, para que eles possam viver livremente a vida deles, quando adultos, mas orgulhando-se do que as mães fizeram para que eles pudessem chegar ao patamar em que estão. Mas você, pai, não se esqueça de que a parceria na educação dos filhos é importantíssima. Então faça sua parte na educação do seu filho. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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