Por Opinião
Em 22/05/2020

60 dias da quarentena: como tem sido sua experiência?

Djanira Luiza Martins de Sousa*

Foram 60 dias em que você se isolou realmente das pessoas ou tentou se conectar por meio de tecnologia, descobrindo que mesmo longe fisicamente, é possível estar próximo?

Foram dias em que você viveu sob a pressão da produtividade ou experimentou o respeito ao seu ritmo biológico e psicológico? Foram dias de cansaço do convívio intenso com os familiares ou de possibilidades de conviver mais e com melhor qualidade?

Foram 60 dias em que precisou dar conta de todas as atividades domésticas e familiares e ainda do home office ou foi uma oportunidade de exercitar o ajustamento criativo que existe em cada um de nós?

Foram dias de tédio e impaciência, ou de possibilidades de entrar em contato consigo mesmo? Foram 60 dias de ansiedade com relação ao futuro ou de sonhar e fazer planos para um futuro melhor? Foram 60 dias de paralisação de sua energia vital ou de pensar em formas diferentes de autocuidado?

Acredite, não é necessário se encaixar numa forma ou na outra. É possível que você tenha vivido todas essas situações, uns dias produzindo, outros se recolhendo e cultivando o ócio; uns dias amando estar com a família e outros desejando estar sozinho em seu cantinho; uns dias querendo ler todos os livros da estante e outros querendo dormir direto por 24 horas. Não esqueça, seja benevolente consigo, somos humanos e para a categoria do humano não existe uma forma única de agir.

 Lembre-se que a Pandemia do Covid-19 nos convocou a realizar mudanças abruptas em nossas vidas, foi necessário saímos de um ‘lugar’ habitual e rotineiro em que estávamos e fomos convidados a nos reinventar em todos os aspectos. Foi preciso que criássemos novas formas de nos relacionar com a família, com o trabalho, com os estudos, com a ausência de contato físico com os amigos e amores, e de nos relacionar conosco mesmos, com nosso eu interior. Para muitos, tem sido um grande desafio, para outros, um sinal de superação e resiliência. Foram dias de novas oportunidades de vivermos de maneira diferente e refletirmos sobre isso.

O que fazer com estas vivências cabe a cada um de nós: pode ser sentido como uma dádiva ou uma punição, um aprendizado ou um sofrimento. E você, o que vai fazer com esses 60 dias? Aproveite e reflita sobre isso!

*Psicóloga (CRP 11/01159); mestre em Saúde Pública; especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional; coordenadora dos cursos de pós-graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial e de Psicologia Humanista e Existencial do Centro Universitário Estácio do Ceará

A mentira mascarada

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Tal e qual uma flor, cheia de colorido, no entanto, sem nenhum perfume. Assim é a palavra vazia de prática. Nada adianta. É uma esterilidade doentia.”

Devemos ter cautela com o que falamos. Falar bonito não é falar nadando na fantasia. A sinceridade é importantíssima no que falamos. A honestidade pode, muito bem, ser revelada nas nossas palavras, no modo como as expressamos. Por isso olhe sempre nos olhos da pessoa que estiver falando. A verdade, tanto quanto a mentira, está sempre nos olhos de quem fala. Por isso, muito cuidado com o que você fala, e como fala. Sabemos que o bom conversador não é o que fala mais, mas o que ouve mais.

Seja sempre sincero no que você diz. Não há como respeitar a mentira. Nem mesmo quando somos obrigados mentir. E, por incrível que pareça, é o que estamos vivendo. Estamos sendo obrigados, a usar máscaras, e a mentir quando necessitamos da verdade. Se você morar numa ilha e tiver necessidade de ir a outro município vai entender o que estou dizendo. No momento estou vivendo este transtorno. Ninguém pode sair nem entrar na Ilha. E o pior é que dependemos dos Municípios vizinhos, para algumas necessidades. E é aí que temos que obedecer as regras estabelecidas pelos administradores. E assim não podemos deixar de mentir escondido na máscara.

Um dos meus amigos, aqui na Ilha Comprida, precisou ir a Curitiba. A programação era ir, resolver o problema, almoçar e voltar pra casa. Mas teve que fazer uma ginástica mentirosa. Teve que justificar às autoridades que iria até Registro e voltaria imediatamente. Foi autorizado a ir, mas voltar em poucas horas. Em Registro teve que mentir que morava em Curitiba. Teve dificuldade em fazer a autoridade acreditar na sua estória vazia.

Na volta de Curitiba, o engodo foi o mesmo. Felizmente resolvera o problema em Curitiba, sem necessitar de voltar lá. Mas no engodo da volta, só chegou a casa por volta da meia noite, quando deveria ter chegado ao final da tarde. Até quando vamos ficar engolindo o sapo da incompetência? Em mil novecentos e dezoito tivemos uma crise igual à de hoje. Considerando-se a população do Brasil naquela época, a perda de vidas não foi menor do que a de hoje. Mas não aprendemos com a de ontem, e por isso não nos preparamos para a de hoje. E o pior é que queremos justificar o desmando com blá-blá-blás vazios. Uma característica da nossa política.

Não desobedeça. Use a máscara, não minta, embora você seja obrigado a se confinar. Mas tudo vai valer para que aprendamos a aprender com o problema. E nos prepararmos para a próxima crise que não sabemos quando virá. Pense nisso.

*Articulista

E-mail: afonso_rr@hotmail.com

95-99121-1460

Opinião
fale@folhabv.com.br
Cadastrar-me Enviar Comentário
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!