Por Parabólica
Em 16/05/2019

Bom dia,

O movimento nacional de advertência organizado no âmbito das universidades federais, com apoio de sindicatos e de partidos de esquerda em todo o país, nem foi maior e nem menor do que era esperado. Embora a principal rede de televisão do país tivesse feito um esforço hercúleo para mostrar musculatura no movimento paredista, na verdade a imensa maioria da comunidade universitária das instituições públicas de ensino superior aproveitou o dia para cuidar de outros afazeres. E os ativistas tiveram que fazer piquetes desde cedo para evitar que o dia fosse normal no ambiente universitário.

De qualquer forma, não se pode dizer que o movimento foi pífio em matéria de participantes. Houve bastante gente protestando contra, no fundo, o governo de Jair Bolsonaro como um todo, aí incluídas a reforma da previdência, a tentativa de mudança da política ambientalista e indigenista, a menor tolerância governamental contra a política de gênero, entre outras propostas do novo governo. A reação contra o tal falado contingenciamento de 30% - na verdade em relação ao total, algo em torno de 3,4%, em média, – no orçamento das universidades federais foi apenas o mote.

PEQUENO

Em Boa Vista o movimento de protesto foi tranquilo. Na entrada do Campus do Paricarana da Universidade Federal de Roraima (UFRR) teve um início de discussão entre uma professora e um oficial da Polícia Militar. Na chegada da guarnição, a professora pegou o celular e começou a filmar o oficial que comandava os policiais militares, que evidentemente não gostou, e ameaçou pagar o equipamento. A arenga não demorou muito devido à chegada ao local do vice-reitor Américo Lyra, que estava no exercício da reitoria. Logo os ânimos serenaram.

GREVE?

Esta merece registro, como sinal de novos tempos. Um leitor da Parabólica perguntou de uma professora da Universidade Federal de Roraima se havia possibilidade de ser decretada uma greve geral por tempo indeterminado na instituição, por conta do bloqueio de recursos determinado pelo Ministério da Educação. “Acho que não há clima para isso, afinal, eu penso que se fizermos greve, esse doido é capaz de mandar cortar nosso ponto, e isso vai doer no nosso bolso”, foi a resposta. Em tempo: o doido, pelo que pode deduzir nosso leitor, seria o presidente da República.

REAÇÃO

De fato, vivemos novos tempos depois da vulgarização do uso das redes sociais. Em reação ao movimento de alunos e professores contra o corte na verba para a educação, no final da tarde de ontem, já começou a circular pela internet uma convocação para que a população se mobilize para fazer movimento de massas a favor de muitas das agendas defendidas pelo governo Bolsonaro. É ainda um movimento embrionário, mas não é fácil agora imaginar se isso ganhará corpo.

ENTUSIASMO

E alguns dos multiplicadores da convocação da população para apoiar a agenda de reformas em curso no governo Bolsonaro andam entusiasmados e chegam a dizer que deverão arrastar para a Avenida Paulista (ainda sem data marcada), em São Paulo, uma multidão de mais de um milhão de pessoas. “O clima lembra o período que antecedeu a Revolução Francesa”, exagera o redator da convocação que já circula nas redes sociais. A Revolução Francesa (1789), como se sabe, foi motivada pela revolta popular contra os privilégios da nobreza francesa.

GUERRA

A convocação que está circulando nas redes sociais diz que “a guerra contra o mau político, e a degradação da nação está começando”. E fala em fechamento do Congresso Nacional, no fim de privilégios de parlamentares e de ocupantes de cargos no Estado brasileiro como um todo. “Não subestimem o povo esclarecido que começa a sair da zona de conforto para lutar por um Brasil melhor”, diz também. Ninguém ainda assumiu a autoria da convocação e de que forma essa eventual mobilização será organizada. Pode ser fogo passageiro, mas...   

CONSULTA

Na última vez que se manifestou sobre a construção do Linhão de Tucuruí, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) teria lhe dito que até o dia 15 de maio – que foi ontem – a consulta aos índios Wamiri-Atroari estaria concluída. Por mais que os repórteres do Grupo Folha de Comunicação se esforçassem, não conseguiram confirmar se a promessa da Funai ao presidente havia sido cumprida. Tudo indica que não.

GRANA ALTA

O pior desta história é que quase tudo é feito sem publicidade e, por isso, às vezes é preciso dar crédito às versões. Uma delas diz que só a elaboração do chamado laudo antropológico, que estaria sendo feito por profissionais contratados por uma organização não governamental (ONG) custaria ao consórcio a bagatela de R$ 100 mil. É sempre assim, nesses movimentos que dizem proteger indígenas quase sempre existe por trás uma forma de ganhar uma boa grana.

PRINCIPAL

Como líder do PRB na Câmara dos Deputados, o deputado federal roraimense Jonathan de Jesus tem sido o principal parlamentar a cobrar mudança de postura do governo de Jair Bolsonaro em sua relação com o Congresso Nacional. Ele sempre diz a que a forma com que o governo oscila a cada semana sua relação, impede a formação de uma base parlamentar capaz de aprovar as matérias de interesse do Palácio do Planalto.  

Parabólica
parabolica@folhabv.com.br
VAGN disse: Em 16/05/2019 às 09:32:29

"Quase todas as universidades federais brasileiras estão envolvidas em corrupção e desvio de verbas públicas, por isso a choradeira e a reação contra o contingenciamento, vai acabar com a boquinha dos contratos. São milhões de desvios, basta dar uma pesquisada no google e verão quantos reitores e gestores estão sendo investigados, todos ligados a essa esquerda Imunda que envergonha a nação brasileira. No fim, todos Universidades e Parlamentares querem é grana, não estão nada preocupados com educação e o bem estar da população, e sim meter a mão no dinheiro público. Há exceções é claro. "

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