Por Parabólica
Em 21/08/2019

Bom dia,

Que Brasil queremos construir? De que Brasil queremos falar? Afinal, qual nossa principal agenda para superar esta crise moral e econômica, que é a maior da nossa história? Como enfrentar essa falta de consenso em busca de caminhos que possam fazer o Brasil crescer para gerar os cerca de 30 milhões de postos de trabalho necessários para tirar do desemprego e do subemprego os brasileiros e as brasileiras que hoje vivem no desalento? Como criar uma pátria que retenha seus filhos no solo pátrio, e não os transforme em migrantes para países que ofereçam condições de uma vida mais digna? Como convencer esta pátria fracionada de que é possível encontrar soluções que tragam benefício para todos?

Estas indagações vêm a propósito da observação, e da síntese, de Roraima e do Brasil, de ontem, terça-feira (20.08). Aqui em Roraima a manchete principal da Folha de Boa Vista, tratou da notícia do assassinato de um adolescente – quase uma criança – de 13 anos. Ele teve o corpo dilacerado e órgãos internos arrancados do cadáver; e quem sabe quando ainda estava vivo. A decisão do cruel assassinato partiu de um tal “Tribunal do Crime”, criado por facções criminosas que dominam o crime organizado no estado. O pior, quem atraiu o adolescente para a cena do crime foi sua prima de 15 anos, já integrante de facções criminosas em ação no estado.

A divulgação da notícia, na edição impressa da Folha e na Folhaweb – nossa edição digital – quase que monopolizou a atenção dos leitores. A edição impressa esgotou rapidamente e os acessos à edição eletrônica bateram todos os recordes. No total, as visitas à Folhaweb bateram mais de 130 mil acessos durante o dia; e à notícia propriamente dita chegou a mais de 60.000. Foi um dia atípico uma vez que, em média mensal diária, esses acessos ficam em torno de 65.000. Em outras palavras, nossa população parece particularmente interessada nessa cobertura da violência que se abate sobre o Brasil.

No Brasil, não foi muito diferente. No começo do dia, todas as grandes redes de rádio e televisão do país pararam com outras pautas para tratar quase que exclusivamente de um sequestro de um ônibus especial que levava passageiros da Baixada Fluminense para a cidade do Rio de Janeiro. O veículo e os passageiros ficaram parados sobre a ponte Rio-Niterói durante mais de três horas; e o sequestro terminou com o sequestrador abatido a tiros por um atirador de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Foi o assunto do dia. Nas redes sociais e na imprensa tradicional quase não se falou de outra coisa.

E o que isso tem de ruim em ambos os cenários, o de Roraima e o do Brasil? Na verdade, é tudo uma questão de prioridade. Se os brasileiros e as brasileiras dedicassem a mesma atenção a problemas como a reforma da previdência; a reforma tributária; a guerra que os criminosos de colarinho branco estão travando contra a Lava Jato; as discussões sobre a política ambiental no país, especialmente em relação à Amazônia; a questão do pacto federativo – a distribuição dos recursos entre União, estados e municípios –; e sobre educação e saúde, por certo o Brasil seria um país melhor.

CPI 1

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jalser Renier (SD), surpreendeu o público presente, ontem, durante a sessão ordinária daquela Casa, e até mesmo alguns parlamentares, ao responder aos discursos inflamados dos deputados Betânia Almeida (PV) e Nilton Sindpol (PATRI), e anunciou que vai sim instalar a CPI da Saúde nos próximos dias.

CPI 2

Jalser Renier explicou que o pedido para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito, assinado por vários deputados, segue sua tramitação normal, passando pela Procuradoria Jurídica da Casa, mas que deve voltar para o plenário já com a indicação para sua composição, respeitando a proporcionalidade de blocos partidários, como reza a Constituição.

CPI 3

Não se sabe se foi reflexo do anúncio feito por Jalser Renier durante a transmissão ao vivo pela TV Assembleia e por redes sociais, mas logo ainda no começo da tarde de ontem, deputados da base aliada, que reclamavam estar sendo desprezados pelo Governo, passaram a ser assediados por emissários do Palácio Hélio Campos para tratar justamente da CPI da Saúde.

DE LADO

Um dos deputados que se queixou do tratamento dado pelo Governo do Estado aos membros da base aliada foi Jeferson Alves (PTB), que subiu à tribuna e disse que em momentos de crise e "para pegar vaias" já foi convidado ao Palácio, mas que em momentos de boas notícias, foi esquecido. Segundo ele, falta comunicação entre o governo Denarium e seus aliados, que só sabem do que acontece pelas redes sociais.

CONCURSOS

A boa nova a que Jeferson Alves se referiu na tribuna foi o anúncio feito pela Comunicação do Governo, nas redes sociais, de que Antonio Denarium assinou um decreto possibilitando a continuação da segunda etapa do concurso público da Polícia Militar. Jeferson aproveitou para lembrar que a medida só foi possível devido a emendas parlamentares autorizadas pelos próprios deputados e articulada pelo presidente Jalser Renier, a quem parabenizou.

EDUCAÇÃO 

Outro assunto que rendeu na sessão da Assembleia Legislativa, de ontem, foi uma manifestação realizada por moradores do bairro 13 de Setembro contra o fechamento de uma escola, e que teve a participação dos deputados Evangelista Siqueira (PT) e Nilton Sindpol (PATRI), no final de semana. O Governo do Estado publicou um print com a foto dos parlamentares e um carimbo de Fake News em suas redes sociais oficiais, e o fato foi repudiado pelos deputados.

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