Por Parabólica
Em 29/08/2019

Bom dia,

Ufa! Parece que o susto fez efeito. Pelo menos é o que se pode depreender dos discursos proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e pelos governadores de estados amazônicos durante a reunião realizada no Palácio do Planalto, na última segunda-feira (26.08), para tratar do mais recente surto de incêndios em florestas da Amazônia. O presidente deu o mote para a elaboração de um plano econômico e ambiental para a região ao dizer que qualquer política governamental para a Amazônia deve ter como objetivo a utilização de suas riquezas minerais e naturais para melhorar a vida de seus habitantes, dentro de uma visão de racionalidade na utilização desses recursos.

Desse mote dado por Bolsonaro, a primeira coisa a ser levada em conta é que mais de 80% da população amazônica vive em áreas urbanas, diferentemente do que pregam os defensores da intocabilidade da Amazônia, cujo discurso está exclusivamente voltado para as chamadas populações tradicionais, e até estas têm um elevado percentual morando nas pequenas cidades interioranas. Dessa realidade numérica, não resta dúvida de que os amazônidas têm expectativas e sonhos muito parecidos com os urbanos das demais regiões do país. Este é um aprendizado que o aparato ambientalista/indigenista faz questão de ignorar.

Por outro lado, quando mostra preocupação para a preservação do meio ambiente amazônico, o presidente da República chama a atenção para a questão sobre a forma de explorar os recursos naturais da região. E aí, sem dúvida, é necessário que se utilize a tecnologia já conhecida para que a exploração da Amazônia seja feita de forma sustentável. E isso é possível, basta o governo disponibilizar recursos para financiar tal tecnologia. Por certo, se a modernidade agrícola e de exploração florestal for utilizada na região, com certeza a utilização de fogo para plantar ou criar viraria coisa do passado. Nenhum hectare a mais precisa ser desflorestado para aumentar a produção agropastoril na região.

COTAÇÃO EM BAIXA

O jornalista político Bernardo Mello Franco, autor de "Mil Dias de Tormenta – A crise que derrubou Dilma e deixou Temer por um fio" publicou artigo falando sobre a reunião do presidente com os nove governadores da região. Nele, Mello Franco diz que sete governadores endossam o discurso antiambiental do presidente e citou especificamente o governador de Roraima, chamando Antonio Denarium de “dublê de político e porta-voz dos grileiros”. Denarium reclamou que o Instituto de Recursos Naturais e Meio Ambiente (Ibama) estaria multando todo mundo no estado; e que a Polícia Federal está apreendendo cargas de madeira.

GAROTO

Essa avaliação pouco lisonjeira sobre Antonio Denarium, feita por um jornalista carioca, foi revelada um dia após outro petardo depreciativo ter sido desferido contra ele. Na segunda-feira, em entrevista convocada para o Salão Nobre do Palácio Senador Hélio Campos, a sede do governo estadual, o vice de Denarium, o médico Frutuoso Lins, disse sem meias palavras que ele não passava de garoto propaganda do agronegócio. Mais duro impossível. E Frutuoso fez questão de dizer que não vai renunciar ao cargo de vice-governador, ou seja, vai continuar coabitando com Denarium no Palácio do governo. 

EFICIÊNCIA

Com índice de produtividade de 100% e taxa de congestionamento de processos de 47%, o Tribunal de Justiça de Roraima foi considerado no relatório Justiça em Números 2019, do CNJ, como o mais eficiente tribunal da região Norte pelo quarto ano seguido, mantendo-se entre os seis tribunais mais produtivos do Brasil. O resultado do relatório foi divulgado pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ, ministro Dias Toffoli. Já o corregedor-geral de Justiça, desembargador Almiro Padilha, que está à frente das ações para o aumento da produtividade e eficiência do Tribunal de Justiça de Roraima, fez questão de lembrar que esse resultado veio de uma soma de esforços.

SEM PAPEL

O deputado Nilton Sindpol (Patriotas) afirmou que a Polícia Civil de Roraima “pede socorro” na sessão plenária da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), afirmando que nas delegacias faltam itens básicos como papel e telefone e que os policiais precisam fazer cota para ter internet. Segundo o deputado, a empresa contratada para o serviço de impressão retirou as impressoras, impossibilitando, por exemplo, que sejam impressos até mesmo os boletins de ocorrência, o que faz com que as pessoas deixem de procurar a polícia para relatar os crimes.

PATRIMÔNIO

A comissão de servidores criada pelo governo de Roraima, em julho, começou a fazer um levantamento de todos os bens móveis que integram o patrimônio do Poder Executivo, com registro digital dos itens para catalogação. O levantamento físico deve chegar aos bens imóveis, mas ainda está sem prazo para conclusão. Especialista ouvido pela Parabólica não acredita que esse trabalho possa terminar antes do final do mandato do atual governador Antonio Denarium.

CRESCIMENTO

Os dados divulgados, ontem, quarta-feira (28.08), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), sobre a população brasileira para 2019, mostram que já somos 210 milhões; e que Roraima teve o maior crescimento anual (5%) de população dentre todos os estados brasileiros. Quem conhece melhor a realidade da migração com a presença de dezenas de milhares de venezuelanos e venezuelanas em todos os cantos de Roraima, diz que esses números do IBGE não retratam com fidelidade o tamanho da população que vive atualmente no estado. E você, que acha?

Informação que chegou de última hora dá conta de muitos focos de incêndio também nas florestas tropicais da África. Há focos especialmente no Congo, Burkina Faso e Angola. O leitor que nos enviou a informação termina com uma indagação: “Por que ninguém reclama desses incêndios como fizeram em relação à Amazônia?

Parabólica
parabolica@folhabv.com.br
Leitor assíduo disse: Em 29/08/2019 às 09:12:38

"Sobre os "números" apresentados pelo IBGE, no que se refere a população de Roraima, se grande parte da população roraimense que têm endereço fixo, residência, trabalha, têm cpf, etc, etc , não são visitados pelo Instituto, imagina os imigrantes que vivem nas ruas, não são considerados cidadãos brasileiros, mas "moram" no Estado. Com todo o respeito ao IBGE, estes números estão muito abaixo que se vê diariamente na realidade. Só a título de exemplo, nas grandes festas populares, como arraial e carnaval, a língua mais falada é o espanhol. "

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