Por Marcelo Tito
Em 07/08/2019

Quando a dor crônica se torna um pesadelo
Imaginem se de uma hora para outra, surgisse “do nada” em alguma parte do seu corpo uma dor terrível e incapacitante que chega sem avisar a qualquer hora do dia ou da noite, transformando sua vida em um martírio diário.

Somente isso já seria terrível, não é mesmo?

E quando você pensa que não pode ficar pior, após algum tempo, você realiza dezenas de exames e nada é encontrado de errado em seu organismo que justifique essas dores que, estão se tornando cada vez mais intensas e frequentes.

Parece filme de terror não é.

 Infelizmente é exatamente isso que ocorre com algumas pessoas.

De forma bem simplificada, a dor é fundamental para nossa sobrevivência, ela atua como um sinal de alarme muito sofisticado do organismo indicando que algo está errado. Contudo em alguns casos isso não ocorre como esperado.

Neste contexto, duas situações merecem destaque:

O caso do distúrbio de dor somatoforme, em que mesmo na ausência de causa orgânica, ocorre a exacerbação de queixas ou comportamentos de dor associado a patologia orgânica mais do que seria esperado. E em meio a tanto sofrimento a pessoa passa a manifestar grande preocupação com as sensações somáticas, chegando em alguns casos desenvolver crenças irracionais sobre a presença de doença, gerando uma procura constante de confirmação médica de que algo acredita estar errado em seu organismo.

O distúrbio de dor conversiva, que pode influenciar tanto na frequência dos episódios dolorosos como na sua intensidade e manutenção. Eles podem estar relacionados com questões psicológicas e emocionais. Nestes casos, a dor pode ocorrer em várias partes diferentes do corpo, trazendo, além do sofrimento causado pela dor, prejuízos nas esferas familiar, social e laboral. Uma vez que tal situação frequentemente gera graves conflitos em decorrência da desconfiança gerada quanto à existência ou não das dores. 

Apesar de saber que em alguns casos o estresse, a ansiedade e a depressão podem ter uma relação íntima com as dores crônicas,  a ocorrência da mesma é um sinal de alarme fundamental para indicar que algum problema pode estar ocorrendo, e é por esse motivo, que ao perceber o surgimento de dor em qualquer parte do corpo independente de sua intensidade ou frequência, o primeiro passo a ser tomado deve ser a consulta e tratamento com um Médico, pois ele é o profissional qualificado para avaliar e tratar possíveis problemas no seu organismo e realizar o encaminhamento adequado para outros profissionais (Psicólogos, fisioterapeutas, Acupunturistas, quiropratas, nutricionistas etc.) que irão auxiliar no tratamento de forma multidisciplinar

É por esse motivo que ao receber em meu consultório um paciente pela primeira vez independente da queixa trazida, as primeiras perguntas que faço são:

-  Já possui diagnóstico ?

- No momento está realizando tratamento ou sendo acompanhado por um médico?

Quando o assunto é dor, apesar do acompanhamento psicológico ser importante em alguns casos específicos o acompanhamento médico é fundamental.

Marcelo Tito
marcelotitopsi@gmail.com
Psicólogo, especialista em Dor CRP-20 / 9545
Marcela Fernandes disse: Em 12/08/2019 às 11:16:48

"Muito boa a coluna, o tema é muito importante, porem pouco falado, acredito que seja ate um tabu em nossa sociedade. Parabens! "