Por Fabiano de Cristo
Em 28/01/2019

Editorial

Finalizamos o mês de janeiro, com ultimo artigo sobre tendência de mercado, falando sobre a NRF, maior evento de varejo do mundo. Em sua 107ª edição, o evento reuniu mais de 36 mil pessoas entre 13 e 15 de janeiro, em Nova York (EUA). O público é formado por milhares de varejistas, marcas, executivos, empresas de tecnologia e mídia. Estima-se, em torno de 1.700 brasileiros estiveram presentes – a maior delegação internacional do evento.

No Big Show, como também é conhecida a NRF, todos buscam compreender as últimas tendências e aprender sobre tecnologia.
Entregar uma experiência de varejo (leia-se, compra) sem “ruídos”, emocional e que gere uma experiência agradável. É assim que você cria clientes para toda a vida. Mas, graças à tecnologia que permite o engajamento instantâneo e a mudança nos valores e no comportamento do consumidor, as empresas de varejo estão experimentando uma interrupção implacável.

Não existem certezas, mas há algumas indicações sobre o que vem por aí para varejistas do mundo todo. Isso inclui o mercado de móveis e interiores. Analisamos várias instituições que participaram do evento, entre empresas de consultoria e entidades de classe empresarial. Confira as oito tendências e temas que chamaram a atenção de nossa análise.

Fabiano de Cristo
Consultor Empresarial
atuallisconsultoriarr@gmail.com

NRF 2019: AS NOVAS TENDÊNCIAS DO VAREJO MUNDIAL

O evento abordou os mais diversos temas e inovações, mas, sem dúvida, um dos principais temas foi a importância das experiências. Acredito que essa seja a constatação mais importante de grande parte dos mais de 30 mil visitantes de todo o mundo, entre varejistas, vendedores e especialistas, que circulam pela NRF 2019, maior evento global de varejo, que acontece nesta semana em Nova York.  Apresentaremos aqui as principais tendências analisadas durante o evento.

Criar bons conteúdos é essencial - O crescente desafio de atrair clientes para as lojas tradicionais diante da competição com o comércio eletrônico foi o pano de fundo para muitos varejistas e fornecedores. Experiências imersivas são importantes, mas a principal questão levantada é: qual a relevância de oferecê-las? Qual a plataforma e ferramenta vai promover essa experiência? Ela agregará algo à jornada do consumidor, seja dentro da loja ou no e-commerce? A criação de conteúdo é o início da construção dessa experiência. Essa mensagem também deve ser repassada pelos colaboradores, deixando claro o envolvimento que cada time terá sobre aquele conteúdo. A partir daí, é necessário desenvolver um storytelling (história) potente e que envolva os clientes de forma completa.

A importante jornada do cliente – Será importante facilitar a jornada do cliente. Quando ele está no seu aplicativo, site ou em sua loja, isso tem que ser fácil para ele. É preciso engajamento e interação com o cliente. As lojas, independentemente se físicas ou digitais, têm que ser um local de entretenimento. Aliás, a multicanalidade e as pessoas no centro das relações foram um dos principais focos dos debates da NRF 2019. Complexo, esse cenário exige uma combinação entre inovação, velocidade e gente.

O ponto de venda se reinventa - Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza, destaca que o PDV (ponto de venda) evoluiu para o PDX (loja exponencial). Essa evolução, explica, traz o desafio de oferecer tudo junto e misturado para atrair, reter e ampliar a satisfação dos clientes. Em linhas gerais, a loja exponencial é o caminho pelo qual a antiga loja incorpora novas funções e atividades – muito além da venda de produtos. O PDX se transforma num ponto de experiências, educação, informação, relacionamento, alimentação, orientação, serviços, entretenimento, lazer e… até compras.

Experiência no centro das discussões da NRF 2019 - Sim, tecnologia é importante, todavia, como vimos acima, o fator “gente” e as experiências são determinantes. Por isso, outro ponto repetido à exaustão na NRF 2019 foi a importância da experiência do cliente na loja física. Lee Pedersen, vice-presidente executivo da consultoria WD Partners, apresentou exemplos de lojas nas quais os produtos estão literalmente em segundo plano. A Nike Innovation Lab, em Nova York (EUA), tem seis andares e incorpora a tecnologia digital. Com o celular na mão, os clientes podem escanear as peças num manequim e elas são enviadas diretamente para o provador.

Marcas no complexo cenário do varejo - Existe um movimento que passa a tratar as marcas como uma cultura. Isso vem se desenvolvendo de forma constante, à medida que os jovens consumidores compram com base em atitudes em relação à responsabilidade corporativa e à consciência social. Muitas empresas percebem agora a importância de se comprometer com um objetivo maior e envolver os funcionários para que vivam os valores da marca. Isso é importante para equiparar a cultura interna à identidade exterior. Já falamos de algumas tendências para as marcas ficarem de olho – clique AQUI.

Venda direta, sem lojas físicas - Uma nova categoria de varejo, que vende diretamente para as pessoas, também foi alvo de discussão na NRF 2019. O “fenômeno” não para de crescer nos Estados Unidos e na Europa, e é um dos segmentos acompanhados com atenção no setor. Em geral, essa ação está concentrada em pequenos artesões ou negócios que conseguiram criar uma relação de confiança com seus consumidores.

RFID – Identificação para aprimorar e agilizar processos - Muitos expositores levaram à NRF soluções com a tecnologia RFID. Ela permite que os processos de produção, embalagem, logística, estoque e varejo sejam captados e medidos a cada nova ação. E, já dentro da loja, é possível saber quando um produto é movimentado e se ele encerra ou não sua jornada no checkout.

NRF 2019 aposta na tecnologia invisível - Do lado da tecnologia de ponta, uma das inovações apresentadas na NRF 2019 estava relacionada ao “frictionless checkout”. Algo como pagamento sem atrito, cuja proposta é entrar e sair de uma loja sem ter que ficar na fila ou abrir uma carteira. A ideia, é claro, tenta replicar o modelo das lojas Amazon Go, nas quais o cliente escaneia um código QR na entrada da loja, pega os produtos que quiser e pode ir embora. As compras são debitadas automaticamente.

Se você acha isso muito distante, pense em todos os dados dos clientes que entram na loja ou compram online. Como seu estabelecimento usa esses dados para ajudar o cliente? Como eles te auxiliam a criar novas oportunidades de negócios? Mídia, parceria, relacionamento, vendas etc. Sabendo separar os dados, tudo isso representa uma vantagem competitiva importante. Pense nisso e até a próxima semana.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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