Por Fabiano de Cristo
Em 26/03/2018

Editorial

Muitos empreendimentos têm sido abertos em sociedade no mercado local. Essas sociedades têm acontecido de várias formas. Uns entram com o capital e o outro com o trabalho, em outras situações, uma das partes entra com o know-how, ou seja, com a experiência adquirida em uma determinada área como alimentação, fitness e confecção, por exemplo, e a outra parte entra com o financeiro. Tem até casos que os potenciais sócios se unem para em sociedade pegar um financiamento no banco para só então abrir o negócio.

Esse movimento de certa forma é bastante positivo, pois mostra que os empreendedores estão confiantes e acreditando em nosso mercado, ao procurar oferecer um serviço ou produto diferenciado para atender um público cada vez mais exigente. Acontece que, como consultor, tenho uma preocupação que vai muito mais além do que simplesmente auxiliar na abertura de um negócio, mas também e, sobretudo, na sobrevivência desse novo negócio, pois observo que pontos importantes em uma sociedade não são discutidos ou levados em consideração antes do negócio se concretizar.

Por isso, se você está pensando em investir em uma sociedade, é bom ficar atento a alguns fatores que devem ser bastante analisados. Não estou dizendo com isso que sou contra a sociedade, muito pelo contrário, temos exemplos, inclusive em nosso mercado, de sociedade extremante bem sucedida. Entretanto, se o processo for mal conduzindo você pode não só ter sérios problemas com a Justiça, como também acabar prejudicando uma relação com a pessoa que você escolheu como sócio.

Boa Leitura!

Fabiano de Cristo
Consultor Empresarial
atuallisconsultoriarr@gmail.com


AMIGOS, AMIGOS, NEGÓCIOS À PARTE

Constituir uma sociedade empresarial é reunir dois ou até mais empreendedores, para abrir um novo negócio. Para quem pretende abrir uma empresa em sociedade é preciso saber, antes de qualquer coisa, se a união será harmônica e analisar os prós e os contras do futuro negócio. Entrar em uma sociedade parece ser o caminho mais fácil quando você não dispõe de recursos financeiros ou know-how para começar um empreendimento. Aqui, vamos abordar algumas questões bastante relevantes do ponto de vista gerencial e comportamental, para que você possa refletir caso esteja pensando em entrar em uma sociedade.

Inicialmente comece descrevendo quais serão os deveres e as tarefas de cada sócio no dia-a-dia da empresa, verifique se os projetos e as expectativas com relação ao negócio que pretendem abrir são compatíveis e consensuais. Escolha uma pessoa, para ser sua sócia, que você tenha afinidades profissionais, e se tiver pessoais, melhor ainda, mas observe bem, porque não basta terem empatia uma pela outra. Essa questão, profissional e pessoal tem que ser analisada em conjunto, o sócio tem que complementar uma necessidade do negócio.

Não custa, também, investigar se o sócio já teve participação em outra sociedade empresarial e se teve, procure saber o porquê não foi pra frente. Outro fator importante é você conhecer o caráter e a conduta da pessoa que você procura como sócio.

Para a maioria das pessoas, é o igual que atrai e não o diferente. É provável que você se sinta mais confortável quando convive com pessoas parecidas com você. Aparentemente, pode causar menos atrito e ser mais fácil a convivência. Se você observar os seus amigos, funcionários, marido ou mulher irá se deparar com muitas similaridades entre você e eles. É, portanto, uma tendência do ser humano se aproximar dos seus iguais.

Na escolha do sócio, não é diferente. É bem possível, que você procure alguém parecido com você. Isso poderá ser positivo se você estiver procurando alguém que tenha características pessoais e motivação parecidas com as suas. Assim, favorecerá a comunicação e o bom relacionamento entre os sócios. Entretanto, se vocês tiverem motivos e metas muito contrastantes é certo que haverá conflitos entre vocês. Diante de oposição de interesses e motivações, é iminente um conflito e dificilmente ele poderá ser solucionado sem uma ruptura da sociedade.

Ter sócio num negócio é parte do jogo. Sabemos que não é simples, que quase sempre tem confusão entre eles, mas quando não se tem dinheiro para lançar a empreitada ou não dominamos integralmente know-how do negócio, precisamos de alguém que nos complemente. Por isso, gostaria que você respondesse os questionamentos abaixo e tirasse suas próprias conclusões. Até a próxima semana.

Algumas reflexões

1. Você ou seu futuro sócio levam jeito para empreender? Tem tolerância para incerteza e risco? Emprego é chato, mas o salário tende a pingar na conta-corrente todo mês, chova ou faça sol. Quando se empreende, a entrada de caixa é uma suposição, enquanto que as despesas a pagar são uma certeza.

2. Você convive bem com a divisão de poder? Por exemplo, em casa, com seus irmãos ou marido/esposa. Se você tem esta tendência de querer mandar em tudo ou gosta de ter o seu ponto de vista sempre vitorioso, é melhor não ter sócios! A mesma preocupação vale para a situação oposta: pessoas pacatas demais (ou omissas, que é pior) também não devem ter sócios, pois tendem a ser lesadas, uma vez que deixam tudo na mão do outro…

3. “Sócio-chefe”: é o caso típico de quando nos associamos a alguém que já toca um negócio há anos e, ainda por cima, quando entramos como minoritários, ou seja, o sócio-antigo tem mais ações do que o sócio-novato. No fim das contas, ele manda mais que você, o que gera a mais indigesta das situações: você não é empregado da empresa, mas tem um chefe. Tem que ter flexibilidade, jogo de cintura e estômago, para conviver com isso.

4. As personalidades – o jeito de ser, os valores pessoais – batem? Se você tem um de jeito e o sócio tem outro muito diferente, as chances de sucesso são mínimas, salvo se houver muita maturidade entre as partes, para entender que a complementaridade é boa para os negócios.

RESENHANDO

Segue algumas sugestões para ser analisadas na escolha de um sócio. Antes de fazer a escolha faça uma profunda autoavaliação. É impossível saber o que se busca num futuro sócio sem antes fazer um levantamento de suas capacidades, conhecimentos, e atributos pessoais. Isso poderá não ser tão simples, mas é só começar. Faça listas, cheque com alguém que o conhece, pergunta se elas lhe vêem daquele jeito, acrescente e tire coisas da sua lista. No final, você terá um bom mapa de quem é essa pessoa. Além disso, é necessário definir a autoridade que cada sócio terá, ou seja, quem manda em que, quem decide sobre o que. E quais atividades e decisões merecem uma decisão conjunta.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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