opinião - Folha de Boa Vista
Por Opinião
Em 21/05/2022

Automedicação é um erro sério que precisa ser corrigido

* Por Kalil Duailibi

 

Existe uma constante discussão e uma preocupação crescente da comunidade médica a respeito dos elevados índices de automedicação em todo o país. E não somente em determinado tipo de medicamento, pois a questão é, infelizmente, muito abrangente.  

 

Segundo dados de 2022 do Conselho Federal de Medicina, 77% da população faz uso de medicamentos sem indicação especializada. Além disso, números publicados pela Anvisa também assustam: 18% das mortes por envenenamento no Brasil podem ser atribuídas à automedicação e 23% dos casos de intoxicação de crianças estão ligados à ingestão acidental de medicamentos.  

 

Sabe aquela conversa de “ter uma farmácia em casa”? Isso é muito perigoso, porque a população comum não conhece os princípios ativos – e nem tem a obrigação de conhecer, é para isso que servem os médicos - nem os tipos e subtipos de medicamentos, incluindo aqueles que podem ser viciantes, que pode ter “na sua farmacinha”. Muitos até sabem, mas ignoram o quão nocivos muitos deles podem ser.  

 

Em 2019, uma pesquisa da Fiocruz mostrou que 4,4 milhões de brasileiros já fizeram uso ilegal (sem prescrição médica) de algum opiáceo, ou seja, 2,9% da nossa população. Número expressivo, se compararmos com dados sobre a experimentação de crack (0,9%) e cocaína (0,3%) no Brasil. Esse quadro revela um grande risco de vício em analgésicos - lembrando que opioides são aditivos mesmo com prescrição, daí o cuidado redobrado com o uso.  

 

Há necessidades, sim, as mais diferentes, mas elas devem ser continuamente monitoradas por um especialista responsável. Mesmo assim, também segundo a Anvisa, a venda de analgésicos opioides com prescrição médica cresceu 465% nos seis últimos anos. É uso legal, mas não deixa de ser alarmante.  

 

O nosso grande temor é que o Brasil venha a enfrentar uma "epidemia" de abuso de substâncias. E a pandemia, sabemos, não ajudou em nada neste sentido, pelo contrário. No final de 2021 a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) publicou uma nota destacando que vários países das Américas estavam notificando surtos de infecções resistentes a medicamentos, provavelmente devido ao uso indevido sem precedentes de medicamentos antimicrobianos no tratamento da Covid-19.   

 

Se somarmos tudo isso, temos um dilema que exige a mobilização de governo e sociedade: de um lado, temos pacientes que sentem dor ou passam por diversas outras situações de saúde que exigem tratamento medicamentoso, além de muitos com questões de desequilíbrio químico mental que precisam resolver com remédios. De outro, temos aqueles pacientes que se medicam sem orientação, têm acesso a medicamentos que, em teoria, deveriam ser restritos, aqueles viciados em remédios para dor e muitos outros que fazem uso de remédio sem conversar antes com um médico. Até descongestionante nasal, acreditem, pode viciar. A rinite medicamentosa é um dos possíveis efeitos da aplicação excessiva de descongestionantes nasais. Esta categoria de rinite é um efeito rebote do uso do medicamento, isto é, acaba potencializando a irritação no nariz.  

 

Não é brincadeira. Automedicação é um erro que pode causar impactos importantes na saúde global das pessoas e até levar a óbito. E embora haja grande diferença entre os impactos de diferentes fármacos, a minha orientação, enquanto médico e especialista em farmacologia é: não se automedique, não medique seus filhos e filhas sem orientação médica. Já basta o tamanho do impacto que a pandemia nos causou – e ainda causará por algum tempo –, não devemos nos autoinfligir mais nenhum.   

 

Vamos cuidar da nossa saúde porque a única certeza que temos é de que a vida é uma só.  

 

 

* Kalil Duailibi é psiquiatra, especialista em farmacologia e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro – Unisa. 

    

Realidade x Virtualidade

Debhora Gondim

Este texto foi construído baseado em leituras sobre o assunto e de conhecimentos já adquiridos, tendo a Bíblia e sua sabedoria como o link e base para os argumentos que trarei, segundo a cosmovisão cristã. Leiam e deixem o Espírito Santo guiá-los.

A construção do Metaverso ainda nem foi concluída e já tem gerado polemica na web em todo o mundo. Sua ideia foi apresentada em outubro de 2021 por seu idealizador e o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, como uma nova fase em sua companhia, tendo como foco neste momento a sua construção. A mudança foi tamanha que a empresa passou a se chamar Meta, que aparece ao abrir os aplicativos Whatsapp e Instagram. Pois são as redes sociais que compõem o grupo e que irão fazer parte deste mundo virtual. Mas afinal, o que é Metaverso?

A terminologia da palavra Metaverso vem do prefixo grego Meta, que significa além, e verso que vem da palavra Universo. Assim o seu significado é “Além do Universo”, ou seja, Mark pretende criar um mundo que transcenda o que conhecemos, do que é real. Por isso, o conceito de Metaverso é: Um universo virtual, onde as pessoas irão interagir entre si utilizando avatares, de forma imersiva e semelhante ao do mundo real. É espelhar o mundo real no ambiente virtual, partindo de uma realidade virtual e aumentada.

Mas para que, este mundo exista será preciso à criação de uma internet 3D, além de criptomoedas (Já tem uma empresa, a Hashdex, que no dia 09 de maio já abriu para quem tiver o interesse de investir no META11 presente no fundo negociado em bolsa – ETF e suas negociações serão abertas em Junho), entre outras tecnologias, tais como realidade aumentada e virtual. O que tem uma projeção de conclusão para a próxima década. Mas já tem empresas e pessoas comprando e investindo na ideia.

Analisando o projeto de construção deste The Sims mais complexo, o Metaverso, percebe que é ousado, que vem de um transhumanista, que como todos eles está brincando de ser um Deus deísta, assim como o Elon Musk com o seu projeto de Inteligência Artificial. Pois é assim que eles veem Deus, como um ser criador que deu a corda no universo, como em um relógio, e deixou a humanidade se virar e é egoísta por não querer compartilhar da sua deidade e plena sabedoria. Por isso, querem construir cada vez mais projetos que convençam a si e aos outros que a humanidade pode ter o controle e que pode ser deus. Os seus precursores surgiram na Torre de Babel, citada no capitulo 11: 1-9 de Gênesis, que diz:

“No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar. Saindo os homens do Oriente, encontraram uma planície em Sinear e ali se fixaram. Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa. Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra”. O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. E disse o Senhor: “Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. “Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”. Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade. Por isso foi chamada Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de todo o mundo. Dali o Senhor os espalhou por toda a terra”.

Ao me referir a esta passagem não vou me ater à tecnologia inovadora na engenharia da época, mas ao intuito por trás deste projeto, que encontramos no versículo 4 que diz: “Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra”, o que mostra que assim como o objetivo do Metaverso eles também queriam ir além da realidade criada, tendo intuito orgulhoso de tentar ter o controle e se rebelar contra Deus e contra o Seu mandato cultural de ser fértil e se espalhar por toda a terra.

Em uma realidade virtual construída por pixels nascerão avatares e não seres humanos férteis e que se multiplicarão, estarão espalhados em uma realidade limitada por pixels e rede de internet e não por todo o mundo. Quando um ser Humano que tem seu avatar neste mundo virtual morrer o que ficará será um boneco virtual ocupando espaço virtual, o que não faz diferença, pois nunca esteve vivo de fato e nem seu usuário saberá o que é viver, pois vida nada mais é do que a propriedade que caracteriza os organismos e não pixels, cuja existência evolui do nascimento até a morte. Vida está presente no real e não em sensações simuladas. 

As interações entre os avatares neste ambiente será uma extensão do que vemos crescer em nossa sociedade e que terá de sobra neste mundo virtual, a manipulação. Quando Mark apresenta que as sensações e a imersão serão semelhantes à realidade e que terão liberdade de fazer o que quiser, entende-se que todos os usuários estarão sendo usuários uns dos outros. O que se assemelha com a falta de profundidade em muitos relacionamentos de hoje. Eles ocorrem como em uma internet de alta velocidade. O “amor” se tornou um sentimento volúvel e centrado no hedonismo. Por isso, estão preferindo manter relações virtuais, como o caso do japonês Akihito Kondo, que se casou com uma anime virtual (estas pessoas estão sendo chamadas de ficciosexual). Tem olhos que não veem e ouvidos que não ouvem. Pois, seus sentidos estão sendo treinados para agir como robôs que atendem aos comandos da rede. O que foge disso faz entrar em pane de sistema.

Vejo assim, como já havia trazido no meu texto Existência ou Virtualidade, que homens e mulheres perderam a essência do masculino e do feminino, do que é ser humano, tem se apegado a tudo que os faça fugir da realidade, não sabem amar e conviver como deveria ser desde o princípio. Acredito que isso ocorre cada vez que se tenta acompanhar estas mudanças, pois vamos perdendo o que antes éramos a ponto de não sabermos mais quem somos e para onde seguir, deixamos a identidade de ser humano para assumir a de um avatar, neste caso. É neste momento que ideias como a do Metaverso são compradas até pela igreja, como foi no caso da Batista da Lagoinha. Pois por medo de ficar para trás neste mundo passageiro, acaba perdendo a visão do que é de fato eterno (2 Coríntios 4:18).

O fato é, que cientistas e filósofos transhumanistas tem educado há algum tempo gerações para buscar na tecnologia a sua redenção. Mas basta uma pane no sistema, uma invasão ou algo mais simples, como uma queda de energia que ela para. Não passa de mais um ídolo feito por mãos imperfeitas. Este é o retrato de uma sociedade virtual: ela não vive no concreto, no real, no racional. Só aparentam ser guiadas pela razão, mas quem manda é o coração como muitos coaching e escritores de autoajuda tem difundido. Toda tecnologia é passageira, acaba quando fica obsoleta ou sai de moda, pois foi criada por seres passageiros, que ainda não entenderam que não tem o controle de nada, nem do que eles acreditam ter, suas vidas. É mais uma tentativa do ser humano se rebelar contra Deus e contra o seu mandato cultural, como vem ocorrendo desde o episodio da Torre de Babel. E o intuito por trás do Metaverso não é diferente, na opinião desta simples escritora.

Por fim e diante de tudo o que apresentei ao longo do texto, temo que a igreja criada no Metaverso deixe de ser de fato um organismo vivo, que tem O Cristo do evangelho como cabeça e nós como seus membros (Efésios 4:15; João 15),  para brincar de ser igreja em um ambiente virtual, tendo como o criador e cabeça o Mark Zuckerberg e avatares como usuários. É de se considerar que poderá haver um cristianismo virtual, que só existirá ali. Uma igreja neste ambiente perderá o sentido do evangelho de Jesus, que é pessoal, de relacionamento profundo e transformador, só há como transmitir amor olho no olho, acalentar em volto a abraços calorosos e deixará de cumprir mais uma ordenança, a de congregarmos em corpo presente (Hebreus 10:25). Apresentei meu posicionamento, agora caro leitor faça a sua reflexão, mas a faça baseada em uma cosmovisão bíblica, tendo sabedoria, mas não a humana e sim, a que vem de Jesus.

Teólogo e Professora

O bom relacionamento

Afonso Rodrigues de Oliveira

“As relações humanas constituem a ciência de se proceder com as pessoas de tal maneira que nossa autoestima e a autoestima das pessoas permaneçam intactas”. (Les Giblin)

É sempre produtivo insistir na verdade sobre a importância das Relações Humanas. Porque elas beneficiam no bem-estar, tanto no trabalho quanto na família. São convivências que não devem existir separadas. Quando você não está bem na família, não há como se relacionar bem com os membros do trabalho. E por racionalidade, incluem-se aí membros fora, tanto do trabalho como da família. O que indica que não devemos menosprezar as relações humanas no dia a dia. Ou mais precisamente, na convivência social. E uma das maneiras mais eficientes para o bom relacionamento é o respeito. Porque sem ele não há como ser civilizado.

Se formos fazer uma comparação entre os seres humanos de milênios e milênios passados, com os de hoje, não vamos encontrar muita diferença. Sobretudo em certos comportamentos irracionais. O que nos leva a refletir sobre o que somos, em relação ao que já fomos. Observamos que está crescendo a maioria das pessoas que já acreditam piamente, no nosso ir e vir, em relação à nossa existência. Já pensou sobre isso, com mais atenção? Então pense. Porque sabemos que iremos, mas que voltaremos. E se voltamos temos que viver a época da volta.

Vamos parar de ficar reclamando dos maus acontecimentos. O que temos que fazer é fazer o melhor que pudermos fazer para construir o mundo do futuro. Então vamos iniciar a tarefa. E ela é simples pra dedéu. É só nos valorizarmos e parar de parar nas topadas. O que temos de campos minados pelo mundo a fora, não tá no gibi. E todos os dias estamos nos deparando com um campo minado. E o que devemos ter é cautela para saber onde pisar, para não explodir. E é só procurar cautelosamente, as pegadas dos que já atravessaram o campo. E o que temos de exemplos de grandes atravessadores nos faz sair do perigo, sem perigo.

Mire-se sempre nos bons exemplos. Siga sempre os exemplos dos que venceram, mas não os imite. Imitando-os você estará se desvalorizando. Não está respeitando sua capacidade para ser sempre o que deseja e quer ser. “O reino de Deus está dentro de nós”. Verdade que não há como contestar. E se está dentro de nós, por que sair por aí procurando o que está em você mesmo, ou mesma? Nunca baixe sua cabeça diante do problema. Já sabemos, de sobejo, que nunca iremos encontrar a solução enquanto ficarmos pensando no problema. Ponha seu problema numa sacola, busque a solução e quando a encontrar jogue o problema no lixo. Simples pra dedéu. Pense nisso.

afonso_rr@hotmail.com

99121-1460  

Opinião
fale@folhabv.com.br
Cadastrar-me Enviar Comentário
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Últimas de
Opiniao
+ Ler mais artigos de Opiniao