JESSÉ SOUZA

Do ‘cercadinho’ ao significado da entrevista para a imprensa tradicional

Profissionais de imprensa enfrentaram um duro período de ataques e perseguições (Foto: Divulgação)

Embora as repercussões tenham sido das mais variadas, a entrevista concedida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao jornalista Leo Dias, na terça-feira, 25, também precisa ser analisada por um viés específico: a vitória da imprensa sobre um período obscuro que jamais deve ser esquecido. O bolsonarismo tem aversão à imprensa, e o seu grande líder tentou de todas as formas boicotar os jornais e fortalecer as redes sociais, que é um território dominado pelas fake news.

Não se pode esquecer que o ex-presidente instituiu o “cercadinho” em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, para falar com apoiadores e ao mesmo tempo hostilizar os profissionais de imprensa. Os pronunciamentos oficiais passaram a ser feitos somente pelas redes sociais e, durante aquele governo, houve seguidas investidas para cortar a publicidade legal de empresas e do governo em jornais de grande circulação em todo o País.  

Então, a entrevista do ex-presidente Bolsonaro para um jornalista da mídia tradicional, popular por sua especialidade em fazer fofocas de artistas e autoridades, de certa maneira é a volta por cima da imprensa que viveu seus piores momentos em quatro anos em que a liberdade de imprensa ficou em xeque e, ao mesmo tempo, as redes sociais impuseram uma realidade baseada em mentiras, manipulações e em todos os tipos de abusos.  

Nesse período, os profissionais de imprensa ficaram cara a cara com o maior desafio de todos os tempos, que era manter a credibilidade e encontrar meios de combater a propagação cada vez mais veloz de mentiras pelas redes sociais. E ainda tinham que se defender dos ataques sórdidos daqueles que insuflavam o quanto podiam a opinião pública contra os profissionais da mídia.

Mas não há o mal que não traga bem. A partir daquele momento de bombardeio intenso, a imprensa foi obrigada a se olhar no espelho e começar a investir em sua credibilidade e no combate às fake news, tendo que se reinventar para não ser devorado por um movimento que não hesita em usar a truculência contra qualquer profissional de imprensa que ouse a desafiar suas crenças.

Logo, o grande símbolo da vitória dos profissionais da imprensa foi assistir ao maior inimigo da imprensa se valer da mídia tradicional para mandar suas mensagens de sobrevivência política – e não mais utilizando somente as lives nas redes sociais, como ocorria no início dos ataques à imprensa e da execração pública de seus profissionais.

Um dia para nunca mais ser esquecido!

*Colunista

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