Augusto cardoso – um mestre da pintura
(1957 – 2020).

O essencial é invisível aos olhos. É nesta assertiva que a maioria dos quadros pintados por Augusto Cardoso está além da nossa percepção. São obras de artes, verdadeiras obras-primas a nos encantar pela beleza e estética harmoniosas, traçada com seus mágicos pincéis. Um artista talentoso que é capaz de contar uma história, uma lenda e até um grito de contestação quando na defesa do meio-ambiente ou em uma justa causa política.
Augusto Cardoso produziu centenas de pinturas, aquarelas e reposição com avivamento de obras suas antigas, como é o caso do Quadro que adorna o Salão principal de eventos do Palácio Senador Hélio Campos (Palácio do Governo). Há de se mencionar também que ele realizou 64 exposições, tendo 1.600 obras comercializadas.
Os seus trabalhos artísticos estão expostos em museus e embaixadas no Brasil, Venezuela, Itália, Argentina, Holanda, Japão, França, Bélgica, Uruguai, Canadá, Áustria e Estados Unidos. E, uma de suas obras faz parte do acervo do Museu do Papa, no Vaticano, que é a tela de São Francisco, em uma paisagem regional. A maioria de suas obras retrata motivos e adereços da Amazônia e, em particular, da riqueza natural das belas paisagens de Roraima.
Entretanto, por vezes há um segmento artístico que o Cardoso tendia a fixar nas telas, as chamadas pinturas abstratas e desenhos em silhuetas – mas, em todas, há uma mensagem embutida nas pinturas. E, como disse o pintor italiano Leonardo Da Vinci: “A arte diz o indizível; exprime o inexprimível e traduz o intraduzível”.
Augusto Cardoso teve como mestre-inspirador o seu próprio pai, um também autodidata pintor. Até aos 11 anos de idade, o Cardoso observava os trabalhos, aprendia a copiar, reproduzir e ampliar desenhos. Os movimentos se tornaram automáticos, mas o pai como mestre rígido, sempre exigia mais. O filho devia atingir a perfeição. Aprendeu com o pai que, para pintar é preciso antes de tudo desenhar, que é à base da pintura.
Augusto Cardoso foi um artista nacional e internacionalmente reconhecido. Foi na expressão da palavra: um “Orgulho de Roraima”. Quem vê suas pinturas, não imagina o trabalho preparatório que havia para ele expor seus quadros. Antes de pintar buscava conhecer o tema. Fazia os primeiros rabiscos, equilibrava o desenho e só depois vinha a pintura. Em alguns dos seus quadros, nota-se uma tendência para a pintura de temas místicos, a exemplo do que produziu em 18 quadros, inspirando-se na Era de Aquário (signo que regeu o ano de 2016).
Em 1989, Cardoso foi nomeado Conselheiro Estadual de Cultura do Estado de Roraima. Entre 1995 e 1996 foi destaque na revista Amazônia Nossa. Ilustrou o Livro Fatos e Lendas dos Mistérios da Amazônia e foi destaque no Livro de Talentos da Listel, com a Obra Macunaíma. Recebeu o Diploma de Reconhecimento do Rotary Club Boa Vista-RR; Honra ao Mérito e Notoriedade Cultural do Estado de Roraima; e foi Destaque em 2002 pelo quadro “Triptico de São Francisco”, obra com 18 m² (metros quadrados).
Possuía obras em exposição permanente na “Di Cardoso Galeria de Arte”, em Boa Vista, e Galeria Palácio das Artes, em Manaus (AM). Destacam-se ainda a Via Sacra (15 peças) na Matriz de Nossa Senhora do Carmo e “São Francisco do Lavrado”, que compõem o Acervo do Museu do Vaticano.
Em Boa Vista, o destaque é a obra: “Macunaima criando Roraima”, pintada por Augusto Cardoso em 1995, atendendo uma encomenda da então primeira-dama do Estado de Roraima Suely Campos). Esta obra está exposta até hoje no Salão Nobre do Palácio do Governo do Estado de Roraima. E, em 2015, após vinte anos, a obra foi restaurada pelo próprio autor.
A tela “Macunaima criando Roraima”, foi confeccionada por um artesão chinês no Rio de Janeiro. A obra tem três metros de comprimento por dois de altura, e para pintá-la o Augusto Cardoso utilizou a técnica de óleo sobre tela. A moldura tem três metros de comprimento por dois de altura, e é feita em madeira de cedro amargo, pesa 25 quilos e foi talhada por um artista de Paritins (no Amazonas), a partir de esboços feitos por Cardoso, que usou a técnica de óleo sobre tela.
Ao apresentar o quadro, exposto à primeira vez, o Augusto disse ser a “apoteose de Macunaima no céu, dando ordens às ninfas para que elas utilizassem os elementos da Natureza (Terra, Água, Fogo e Ar) para criar Roraima”, ele acrescentou: “Na minha visão, Macunaima é um deus macuxi. E é um grande orgulho saber que essa obra contribuiu para desmitificar o mito negativo criado a partir da obra do escritor Mário de Andrade, retratando Macunaima como um herói sem caráter. Hoje podemos observar, nas salas de aula, o respeito com que o lendário Macunaima é reconhecido como um símbolo de Roraima”.
Sobre a carreira, o artista disse em entrevista ao Jornal Folha de Boa Vista, ter uma missão: “Eu estou na Terra com uma obrigação: eternizar paisagens, mitos e lendas do nosso estado. Acho que estou no caminho certo. Ter um estado desse que é bom de se viver, pesquisar e produzir obras como essa, é indescritível. A arte enobrece e nos faz chegar perto de Deus. Eu me sinto obrigado a fazer um inventário das belezas que Deus criou”.
Em setembro de 2017, o Augusto Cardoso expôs 45 de suas obras na Galeria de artes Luiz Canará, instalada no Anfiteatro do Parque Anauá. A exposição permaneceu durante dois meses e atraiu um grande público amante da arte do desenho e da pintura.
Augusto Cardoso nasceu em 1957 e faleceu no dia 22 de julho de 2020, aos 63 anos de idade, vítimas da Covid-19 em Boa Vista. Ele estava internado na UTI do Hospital Geral de Roraima (HGR). A família do artista chegou a realizar uma campanha de doação de sangue do tipo A+, mas Cardoso não resistiu às complicações da doença.
Com obras em diversos templos da Diocese de Roraima, Cardoso é descrito como possivelmente o maior artista sacro do estado, segundo disse à época o Padre Vantuir Neto, em entrevista no Jornal Folha de Boa Vista, edição do dia 22/07/2020.
“Nós como igreja, não só agradecemos o bem que ele fez através dessas artes, mas queremos ficar nesse dia perto de sua família e todos aqueles que o queriam bem e apreciavam sua arte, “O Cardoso marcou a Igreja de Roraima com a sua arte, que revela o desejo do artista de pintar o divino, o mistério, o belo. Para que ao olhar, a gente possa contemplar aquilo que Deus quer revelar através das mãos, dos dedos, do olhar do artista”, e acrescentou: “Uma de suas obras faz parte do acervo do Museu do Papa, no Vaticano, que é a tela de São Francisco da Amazônia, em uma paisagem regional”. Finalizou a entrevista o Padre Vantuir. Atualmente Vantuir Neto é Bispo na cidade de São Gabriel da Cachoeira, no interior do Estado do Amazonas.
A genialidade do artista Augusto Cardoso, se perpetua em cada obra, que pode ser conferida na Galeria Art Cardoso (Rua Rodrigo Pires de Figueiredo, nº 84, bairro Calungá), nos acervos pessoais e nas exposições públicas.