JESSÉ SOUZA

Roraima é 2º na lista do aumento de 68% do desmatamento na Amazônia

Estudo mostra que mais de 400 campos de futebol foram devastados por dia (Foto: Divulgação)

Números atuais confirmam o que foi exposto no artigo “Enquanto cresce exploração ilegal de madeira, surge alerta no Sul do Estado”, publicado no dia 28 de março passado. Conforme dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, o desmatamento na Amazônia cresceu 68% em janeiro de 2025, com Mato Grosso, Roraima e Pará liderando o ranking da destruição.

Esse aumento foi registrado em janeiro em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 133 km² de destruição florestal, sendo a sexta maior área desmatada da série histórica para o mês, representando mais de 400 campos de futebol devastados por dia. Mato Grosso liderou a devastação, concentrando 45% do total detectado, enquanto Roraima registrou 23% e Pará 20%, esses dois últimos somando 88% da redução de vegetação registrada na Amazônia.

Com relação aos  municípios, oito dos dez que mais desmataram estão no Mato Grosso, três em Roraima e um no Pará. Em Roraima, o Município do Amajari, Norte do Estado, encabeça a lista de desmatamento, com uma área de 12 km². Seguido de Caracaraí, em 6º lugar, com 6km² destruídos. E Mucajaí, em 8º, com 4km² devastados. Esses municípios abrigam a Terra Indígena Yanomami, severamente atingida pelo garimpo ilegal.

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O estudo identificou que sete das dez terras indígenas mais afetadas pelo desmatamento estão total ou parcialmente dentro de Roraima, o que evidencia a vulnerabilidade das terras indígenas no Estado. A pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, destacou que a destruição dessas áreas impacta diretamente os povos originários, que dependem da floresta para sua sobrevivência, além de comprometer a manutenção da biodiversidade de fauna e flora e a regulação climática.

A especialista afirmou que os dados mostram uma crescente pressão sobre a Amazônia e servem como um sinal de alerta para a necessidade de fortalecer as ações de monitoramento na região, a fim de intensificar a fiscalização, ampliando as ações de combate aos crimes ambientais e fortalecendo políticas de proteção e o uso sustentável da floresta, conforme observou a pesquisadora.

Para Larissa Amorim, é  necessária uma ação conjunta dos órgãos responsáveis  para atuar nesses locais apontados como mais críticos. No entanto, difícil crer que os políticos locais se alarmem com esses dados devido ao que ocorreu recentemente, em 2022, quando o delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, ex-superintendente da PF no Amazonas, em entrevista à maior emissora de TV do país, no dia 14 de junho daquele ano, fez uma grave denúncia, colocando políticos de Roraima como integrantes do que ele classificou como “Bancada do Crime na Amazônia”.

Entre os nomes citados estavam o de dois senadores de Roraima (um deles não foi reeleito e está preso), os quais o delegado já havia denunciado por terem ido ao então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pedir a liberação de uma carga de madeira ilegal apreendida durante operação da PF no Amazonas. Citando ainda nomes de deputados, senadores e governadores da Amazônia, afirmou que “a maior parte dos políticos do Norte trabalharia para o crime organizado”.

Enquanto isso, segue o desfile de caminhões madeireiros passando pela BR-210, no Sul do Estado, onde no Município de São João da Baliza o fato pode ser observado a qualquer hora do dia e da noite, conforme mostrou um vídeo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Sustentabilidade (INBS) em seu perfil na rede social Instagram. Sob a omissão de todos…

*Colunista

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