JESSÉ SOUZA

Sistema prisional sob controle é um alento no combate a atuação da rede de crimes

Operação Mute revistou minuciosamente todas as celas e 1.733 detentos do principal presídio de Roraima (Foto: Oséias Martins)

Uma notícia importante para a atual conjuntura da segurança em Roraima foi divulgada de forma tímida, na semana passada, no dia 19, quando a Secretaria Nacional de Políticas Penais, órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, deflagrou a Operação Mute na Penitenciária Agrícola Monte Cristo, o maior presídio roraimense.

Em sua 7ª edição, essa operação é realizada simultaneamente em todo o país com a atuação conjunta de policiais penais federais e estaduais visando combater ilícitos dentro do sistema prisional, principalmente aparelhos telefônicos. Foram revistados minuciosamente 1.733 detentos e suas celas, trabalho realizado por 120 profissionais sob a coordenação da Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejuc), mas nada de ilícito foi encontrado.

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Zero ilícito dentro do principal presídio do Estado tem um grande significado, pois a criminalidade só é freada quando as autoridades mantém o controle dentro do sistema prisional, onde o crime organizado costuma se articular. Embora haja uma forte movimentação que indicam forças nem tão ocultas assim para se instalar um narcoestado na fronteira Norte, ter um sistema prisional sob controle é imprescindível.

O Estado tem sido bombardeado por todos os lados, com leis locais para abrir caminho para o garimpo ilegal e venda ilegal de armas, bem como facilitação de grilagem de terras e tráfico de drogas, cooptando policiais, autoridades, políticos e personagens estratégicos para facilitar o avanço dos interesses do crime organizado.

O poderio dos criminosos ficou bem explícito em uma matéria publicada pelo site Metrópoles, no sábado, 22, em que expôs um esquema de tráfico de drogas para a Europa partindo de Roraima que era operado por meio de pagamento de suborno ao administrador do Aeroporto Internacional de Boa Vista e um agente da Receita Federal, no ano de 2020.

O esquema era comandado por uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC). Quantias milionárias foram movimentadas pela facção para transportar a droga, com pagamento de R$800 mil a cada piloto para levar 1 tonelada de cocaína para a Bélgica. O administrador do aeroporto recebia R$ 250 mil por viagem viabilizada, enquanto o agente da Receita recebia R$500 mil. Só aí tem-se uma ideia do poderio dos criminosos.

É dentro desse contexto que se reveste de importância um presídio sob controle, ao mesmo tempo com autoridades estaduais e federais empenhadas em combater o crime para que o Estado não seja controlado ou influenciado por organizações criminosas, por meio de investigações e operações policiais regulares.

Enquanto as forças policiais e de combate ao crime atuam, com a Justiça agindo, é necessário que a sociedade também faça sua parte, tendo discernimento e senso crítico não apenas para cobrar, mas também como cidadãos capazes de expurgar os políticos envolvidos com a rede de crimes que tenta se instalar nas entranhas do poder. As notícias estão aí para mostrar quem são essas forças.  

*Colunista

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