Cotidiano

Famer e empresário travam conflito fundiário por área de 329 hectares

Famer tem processo de regularização da área no Iteraima. Reportagem não conseguiu contato com empresário

Área em disputa tem 329 hectares (Foto: José Magno/FolhaBV)
Área em disputa tem 329 hectares (Foto: José Magno/FolhaBV)

Uma área de 329 hectares localizada na gleba Cauamé às margens da RR-205, está sendo o centro de uma disputa entre a Federação das Associações de Moradores de Roraima (Famer) e um empresário que se diz proprietário do local.

Segundo documentação apresentada pela Famer, a área foi comprada de Urval de Jesus Mendes de Castro, por R$500 mil em 2018. O projeto da Federação, composta por 4800 membros é montar um bairro, que segundo eles, após toda a regulamentação será dividido em lotes.

Nos últimos meses, um grupo de pessoas começou a cercar a área se apresentando como proprietários e tentando retirar os representantes da Famer do local. A reportagem da Folha esteve no local, onde de um lado estavam acampados membros da Famer e do outro, os representantes do suposto dono.

Procurado pela Folha, o Iteraima confirmou que existe um processo de regularização da área em nome da Famer:

O Instituto de Terras e Colonização de Roraima informa que, conforme consulta nos registros, foi identificado um processo em nome da Federação das Associações de Moradores de Roraima, aberto em 2017. Informa ainda que a existência do processo não garante a titularidade da área para o requerente do processo.

O Iteraima esclarece que a concessão do documento de regularização da área requerida depende do atendimento aos requisitos estabelecidos em lei, e da realização de criteriosa análise técnica e jurídica.

O instituto reafirma seu compromisso com a governança responsável da terra por meio da regularização fundiária, utilizando todos os meios para garantir segurança jurídica e transparência em seus atos.

O presidente da Famer, Hilton Lopes de Souza, já registrou vários boletins de ocorrência relatando que os membros da federação tem sofrido ameaças do grupo, que segundo ele conta com a segurança de policiais militares a paisana e guardas municipais.

“Estão tentando ocupar a área a todo custo. Temos toda documentação da área e eles estão se dizendo donos e contando com o apoio de pessoas poderosas”, disse.

A reportagem tentou contato com os supostos proprietários da área, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.

Emhur derruba barracão da Famer

Na última quarta-feira, 18, fiscais da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur) estiveram no local juntamente com guardas municipais para fazer a retirada de integrantes da Famer que ocupavam um barracão no local. Segundo a federação nenhum documento foi apresentado pelos fiscais.

Procurada pela FolhaBV, a Prefeitura de Boa Vista informou que a Emhur a ação foi motivada pela necessidade de coibir um parcelamento irregular de solo em desacordo com a legislação vigente. “E, por se tratar de um ato administrativo amparado pela lei, não há necessidade de ordem judicial para a sua execução. A Emhur reforça que o combate ao parcelamento irregular de solo é um dever legal do município. Mesmo em áreas particulares, cabe ao poder público municipal intervir para assegurar o cumprimento das normas e proteger o interesse público”, acrescentou.

Os membros da Famer reforçaram em entrevista à Folha que não estão fazendo parcelamento de solo, e que se encontravam no local apenas para proteger a área.

Nesta quinta-feira, 19, os fiscais da Emhur retornaram ao local e derrubaram o barracão da Famer, e permitindo apenas a permanência dos representantes do empresário que se diz dono da área.

A reportagem esteve no local novamente e confirmou que os funcionários do empresário ainda se encontram no local, e que um portão com cadeado foi instalado.

O caso foi denunciado à Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil. Segundo o advogado da Famer, Ronildo Bezerra, a ação da Emhur foi ilegal tendo em vista que não existe nenhuma decisão de reintegração de posse, ou mandado de despejo contra seus clientes.

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