O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) manteve por enquanto, a nota 8 obtida na última auditoria feita em Roraima, mantendo o estado como área de risco médio para febre aftosa. O último caso de febre aftosa notificado no Estado ocorreu no município de Caroebe, em 2001.
A nota revoltou os pecuaristas que, representados por associações, cooperativas e empresas locais, acreditam que a nota preliminar dada pelo Mapa prejudica o setor. Eles reuniram com o governo hoje para tentar reverter a situação e vão a Brasília na próxima semana, tentar uma audiência com a ministra Kátia Abreu.
A governadora Suely Campos explicou que a Aderr (Agência de Defesa Agropecuária de Roraima), fez a contestação e aguarda a manifestação do Mapa. Suely explicou que há um entendimento claro do Governo do Estado de que é necessário reavaliar a auditoria feita pelo Ministério em relação ao ano de 2015. “Quando se faz uma análise comparativa entre 2015 e 2014, percebemos algumas incoerências e inconsistências. A própria Aderr já se manifestou para que seja feita uma revisão da auditoria em relação a alguns critérios e algumas notas específicas que foram aplicadas preliminarmente”, disse.
O presidente da Coopercarne (Cooperativa Agropecuária de Roraima), Disney Mesquita,afirmou que os representados pela entidade não concordam com alguns itens julgados pelo Mapa no relatório preliminar em relação ao estado sanitário do Estado. Mesquita explicou que inclusive alguns itens foram analisados tecnicamente por assessores contratados pela entidade, o que permitiu fundamentar alguns questionamentos que serão feitos às figuras da ministra Kátia Abreu e o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Sebastião Costa Guedes, em Brasília.
“Observamos que mesmo com todo o investimento feito no setor e o atendimento total ou parcial de alguns itens, o Mapa manteve a mesma nota. São avaliações que a gente não consegue entender a metodologia que foi utilizada pelo Mapa. Nós produtores somos prova de que essa mudança aconteceu no setor do ano passado para cá”, declarou.
Os produtores notam que a avaliação de Roraima está sempre atrelada aos Estados do Amapá e do Amazonas, uma vez que o Ministério tem a motivação de tornar todo o Brasil livre da doença.
“O problema é que nesta última etapa de evolução para Livre com Vacinação, Roraima teve um trabalho diferenciado, com investimento maciço feito pelo Governo por meio da Aderr. Isso não foi visto no Amapá, Amazonas e parte do Pará. Nosso Estado está sendo penalizado e fez o trabalho de forma correta enquanto já poderia ter reconhecimento nacional de Livre com Vacinação”, disse.
Ele ressaltou ainda que os produtores locais entendem que Roraima precisa atender a todas as exigências feitas pelo Mapa, o órgão que avalia o status. “O Ministério precisa prestar contas a outros Países e órgãos internacionais. Nós temos ciência disso. Mas não podemos deixar de fazer alguns questionamentos com a instituição”, concluiu.
AVALIAÇÃO – A auditoria do Mapa avaliou pontos como vacinação, transporte, controle de propriedades, estrutura de trabalho, custeio, investimentos e sorologia. Dentre vários aspectos, a auditoria analisou os índices de cobertura vacinal nas últimas etapas de vacinações do rebanho bovino do Estado e confirmou a ausência de circulação viral, condição essencial para ascensão de status sanitário. O diretor-presidente interino da Aderr, Vicente Barreto reforçou que o relatório do Mapa ainda é preliminar, não definitivo.