
Cerca de 30 moradores do bairro Jardim Floresta se reuniram para denunciar supostas irregularidades no andamento de uma obra que está sendo realizada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, e executada pelo Governo do Estado. Em agosto deste ano, os denunciantes perceberam a derrubadas de árvores em uma área verde do bairro, que eram antigas na região, sem nenhuma placa de identificação.
Como primeira irregularidade, os moradores apontaram a falta de consulta pública à vizinhança para que seja entendido o impacto que um empreendimento de grande porte causará na região, já que, segundo eles, o espaço que será utilizado para a obra é uma das poucas áreas verdes do bairro e abrigava animais silvestres e há um número mínimo de árvores que as áreas residenciais devem preservar.
“Quando começou os primeiros corredores de desmatamento, procuramos ajuda em todos os órgãos e ninguém nos ouviu. Agora já está nessa situação e ninguém sabe se daqui um ou dois dias se vai ter alguma coisa em pé. São árvores centenárias, quem mora perto sabe que aqui residem tucanos, pica-paus, iguanas e entre outros animais, que não terão para onde ir”, reforça a biomédica e professora, Bruna Bassoli, que mora no bairro há sete anos.
Outra preocupação dos moradores é em relação à infraestrutura do bairro, que irá receber uma obra de condomínios mas que eles temem que a estrutura não suporte a adição de novos moradores, pois há problemas antigos que não são resolvidos como o esgoto estourando, falta d´água e um grande fluxo de trânsito na rua Yeye Coelho, que é uma das principais vias de acesso para outros bairros.
“Nós não estamos criticando a construção de moradias, as pessoas têm direito a isso. Mas eles precisam de uma infraestrutura e a gente não tem isso aqui no bairro. Falta água na nossa casa, quando chove o esgoto estoura. Deveria existir um estudo de viabilidade e de impacto de vizinhança”, reforça a servidora pública Pepita Fernandes, que mora no Jardim Floresta há quatro anos.
De acordo com Bruna Bassoli, os moradores souberam que serão construídos oito prédios com cerca de 250 unidades habitacionais que serão destinados a cerca de 1000 moradores.
Os moradores chegaram a apresentar um abaixo assinado questionando os órgão competentes sobre as supostas irregularidades e a derrubada das árvores no local. No documento, que recolheu 26 assinaturas da população do Jardim Floresta, eles ressaltam a falta de consulta pública, os impactos estruturais, ambientais e sanitários da obra no bairro.
A reportagem foi até o local e constatou que haviam placas do programa estadual de melhoria habitacional Morar Melhor, do Governo do Estado. Questionada, a gestão estadual, por meio da Companhia de Desenvolvimento de Roraima (Codesaima), confirmou a informação de que as obras são do programa Minha Casa Minha Vida e afirmou que a construção seguirá a legislação aplicável afim de evitar qualquer transtorno aos moradores da localidade. Confira a nota na íntegra.
A Companhia de Desenvolvimento de Roraima, entidade responsável pela promoção da política habitacional estadual, informa que a área citada com matrícula n.º 115.714 (antiga matrícula n.º 1.860), situada no bairro Jardim Floresta, já se encontra destinada ao Fundo Federal de Arrendamento Residencial, representado pela Caixa Econômica Federal, conforme Lei Estadual n.º 1.939/2024, para construção de empreendimento habitacional previamente aprovado pela Portaria do Ministério das Cidades n.º 1.387/2024.
O referido empreendimento habitacional será edificado no âmbito do programa federal Minha Casa, Minha Vida, para reduzir o déficit habitacional do Estado de Roraima e melhorar as condições de habitabilidade da população roraimense.
Por fim, é oportuno esclarecer que a execução do empreendimento habitacional, de responsabilidade da empresa construtora e da Caixa, seguirá fielmente a legislação aplicável, a fim de evitar qualquer transtorno aos moradores da localidade.