Cotidiano

Vendas de materiais de construção caem 35%

Com a crise nas lojas, a construção civil já registra diminuição de 853 postos de trabalhos

A crise econômica que atinge o País desde 2015 tem gerado perdas para diversos segmentos do comércio e da indústria em Roraima. No setor de construção civil, o grau de recessão reflete negativamente não apenas nos canteiros de obras. As lojas de materiais de construção registraram, em média, queda de 35% nas vendas no primeiro semestre de 2016, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Os altos índices de inflação e taxas de juros, desemprego e arrocho salarial são um dos motivos que agravam o desempenho da economia e consequentemente fazem com que muitas pessoas e empresas adiem o início de construções e reformas. Uma das estratégias adotadas pelos empresários do ramo para minimizar os efeitos negativos da crise é ofertar mais promoções em determinados produtos e oferecer preços mais competitivos.

O gerente de vendas de uma loja de materiais de construção, Weverson Moreira, disse que a situação econômica atual é perceptível no segmento. Para ele, a queda nas vendas é fruto de uma teia de acontecimentos negativos na economia do País, como a alta do dólar, o que gera perda do poder aquisitivo da população. “Hoje está havendo poucas obras e as pessoas estão mais receosas para iniciarem uma construção. Registramos queda de 30% nas vendas desde o início do ano se compararmos com os seis primeiros meses de 2015”, disse.

Outro motivo apontado pelo gerente para o decréscimo nas vendas é a desaceleração do cronograma de obras de programas federais para moradias populares, como o “Minha Casa, Minha Vida”. “Não está havendo continuidade nessas construções e as consequências para as negociações de materiais são imediatas. A construção civil é o alicerce da economia. É um dos primeiros setores a avançar quando os índices econômicos vão bem, gerando emprego e renda. Sem vendas, o comércio é obrigado a demitir mesmo sem querer”, disse.

Um dos eventos mais preocupantes de uma crise econômica é o desemprego. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou números que revelam uma diminuição de 853 postos de trabalhos na construção civil em decorrência do desaquecimento do setor em Roraima. O gerente de outra loja de material de construção, Jordânio Nogueira, disse que os efeitos da crise são notórios, porém, segundo ele, a loja inova com promoções semanais como forma de frear a redução nas vendas. “Uma das promoções é oferecer três produtos com preço de atacado. Além dos itens com desconto, os clientes acabam comprando outros materiais e assim as vendas são garantidas”, disse Nogueira.

Os reflexos da crise no País foram percebidos ainda em 2014, conforme disse o gerente de loja de construção Bernardo Ferreira Lima. No entanto, segundo ele, a redução nas vendas se agravou a partir do ano passado, e nestes primeiros meses de 2016 atingiu a marca de 40%. “Inflação e taxas de juros em alta são fatores que impactam negativamente a economia e inevitavelmente as vendas. Tudo aumentou, inclusive a cesta básica. As pessoas perdem o emprego e não vão deixar de comer para construir”, comentou o gerente.

Segundo ele, além das circunstâncias econômicas, o cenário do País se torna ainda mais incerto diante da crise política que o Brasil atravessa, com os constantes escândalos de corrupção. “Existe a crise financeira e depois as notícias conturbadas da política, o que gera ainda apreensão e incertezas na população. Fica difícil arriscar na construção sem saber o dia de amanhã”, frisou Lima ao dizer que as vendas para grandes construções ainda acontecem, no entanto, atualmente os clientes estão investindo mais em materiais para pequenas obras e reformas. Os gerentes das lojas de construção civil são unânimes em acreditar na superação da crise em curto prazo, fazendo com que o setor volte a crescer.(A.D)

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