CRISE NA EDUCAÇÃO

Vereador denuncia precariedade nas escolas e pede afastamento de secretária em Alto Alegre

Prefeitura de Alto Alegre diz que denúncia tem cunho meramente político

Vereador denuncia descaso na educação de Alto Alegre.
Escola Municipal Indígena Maria da Silva, na Comunidade da Mangueira. (Foto: Arquivo pessoal)

O vereador de Alto Alegre, Radamés Pereira de Melo, encaminhou uma representação ao Ministério Público solicitando o afastamento da secretária municipal de Educação. O parlamentar alega que a gestão tem negligenciado a execução de políticas educacionais, comprometendo o funcionamento das escolas e prejudicando alunos, especialmente em comunidades indígenas e na zona rural.

Falta de estrutura nas escolas

Entre os principais problemas apontados, o vereador destaca a situação da Escola Municipal Indígena Maria da Silva, na Comunidade da Mangueira. Segundo ele, a unidade está em estado de calamidade, sem banheiros, destelhada e com portas, mesas e cadeiras quebradas.

Falta de transporte escolar

Outro ponto levantado pelo Radamés é a suspensão do transporte escolar no período da tarde para alunos da Escola Tropical, na Vila do Recrear. “Quando implantaram os dois turnos, colocaram o transporte. Com a nova gestão, tiraram, e as crianças ficaram desamparadas. Muitas precisam caminhar longas distâncias, no meio do lavrado, debaixo de chuva, correndo riscos. Nem todo pai tem condições de buscar e levar o filho, porque precisa trabalhar”, afirmou o vereador.

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Repasse de verbas

Radamés também questiona a falta de repasses adequados para o funcionamento das escolas. Ele menciona que diretores estão recorrendo a campanhas para arrecadar materiais básicos. “A diretora da Escola Edneide Sales Campelo está pedindo doação de rodo, vassoura e material de limpeza para evitar que a situação vire um caos. Nos últimos oito meses, a Secretaria de Educação recebeu mais de R$ 9 milhões do Fundeb, e não há necessidade de pais terem que arcar com isso”, criticou o vereador.

Ausência de profissionais da educação

Além disso, a falta de contratação de profissionais essenciais também foi um dos pontos levantados pelo parlamentar. “Até semana passada, a comunidade do Raimundão estava sem funcionários na escola. Não havia professores, assistentes para alunos com deficiência, cuidadores e nem monitores no transporte. Os alunos brigam dentro do ônibus, e já houve caso de criança machucada. A mãe mandou uma foto, mas não quis expor o filho”, relatou Radamés.

Pedido de afastamento e investigação

Radamés afirmou que cobrou respostas da secretária sobre a suspensão do transporte escolar, mas não obteve retorno. “Mandei dois ofícios, e ela nunca me respondeu. Só publicou uma nota no grupo da vila informando que o serviço foi suspenso por tempo indeterminado, sem explicar o motivo. A situação está colapsada”, disse.

Na representação, o vereador pede que o Ministério Público investigue a gestão da educação municipal e adote medidas para regularizar a infraestrutura das escolas, garantir transporte adequado e assegurar o fornecimento de materiais básicos. Ele defende o afastamento da secretária durante a apuração das denúncias. “Já que não está dando conta do recado, é preciso substituir ou investigar para entender o que está acontecendo”, concluiu o vereador.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação de Alto Alegre que se manifestou por meio da seguinte nota:

A Prefeitura Municipal de Alto Alegre (RR), através da Secretaria Municipal de Educação, vem a público prestar esclarecimentos a respeito das notícias veiculadas na imprensa, referente a protocolo de representação junto ao Ministério Público Estadual pelo vereador Radamés Pereira de Melo, de suposta negligência nas políticas  educacionais destinadas às comunidades indígenas e rurais no Município:
Denúncia de cunho político:
A denúncia tem cunho meramente político, haja vista que o denunciante, senhor Radamés Pereira de Melo é vereador no município de Alto Alegre (RR) há mais de (08) anos, inclusive foi presidente do Poder Legislativo Municipal,  período em que permaneceu em absoluto silêncio quanto a falta de infraestrutura das escolas indígenas, problema que é de conhecimento público e recorrente há muitos anos;
A atual gestão ao assumir o Executivo Municipal em junho de 2024, encontrou a estrutura das escolas municipais indígenas em estado precário, algumas inclusive inexistentes, funcionando em locais inadequados e, na busca de solucionar o problema apresentou à bancada parlamentar federal Estadual,  projetos para alocação de recursos visando a construção de escolas indígenas e rural e aquisição de equipamentos e mobiliários para atender essas unidades educacionais;
A Escola Municipal Tropical, localizada na Vila Recrear, assim como as demais escolas da rede municipal de ensino, está contemplada com transporte escolar regular, de acordo com a Resolução nº 001/2013, que estabelece normas para a educação do campo do sistema municipal de ensino de Alto de Alegre (RR);
Quadro de Servidores de Apoio:
quadro de servidores de apoio das escolas da rede municipal de ensino  é constituído O por monitor, assistente de aluno, cuidadores e auxiliar de serviços gerais.
 
Material de higiene e limpeza:
As escolas municipais são periodicamente abastecidas com material de higiene e limpeza, sendo inverídica a denúncia de doação de materiais de limpeza por parte de gestores de escolas municipais.
Compromisso:
A Prefeitura Municipal de Alto Alegre reafirma seu compromisso em garantir o direito fundamental à educação, com a busca de recursos para a construção e melhoria das unidades escolares das aéreas indígenas e rurais, a fim de proporcionar um ambiente de aprendizado adequado e fortalecer a preservação da cultura e dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas.

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