PUBLICIDADE
EM RORAIMA
72% das famílias estão endividadas
Pesquisa de novembro revela que percentual de famílias que se consideram muito endividadas subiu 650% de um ano para o outro
Por Paola Carvalho
Em 08/12/2018 às 00:30
Para o vice-presidente do Corecon-RR, Fabio Martínez, solução é tentar diálogo com credores para flexibilização das dívidas e buscar redução de juros (Foto: Arquivo/Folha BV)

A crise financeira no Estado já vem refletindo no acúmulo de dívidas da população, segundo revela pesquisa do setor comerciário. A informação é que 72,2% das famílias roraimenses possuíam algum tipo de dívida e que o número de endividados no Estado aumentou pelo segundo mês consecutivo.

Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado foi divulgado nesta semana pela Fecomércio, em parceria com o Conselho Regional de Economia de Roraima (Corecon-RR).

A pesquisa foi apurada no início do mês de novembro deste ano. Foram entrevistados 500 consumidores em potencial, todos residentes no município de Boa Vista e com idade superior a 18 anos.

PUBLICIDADE

De acordo com a pesquisa, existem 65.710 famílias endividadas em Roraima, a maioria (85%) com dívidas no cartão de crédito; carnê de lojas (63%); financiamento de carro (11%); crédito pessoal (4%) e financiamento de casa (4%). “Em média, as contas destas famílias estão atrasadas há 52 dias, e a parcela da dívida mensal compromete 41% da renda familiar”, diz trecho do documento.

O perfil da família endividada é aquela formada por pessoas que ganham acima de dez salários mínimos, em torno de R$ 10 mil. “Justamente as pessoas que têm a renda mais elevada são aquelas que não estão conseguindo pagar suas contas, que estão aumentando o seu endividamento”, explicou o vice-presidente do Corecon-RR, Fábio Martinez.

Número de roraimenses muito endividados aumenta 650%

Outro ponto surpreendente da pesquisa é que houve um aumento de 650% das famílias que se consideram muito endividadas do ano passado para cá. Em 2017 eram 2,1% das famílias que se encontravam com muitas dívidas e este ano, o percentual subiu para 15,5%.

Em relação ao mesmo período do ano passado, no entanto, a média de famílias endividadas era mais alta. O percentual caiu, saindo de 83% em 2017 para 72,2% em 2018.

PAGAMENTO DOS DÉBITOS – Com relação às chances de pagamento, 2,9% do total de endividados disse que não teria condições de pagar nenhuma de suas dívidas. O percentual fica ainda maior para aqueles que possuem renda familiar acima de dez salários mínimos (R$ 9.540,00), onde 23,8% alegaram que não conseguirão pagar suas dívidas.

Atraso nos salários justifica aumento de endividamento

Conforme Martinez, embora a pesquisa não deixe explícito de que se trata de um trabalhador da iniciativa privada ou da pública, dá para entender que o aumento do endividamento acontece justamente pelo atraso dos salários dos servidores públicos.

“Fazendo uma análise do que está acontecendo em Roraima, a gente sabe que os servidores estaduais estão com os salários atrasados. A média do salário de um servidor público é acima da média de um trabalhador da rede privada”, apontou o economista.

Ainda considerando a situação atual, a previsão é que o percentual piore. Isso se dá por conta do período da pesquisa, captada no início de novembro. “Até aquele momento, alguns servidores ainda receberam, mas como esse quadro só vem se agravando a tendência é que para dezembro a gente feche o ano com um aumento ainda maior de endividamentos e de pessoas que não têm condição de pagar as suas dívidas”, completou.

DIÁLOGO – Para o economista, a situação ideal tendo em vista a falta do salário seria tentar fazer alguma negociação com os credores, explicar a situação que está ocorrendo e tentar parcelar a dívida ou até atrasar o pagamento em alguns meses. “Muitos daqueles que têm dívida hoje não é por ter culpa. Não é por conta de um descontrole financeiro e sim uma questão sistemática de atraso do pagamento do Governo. O melhor seria a renegociação com os credores”, apontou o vice-presidente do Corecon-RR. (P.C.)

***
Gostou?
1
0
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!