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ACOLHIDA
Ação visa combater surto de catapora em abrigos
Por Pedro Barbosa
Em 11/01/2019 às 00:30
Esta não é a primeira vez que um caso de possível surto da doença ocorre em um abrigo da Operação Acolhida (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

Nesta semana, cinco casos de catapora, termo popular para varicela, foram notificados em imigrantes que estão alojados em três abrigos de Boa Vista: Rondon III, Rondon I e Nova Canaã. Destes, somente dois foram confirmados na manhã de ontem, 10. Por causa disso, uma ação de cobertura vacinal para todos os imigrantes que estão alojados nos dois abrigos dos portadores confirmados, Rondon I e Nova Canaã, foi realizada ao longo de quinta e manhã de hoje, 11.

Esta não é a primeira vez que um caso de possível surto da doença ocorre em um abrigo da Operação Acolhida. Em setembro de 2017, o abrigo do Pintolândia, voltado para imigrantes indígenas de etnia Warao, também registrou confirmações da doença e passou pelo mesmo processo de cobertura vacinal.

De acordo com o chefe de comunicação da Operação Acolhida, major Eduardo Milanez, a suspeita dos casos começou ao se perceber a presença de pequenas feridas externas, somadas à febre, nos cinco refugiados que foram suspeitos de serem portadores da catapora.

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“Hoje, após diagnóstico, foi comprovado que na verdade elas tinham dermatose, que pode ter sido causada por picada de mosquito. Por isso, restam dois casos confirmados, um de uma mulher, que é mãe, inclusive, no Rondon I, e o caso de um bebê no abrigo na Nova Canaã. Também existe um adulto que está com a suspeita, mas ele saiu do abrigo há dois dias e ainda não retornou. Por isso, não temos como diagnosticá-lo apropriadamente”, afirmou.

O tenente-coronel da Força Aérea Brasileira e médico pediatra Eduardo Gomes foi quem diagnosticou as crianças no Rondon III e está fazendo o acompanhamento dos outros dois casos. Ele contou que um regime de quarentena não foi necessário para nenhum dos abrigos e que os portadores estão em áreas isoladas dos outros imigrantes.

“A doença é a própria cura. O que tratamos são os sintomas dela. O seu risco de infecção não é tão alto, pois o vírus é muito sensível a temperaturas quentes. Por isso, seria necessário que se ficasse em ambiente fechado com o portador de sarampo por uma hora para que se pegue a doença. Apesar disso, vacinamos todos aqueles que ainda não tinham terminado de tomar as duas doses da tríplice viral”, explicou.

Quanto à aplicação da vacina no posto de triagem da Operação Acolhida, ao lado da sede da Polícia Federal, Eduardo Gomes explicou que ela ocorre de forma obrigatória tanto para quem já está em abrigo quanto para aqueles que buscam entrar. “A vacina de tríplice viral, que abrange a catapora, deve ser dada em primeira dose para crianças de um ano e a segunda sessenta dias depois. No resto do Brasil, não é obrigatório tomar essas doses, mas aqui em Roraima está sendo, devido aos riscos de surtos”, complementou.

Por último, Gomes destacou que o tipo de tratamento dado aos imigrantes está de acordo com o que determina o Ministério da Saúde. “Eles são tratados de acordo com o SUS [Sistema Único de Saúde], como qualquer outro cidadão brasileiro ou estrangeiro em território nacional. Cumprimos toda a carteira de vacinação à medida que podemos. Como o trânsito de imigrantes dentro e fora dos abrigos é livre, não temos total controle de possíveis doenças a que eles podem ser expostos”, frisou. (P.B)

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