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INTERIOR E ÁREAS INDÍGENAS
Alunos voltariam às aulas mesmo sem transporte escolar
Estado ainda não esclareceu como ficará a situação das crianças que dependem do transporte escolar
Por Folha Web
Em 02/02/2019 às 00:20
Ano passado, Praça do Centro Cívico teve cerca de cem veículos estacionados durante dois meses como protesto contra falta de pagamentos (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

FABRÍCIO ARAÚJO

Colaborador da Folha

O ano letivo da rede estadual começaria nesta segunda-feira, 4, mesmo com o transporte escolar não estando disponível para os estudantes do interior de Roraima e das comunidades indígenas. A Folha conversou com dois motoristas. Ambos optaram por não ser identificados por medo de represálias.

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Um deles cogitou, mesmo antes de a Secretaria de Educação informar na noite de sexta-feira, 1º, o adiamento do início das aulas para 7 de março, a possiblidade de isso ocorrer em alguns municípios e nas áreas indígenas. Também fomos informados que 80% das empresas ainda não receberam os pagamentos do governo, mas, por enquanto, os trabalhadores ainda não pensam em acionar o Estado judicialmente.

“A situação continua do mesmo jeito que estava no governo passado. Não mudou nada. Mas sobre esta questão dos pagamentos, o atual governo não tem culpa não porque foi feita uma auditoria durante a intervenção federal e estão tentando colocar os transportes para rodar”, declarou o motorista.

Questionamos o governo sobre o que falta para que os alunos do interior tenham acesso ao transporte escolar, como o problema pode ser resolvido e se os estudantes poderiam ser prejudicados com esta situação, mas esses questionamentos não foram respondidos.

MEDIDAS – A Secretaria de Educação e Desportos (Seed) informou que será realizada uma nova licitação para contratação do serviço de transporte escolar e destacou que tem realizado a verificação das rotas, tendo em vista que o processo anterior encontra-se sob investigação da Polícia Federal e requer uma nova conferência. A nota ressaltou ainda que todas as medidas estão sendo adotadas para a garantia do início do ano letivo.

O presidente da Cooperativa do Transporte Escolar do Estado de Roraima, Márcio André, não atendeu às ligações da Folha nem respondeu as mensagens enviadas. Portanto, não há um posicionamento oficial da cooperativa sobre a situação.

Em 2018, a Praça do Centro Cívico teve cerca de cem veículos de transporte escolar estacionados durante dois meses como forma de protestos contra a falta de pagamentos do governo. Com a situação, diversos estudantes tiveram dificuldades para se locomover até as escolas e a Seed recomendou que as unidades de ensino contornassem a situação fazendo acordos com os pais sobre a presença dos alunos.

Mulher se muda de Caracaraí para garantir estudo da filha em Boa Vista

Francisca Conceição morava em Caracaraí, em uma fazenda, mas para garantir a educação da filha de 15 anos precisou se mudar para Boa Vista porque a falta de transporte estava atrapalhando o desenvolvimento da jovem na escola.

 “Quando os pais não matriculam os filhos, eles prometem até cadeia para nós porque tem o Estatuto da Criança e o Conselho Tutelar para proteger, mas quando ocorre de ficar sem transporte para estudar, ficamos de escanteio”.

Francisca contou que o marido chegou a se esforçar para tentar manter a filha na escola no interior. A garota era levada em uma moto para escola, mas durante o período chuvoso era impossível porque a adolescente sofre com problemas respiratórios. Atualmente, a família está dividida porque o marido e as filhas pequenas continuam em Caracaraí.

“É uma falta de vergonha dos governantes, é uma falta de respeito porque todos nós somos eleitores e trabalhadores no interior. Então, por que eles não acolhem a gente? Por que não têm respeito com a gente?”, questionou. (F.A)

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