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VIOLÊNCIA
Audiência pública debate segurança nas escolas estaduais
Objetivo era discutir formas de aumentar a segurança nas unidades de ensino públicas e privadas
Por Paola Carvalho
Em 13/04/2019 às 00:51
Audiência teve participação de parlamentares, representantes de órgãos de segurança do governo do Estado, psicólogos, professores e alunos da escola estadual Lobo D’Almada (Foto: Priscilla Torres/FolhaBV)


Uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Roraima ocorrida sexta-feira, 12, debateu a violência e a necessidade viabilizar novas formas de segurança nas escolas estaduais. O encontro teve a participação de parlamentares, representantes de órgãos de segurança do governo do Estado, psicólogos, professores e alunos da Lobo D’Almada. A convocação ocorreu devido ao anúncio de um suposto atentado na unidade de ensino no fim de março e que ganhou repercussão, causando medo em pais e nos estudantes.
A iniciativa da audiência pública é uma proposta do deputado estadual Evangelista Siqueira (PT), presidente da Comissão de Educação da ALE-RR e que buscava discutir com os principais representantes da comunidade escolar as necessidades e demandas para viabilizar a segurança nas unidades de ensino. A sessão também faz parte do Projeto de Lei nº 018/19, de autoria do parlamentar, que visa implantar um protocolo de segurança nas escolas públicas e privadas do Estado. 
Evangelista afirma que, com a realização da audiência, o próximo passo é confrontar as informações que foram geradas com as determinações do projeto de lei.
“Queremos verificar se há a necessidade de inserir novas emendas na proposta e ver como o projeto pode se tornar melhor e exequível no Estado”, informou.
NECESSIDADES – Os alunos da escola estadual Lobo D’Almada também foram ouvidos pelos demais participantes e explicaram suas necessidades. O estudante Manoel Guilherme, de 17 anos, é um dos coordenadores de um projeto de acolhimento entre alunos para facilitar a identificação daqueles que estão passando por problemas, como bullying, depressão e preconceito.
“É mais fácil o aluno chegar para falar com outro aluno. Com o professor ele não tem intimidade e tem medo de ser reprimido. Por isso, formamos um grupo de acolhimento fazendo uma palestra de sala em sala falando de bullying, preconceito e depressão. Pensamos em ampliar esse projeto para outras escolas e fazer o que puder para ajudar o próximo”, ressaltou.
A aluna Gabrielly Salvador, de 16 anos, explicou que os estudantes precisam se sentir seguros na sala de aula. 
“Nós precisamos ter a certeza de que estamos em boas mãos e de que não irá acontecer o que ocorreu em outros Estados. É muito importante observar o que foi debatido e como ficará a nossa situação”, afirmou.
A estudante é favorável à implantação de uma figura que fique responsável pela fiscalização na entrada das escolas estaduais e dê um apoio psicológico para os estudantes. 
“É importante que tenha uma pessoa fazendo a revista, para observar a entrada e saída dos alunos. Acho que seria o básico e o melhor para todos nós”, afirmou. “Palestras ou um responsável para conversar com os alunos, um ponto de auxílio para quem estiver se sentindo mal. Acho que isso ajudaria a gente a se tornar uma sociedade melhor”, completou.
Sobre o anúncio do suposto atentado, a estudante afirma que muitos dos alunos ainda não se recuperaram do susto e que alguns pais até tomaram medidas mais drásticas, como retirar o filho da escola.
 “Tem muitos jovens de mente fraca e que precisam de ajuda, com facilidade de conseguir objetos que machucam e que fazem um estrago em massa. Com certeza, dá muito medo, mas a gente tem que vir para a escola. É o nosso futuro. Não podemos parar por qualquer tipo de ameaça”, concluiu. 
SEGURANÇA NAS ESCOLAS – Sobre a implantação de uma figura fiscalizadora em todas as escolas públicas e privadas, o secretário de Justiça e Cidadania (Sejuc), André Fernandes, ressaltou que qualquer mudança enfrenta resistência e que para adotar revista na entrada é preciso a aceitação de pais, alunos e professores.
“É necessário que todos participem desse processo, todos, sem exceção. A aceitação de novos procedimentos é sempre difícil, mas traz para nós uma sensação de segurança. É difícil no início, mas depois a gente se acostuma e percebe a melhoria”. 

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