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AGRONEGÓCIO E EMPRESARIAL
Bancos afirmam que questões energéticas são entreva para RR
Bancos avaliam o ano de 2018 como positivo nos números de investimentos mesmo com cenário financeiro e questões básicas como entraves; este ano, expectativa é dobrar valores
Por Ana Paula Lima
Em 12/01/2019 às 08:00
Somente em 2018, o Banco da Amazônia investiu mais de R$ 54,6 milhões no Estado. Desse valor, R$ 48,7 milhões foram destinados para Boa Vista e R$ 5,8 milhões para Caracaraí (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

O aumento no número de investimentos em Roraima demonstra a confiança no crescimento socioeconômico do Estado. Nos setores de agricultura familiar, agronegócio e empresarial, tanto em médias quanto em microempresas, os valores aplicados por instituições bancárias ultrapassaram as expectativas e tendem a continuar em crescimento.

Somente em 2018, o Banco da Amazônia investiu mais de R$ 54,6 milhões no Estado. Desse valor, R$ 48,7 milhões foram destinados para Boa Vista e R$ 5,8 milhões para Caracaraí. Em comparação com o ano anterior, os investimentos da instituição ficaram em uma média de R$ 30 milhões.

Para o gerente geral interino do banco, João Ximenes, o agronegócio tem mostrado grande relevância nos investimentos roraimenses, porém ainda ficou atrás dos empréstimos feitos para empresas privadas. Para a agricultura, o cálculo feito apontou que foram, em média, R$ 21 milhões investidos e, para o setor empresarial, o volume chegou a R$ 26 milhões.

“Quando falamos em empresas, geralmente são as de pequeno porte. Temos poucas de grande porte em Roraima. Conseguimos ainda empregar R$ 225 mil somente para MEI [microempreendedor] e emprestar para a agricultura familiar R$ 6,2 milhões”, relatou. Todos os empréstimos são feitos pelo banco foram através do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), recursos subsidiados pelo governo federal que têm a taxa de juros abaixo do mercado e têm como objetivo contribuir para o desenvolvimento econômico da Região Norte.

Ximenes pontuou que a taxa de juros nos empréstimos, com a abertura de conta para pessoa jurídica, é de 2,35%. Já no FNO, para capital de giro, o valor cobrado é de apenas 0,60% ao mês. Ao realizar a abertura de conta e solicitar o empréstimo, é preciso apresentar um projeto para avaliação do banco e estar devidamente documentado nos demais órgãos fiscalizadores.

Ximenes afirma que o cenário econômico encontrado no Estado atualmente gera algumas instabilidades, mas entende que é uma situação atípica e pode melhorar no futuro (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

INADIMPLÊNCIA – No Banco da Amazônia, o gerente revelou que a inadimplência está em torno de 5% a 7% em Roraima, porém, garantiu que o número vem reduzindo nos últimos tempos.

A crise financeira estadual também foi um dos motivos para que a inadimplência continuasse. “Tudo é de acordo com o mercado. O não pagamento acaba afetando tanto as empresas quanto as pessoas físicas porque não vão conseguir honrar os pagamentos”, completou.

Ximenes afirma que o cenário econômico encontrado no Estado atualmente gera algumas instabilidades, mas entende que é uma situação atípica e pode melhorar no futuro, conforme as opções de negociação junto ao banco. Segundo ele, de empréstimo em todo o ano passado, o resultado foi de R$ 5,1 bilhões e, para este ano, a expectativa é bater R$ 9,3 bilhões.

“No Estado, contratamos R$ 54 milhões. A média, nos últimos três anos, era de R$ 25 milhões a R$ 27 milhões e temos conseguido avançar mais. Está tendo esse crescimento, ainda mais com a colheita da soja, que traz muitos investimentos de fora para Roraima. No FNO, para 2019, a expectativa é de investir R$ 90 milhões”, encerrou.

Banco do Brasil aponta questões energéticas como entraves

Principais setores que receberam investimentos foram o de grãos, mais precisamente a soja (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

Já o Banco do Brasil atua com linhas de Comercialização, Investimento e Custeio para a Agricultura Familiar e Agricultura Empresarial, contemplando pequenos, médios e grandes produtores. A nota enviada à reportagem não informou quanto de investimento foi feito durante 2018, mesmo com o banco sendo questionado.

Entretanto, a instituição afirmou que as fontes de recursos disponíveis variam conforme disponibilidade orçamentária, podendo contemplar recursos próprios com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS) através do financiamento Finame. “Comparando com os desembolsos do mesmo período da última safra, observamos crescimento do agronegócio BB no Estado de Roraima”, apontou a nota.

Os principais setores que receberam investimentos foram o de grãos, mais precisamente a soja, e a bovinocultura. Porém, as dificuldades com questões de energia, titulação de terras e zoneamento ecológico econômico ainda são entraves para maiores investimentos na região. De acordo com o banco, a inadimplência tem se mantido estável e o ano de 2018 foi considerado positivo, tendo uma média de crescimento.

“Estamos otimistas quanto a 2019 com a possibilidade de regularização fundiária, que se ocorrer poderá incrementar positivamente os investimentos do setor no Estado”, encerrou a nota. (A.P.L)

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GABIGOL disse: Em 12/01/2019 às 12:22:58

"Coisa que todo mundo sabe faz séculos , mas as ONGs e os indios não deixam o Estado se desenvolver"