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PERÍODO INVERNAL 
Acidentes com animais peçonhentos crescem em Roraima
Esse ano foram registrados 263 casos de acidentes. 109 são de picada de escorpião
Por Polyana Girardi
Em 23/05/2019 às 00:30
De acordo com veterinário, animais como escorpião entram nas casas fugindo da umidade de alguns ambientes (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

O final do verão e o começo do inverno requerem mais cuidados da população Roraimense em relação à incidência de picada de animais peçonhentos como cobras, aranhas e escorpiões. Isso porque a troca de estação favorece a ocorrência de acidentes envolvendo esses animais. No ano de 2018, foram registrados 890 casos por picada desses animais no estado. 613 foi por serpentes, 217 por escorpião e 60 por aranha. Esse ano nos últimos 4 meses, já ocorreram 263 casos. 134 são de serpentes, 109 escorpiões e apenas 20 envolveram picada de aranha. Os dados são do Núcleo Estadual de Controle de Zoonoses.

Viviane Grizotti, moradora do bairro Aparecida, nos contou que o filho de 15 anos foi picado na terça-feira, 21, por um escorpião, enquanto se arrumava para ir à escola. De acordo com a mãe, o animal estava escondido dentro da calça do adolescente. “Assim que ele foi picado, levei para um posto de saúde militar e de lá fui encaminhada ao Hospital Geral de Roraima (HGR), porque caso precisasse de soro contra o veneno só encontraríamos lá. Ele foi medicado e está bem” explicou.

Deboryn Sarmento também foi picada por um escorpião na chácara em que vivia durante o começo do inverno. “Deixei a toalha pendurada na porta e acredito que ele subiu. Após o banho fui me enrolar e então senti a picada. Não fui ao hospital, mas o local da picada apresentou muita vermelhidão” contou.

Michel Feitoza calçou o tênis e foi para a escola e quando percebeu o escorpião estava subindo em sua perna. “Não fui picado e consegui matar o animal a tempo, mas esta é a segunda vez que encontro escorpião em casa”, disse.

Marcos Borges, médico veterinário e técnico da zoonose no Núcleo Estadual de Controle de Zoonoses, confirma que os acidentes ocorrem com mais frequência durante o começo do inverno já que a cobra, aranha e escorpião são animais que normalmente habitam entre telhas, frestas, acúmulo de lixo, quintais sujos e áreas com presença de matagal.

 “Esses animais gostam de lugares que apresentam umidade controlada. Com a chuva, esses lugares alagam e eles vão em busca de outros locais para sobreviver e acabam entrando em nossas casas. Por isso que orientamos para que as pessoas não acumulem lixo nem resto de construções próximo as residências porque eles irão aparecer sim no inverno, principalmente o escorpião,” 

Borges explicou que os escorpiões encontrados na região urbana de Roraima são pertencentes a uma espécie com pouca peçonha, por isso boa parte dos casos não apresentam necessidade de tratamento com soro. “Temos mais de 50 espécies no mundo e a reação à picada varia de pessoa para pessoa. Por isso se houver picada é importante procurar imediatamente uma unidade de atendimento, já que não podemos afirmar se a pessoa é ou não alérgica à picada.”

Marcos Borges também esclareceu que a atitude de colocar veneno inadequado pela casa só fará com que alguns animais fiquem desalojados, mas não morram.

“O escorpião, por exemplo, apresenta resistência devido a carapaça dura que envolve o seu corpo. Quando aplicamos o veneno ele apenas mudará de local. Boa parte desses bichos são encontrados nas casas porque são atraídos pelas baratas, animais comuns em toda residência, mas também se alimentam de qualquer outro inseto” disse o veterinário.

Médica orienta população em acidentes com picada de escorpião 

A Médica Magda Noleto orienta a população a tomar medidas simples para evitar riscos de acidentes envolvendo os animais peçonhentos.

“É importante manter a casa limpa e retirar o acúmulo de entulhos e lixos nos quintais, assim como evitar sujeiras em móveis, cortinas e tapetes. Evitem andar descalços ou colocar a mão em buracos ou frestas e sempre inspecionem roupas e calçados” disse. 

Caso ocorra acidentes a médica ressaltou a importância de procurar imediatamente ajuda hospitalar e se possível levar o animal para que seja feita a identificação da espécie, permitindo assim avaliação mais eficaz sobre a gravidade da situação.

“Limpar o local da picada com água e sabão pode ser uma medida auxiliar, desde que não atrase a ida ao serviço de saúde. Jamais utilize gelo, pois isso piora a dor. Crianças abaixo de sete anos exigem mais atenção devido o risco de alterações sistêmicas que podem ser graves. O soro antiescorpiônico é disponibilizado apenas em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), por isso se possível encaminhem o paciente diretamente para um desses hospitais” concluiu.

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