PUBLICIDADE
LUTA CONTRA O LÚPUS
Associação promove feijoada para comprar medicamentos
A ação será realizada no dia 18, no Centro de Convenções Jardins Casa Grande, antigo Casarão Verde da família Brasil, no Centro
Por Folha Web
Em 09/05/2019 às 10:45
Presidente da APLR, Ildalene Ferreira ressalta que o Estado tem o dever de fornecer medicamento para pacientes com lúpus (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

*ATUALIZADA ÀS 11h20

Para ajudar na aquisição de medicamentos de urgência para o tratamento de pacientes, a Associação de Pacientes de Lúpus de Roraima (APLRR) irá realizar no próximo sábado, dia 18, uma feijoada beneficente, no Centro de Convenções Jardins Casa Grande, antigo Casarão Verde da família Brasil, na avenida Bento Brasil, 835, Centro.

“Nosso objetivo é comprar medicamentos de emergência, para ajudar os pacientes de baixa renda, em especial os que estão internados em estado grave. Mas temos que deixa claro que o fornecimento da medicação é um dever do Estado, pois a associação não tem estrutura para manter o tratamento dessas pessoas. O paciente tem que correr atrás dos seus direitos e o Governo tem que cumprir com o seu dever”, afirmou a presidente da entidade, Ildelene Ferreira.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), aproximadamente 65 mil pessoas convivem com lúpus no país. A doença, que acomete principalmente as mulheres, possui uma série de sintomas característicos, desde dores nas articulações, comprometimento de órgãos vitais, como rins, pulmão e coração, até perda excessiva de peso e queda de cabelo.

Em Roraima, a principal dificuldade enfrentada pelos pacientes é a falta de medicamentos na rede pública de saúde. Somente pacientes com lúpus em atendimento no Hospital Coronel Mota hoje, são cerca de 200 e a necessidade de manter o tratamento é a luta diária da associação, que atualmente possui três anos de criação.

“De 2017 para cá, temos registrando perdas significativas de pacientes que estavam hospitalizados, precisando de medicamentos do qual o Estado tinha o dever de fornecer. As famílias desse pacientes é que estão custeando os medicamentos, que possuem um valor muito alto. Em alguns casos, a interrupção do tratamento é inevitável, pois muitas dessas famílias são de baixa renda, e isso de alguma forma agrava o estado de saúde da paciente”, comentou Ildelene.

Só para se ter uma ideia do alto custo dos medicamentos para o tratamento de lúpus, uma ampola de Ciclofosfomida custa atualmente R$ 120. Levando em consideração uma caixa que possui dez unidades, o preço total será de R$ 1.200 para um tratamento de dez meses, pois é ministrada uma ampola por mês na paciente.

Outro medicamento essencial para o tratamento da doença é a Hidroxicloroquina, que atualmente é vendida R$ 87,00. Há também a Azatioprina, que pode custar até R$ 190,00, tendo paciente que precisa tomar três caixas dessas por mês.

“São medicamentos de alto custo, que não são encontrados em qualquer farmácia. No caso da Ciclofosfomida não vende para pessoa física, tem que ser pessoa jurídica com CNPJ hospitalar, ou seja, o paciente enfrenta toda essa burocracia amnter o remédio do seu tratamento”, completou.
Outras informações sobre a feijoada beneficente podem ser obtidas pelos telefones 98107-3652 e o 99116-0406.

SESAU – Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) ressaltou que a atual gestão tem trabalhado continuamente para garantir o abastecimento das unidades hospitalares, tendo inclusive feito aquisições de caráter emergenciais como meio de garantir a continuidade dos serviços e o estoque de materiais médico hospitalares e medicamentos, enquanto trabalha no processo de aquisição anual. 

"É importante ressaltar também que os prazos legais de tramitação devem ser respeitados conforme o que determina a Lei", completou.

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da LES (Lúpus Eritematoso Sistêmico), o Estado deve fornecer para tratamento dos pacientes os seguintes medicamentos: hidroxicloriquina, cloroquina, metilprednisolona, prednisona, azatioprina e ciclofosfamida.

A pasta disse ainda que com exceção da prednisona, todos esses medicamentos ainda estão sendo adquiridos pela Secretaria e serão disponibilizados aos pacientes tão logo sejam entregues ao Estado, através da Cgaf (Coordenadoria Geral de Assistência Farmacêutica).

Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!