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AGROECOLOGIA 
Caçari pode se tornar o novo ‘ouro’ da indústria alimentícia
A safra do Caçari gera emprego e renda a mais de 200 envolvidos no plantio, colheita, produção e venda de produtos no sul de Roraima
Por Polyana Girardi
Em 04/05/2019 às 00:44
Plantio do caçari gera emprego e renda a mais de 200 envolvidos no plantio, colheita, produção e venda de produtos.(Foto: Diane Sampaio/ FolhaBV/ Arquivo da produção cedida pela associação Aprubers)

Roraima é uma terra rica em tesouros e por conta da diversidade da natureza, o que aqui se planta e colhe pode proporcionar grande retorno financeiro para investimentos feitos na pequena agricultura.

Uma dessas descobertas surpreendentes é o potencial do Caçari, conhecido também como Camu Camu ou Araçá d´água. Essa fruta da região amazônica, encontrada em grande quantidade em Roraima, é rica em vitamina C, superando o teor da acerola em 20 vezes e o do limão em 100 vezes e embora seja facilmente achada na beira de rios, poucas pessoas sabem que por meio da sua polpa é possível a fabricação de doces, picolés e sucos.

Samuel de Santana é engenheiro agrônomo e enxergou grande potencial da pequena fruta enquanto realizava pesquisas nos anos 90 na região de Entre Rios, as margens do rio Jatapú, localizado no município de Caroebe. Em 2018, a partir de um projeto agroecológico desenvolvido na Associação dos Pequenos Produtores de Banana de Entre Rios Sul (APRUBERS), com apoio da Fundação Banco do Brasil, Samuel plantou mais mudas na região e hoje a safra do caçari gera emprego e renda a mais de 200 envolvidos no plantio, colheita, produção e venda de produtos.

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“Para cada 10 mil metros quadrados são colhidas até 10 toneladas do fruto. As propriedades medicinais do caçari também são valiosas. Um vidro de remédio com menos de 50 ml chega a custar até R$ 333 no Japão” explicou Santana. O fruto pode ser usado no tratamento de úlceras de pressão, diabetes, obesidade e até mesmo depressão.

Sementes começam a ser comercializadas

Célio Ramos, membro da diretoria da Associação APRUBERS, a beneficiada com o projeto, ressaltou o potencial encontrado na fruta. Ela conta que o objetivo desse ano era apenas multiplicar as mudas nas localidades e comercializar as sementes. “Hoje já existem cerca de 15 mil sementes germinadas e 10 mil sementes embaladas e prontas para serem vendidas,” disse.

Ramos também nos contou que a descoberta para produção alimentícia possibilitou a extração da polpa para fabricação de geleias e outros doces. “O tempo de colheita é entre os meses de abril a maio por isso aproveitamos para produzir no próprio polo da associação. Em dois meses, já foram produzidos 100 quilos de doces e 120 quilos de polpa,” disse.

O agrônomo também frisou que para que os projetos agroecológicos ganhem parcerias dispostas a investir financeiramente em boas ideias, é importante que as associações estejam devidamente regularizadas na justiça.  “Existem escritórios nos interiores que podem orientar os pequenos agricultores a como formalizar suas associações em cartórios, assim a possibilidade de apoio de grandes fundações será uma realidade.”

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