Crianças que perderam a mãe em feminicídio passam por dificuldades - Folha de Boa Vista
MARCAS DA VIOLÊNCIA
Crianças que perderam a mãe em feminicídio passam por dificuldades
Atualmente, as crianças de três e sete anos, moram com a avó materna
Por Marília Mesquita
Em 10/11/2021 às 16:22
As crianças tem idades de três e sete anos. (Foto: Nilzete Franco Folha BV)

Perder um ente querido não é fácil, ainda mais quando se trata de um crime. Principalmente, o feminicídio, que mata uma mulher a cada seis horas e meia, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em Roraima, no último dia 24 de outubro mais uma mulher foi morta. A vítima desta vez, foi Emilly Marta Lima Sobral, de 24 anos, que deixou dois filhos pequenos, de três e sete anos, que hoje moram com a avó materna Sandra Maria Lima, de 50 anos.

Sandra, que atualmente está desempregada, cuida de mais três netos e conta com a ajuda de um filho, amigos, vizinhos e alguns projetos sociais.

De acordo com Sandra, ela precisa de alimentos, roupas, sapatos e um emprego. Além da regularização da energia elétrica e água encanada, que ultrapassam o valor de R$6 mil.

“Eu gostaria dessa ajuda para dar o melhor para eles e não perder a guarda dos meus netos. Se alguém puder me ajudar com um trabalho, eu tenho certeza que posso continuar cuidando deles como sempre cuidei”, disse.

Além disso, a avó enfatiza a necessidade dos netos passarem por acompanhamento psicológico, para superar o trauma de perder a mãe de forma tão violenta.

O caso de Emilly foi peculiar, a suspeita é que ela tenha sido assassinada pelo companheiro e um ex-padrasto. E ambos simularam um suicídio.

Os suspeitos chegaram a ser presos, mas foram liberados na audiência de custódia.

Desde o ocorrido, Sandra disse que os homens ficam rondando a sua residência, como forma de intimida-la.

“Eles têm rodeado a minha casa. Não sei qual o objetivo disso. Até então eles negam que Emilly foi morta por eles. Mas eu creio que a polícia vai esclarecer. Eu como mãe eu vi que a minha filha não se matou e sim foi assassinada”, enfatizou Sandra.

Sandra, que atualmente está desempregada, cuida de mais três netos. (Foto: Nilzete Franco Folha BV) 

SEM DESPEDIDA - Além da dor do luto, a família também enfrentou outra situação difícil, que não pode realizar o velório da filha. Pois segundo Sandra, o corpo de Emilly foi entregue em avançado estado decomposição.

“Está difícil para superar essa dor e não ter podido velar o meu neném. Todos os dias eu me pergunto por que fizeram isso como a minha filha, que era cheia de vida e sonhos. Estou evitando mostrar para os meus netos que estou destruída e isso está me adoecendo”, disse Sandra.

OUTROS CASOS DE VIOLÊNCIA- Sandra disse que o ex-companheiro de Emilly já a agrediu e tentou violentá-la sexualmente outras vezes e a mãe precisou interferir.

“Ele estava enforcando a minha filha, sufocando-a com um travesseiro. Além disso, ela estava com a calcinha abaixada e ele estava em cima dela”, complementou.

DIAS ANTES DO CRIME- Segundo a mãe, dois dias antes do crime, a filha saiu de casa em companhia do ex-namorado de Sandra para ir trabalhar como cozinheira, no município de Alto Alegre e não retornou viva para casa.

AJUDA - Quem quiser ajudar a família, pode entrar em contato pelo telefone (95) 99146-0880.

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