Família busca notícias de brasileiro preso na Venezuela - Folha de Boa Vista
ACUSADO DE ESPIONAGEM
Família busca notícias de brasileiro preso na Venezuela
Na ata policial, a polícia venezuelana diz que o entendimento é que brasileiro tinha intenção de obter informações de militares na fronteira
Por Folha Web
Em 30/03/2021 às 06:03
Jovem foi detido com outro brasileiro e mais dois venezuelanos (Foto: Arquivo FolhaBV)

Os familiares de Jules Lopes da Silva Dias, de 26 anos, dizem que o brasileiro está preso há 22 dias na Venezuela e que não tem mais notícias das suas condições de saúde. Os parentes pedem que as autoridades brasileiras entrem em contato com o governo venezuelano para que o homem seja deportado de volta ao país de origem.

Os parentes informam que o jovem foi detido junto do piloto brasileiro R. D. C. N.; do venezuelano B. C. J. J.; e do venezuelano L. A. F. C. no município de Biruaca, em Apure, no dia 07 de março de 2021. Segundo a família, o jovem não tinha trabalho na região e foi na viagem por turismo. 

“Ele foi convidado por esse piloto, que ia deixar um avião na Colômbia, fronteira com a Venezuela. Ele convidou e ele foi pra conhecer. Deixaram o avião e vieram por terra. Foram parados por uma blitz do Exército e lá foram presos”, disse o pai. “Eles foram presos e no documento diz que não foi encontrado nada ilícito, porém, o Exército o acusou de espionagem e entrada irregular no país”, falaram.

O pai diz que só soube desta situação quando o filho entrou em contato, já preso. Reforçou que o andamento das investigações na Venezuela tem o prazo de 45 dias para encerrar. “Quando falei com ele, disse que estava bem. Que estava esperando o inquérito terminar para saber se ia ser indiciado ou não. Ele falou que estava em um quartel, mas não sabemos se foi transferido”.

Os parentes reclamam ainda da falta de notícias do jovem e dizem que há 12 dias não tem notícia do seu estado de saúde. “O advogado venezuelano que o representa lá não dá nenhuma resposta. Queremos saber que condições que ele está e pedir, principalmente, que o governo brasileiro providencie o seu retorno imediato”, dizem. “Faz 12 dias que a gente não tem notícia, isso que está angustiando a família. É esse o nosso desespero. Se ele estivesse preso, a gente estava tranquilo, a gente ia esperar 45 dias, mas ninguém dá mais notícia” completa.

A família também procurou as autoridades do estado, entre eles, o deputado Nilton do Sindpol (Patri) que emitiu ofícios para o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa sobre o caso. Também acionaram os órgãos de representação dos Direitos Humanos para pedir ajuda e alguma providência, porém, até agora não obtiveram nenhuma resposta.

ITAMARATY – A FolhaBV entrou em contato com o Ministério de Relações Exteriores sobre o caso dos brasileiros detidos e a falta de informações do brasileiro. Em nota, a pasta informou que não foi contatado sobre o caso.

Confira a nota na íntegra:

O Itamaraty não foi contatado, até o momento, sobre o caso relatado na consulta e permanece à disposição da família, que poderá contatar o MRE pelo seguinte endereço eletrônico: dac@itamaraty.gov.br. Em respeito à privacidade das pessoas envolvidas, o MRE não poderá se pronunciar especificamente sobre o caso em questão.

 Vale ressaltar que o titular da pasta do Itamaraty, o ministro Ernesto Araújo, pediu demissão do cargo nesta segunda-feira, 29.


Venezuela acusa brasileiros de crime de espionagem

Segundo ata policial da República Bolivariana da Venezuela obtida pelos familiares, uma equipe da polícia estava em trabalho de investigação sob suspeita de ingresso e deslocamento de cidadãos de nacionalidade estrangeira quando, por volta das 08h da manhã, se deparou com uma caminhonete modelo Hilux, de cor dourada, que vinha sentido Cinaruco-Elorza. O carro foi parado em uma blitz militar alguns metros a frente.

No carro foram encontradas quatro pessoas, sendo dois brasileiros e dois venezuelanos, entre eles Jules Dias. “Ao solicitar os passaportes para verificar o ingresso ao país, os entregaram com atitude nervosa e começaram a se contradizer de como tinham ingressado”, diz a polícia venezuelana. 

Realizada a abordagem, a ata policial consta que “os mesmos não possuíam nada de interesse criminalístico” não sendo encontradas “armas nem drogas ou qualquer outro objeto de interesse criminal”.

A polícia venezuelana alega ainda que o brasileiro R. D. C. N; disse ser piloto de aeronaves e que chegou ao país em uma aeronave tipo Beechcraft Baron 58P, cor branca, procedente da cidade de Boa Vista acompanhado de Jules e do venezuelano L. A. F. C., tendo pousado em terras clandestinas, dentro de uma fazenda nos limites do município Romulo Gallego em Apure.

“Conforme suas palavras foram recebidos por cidadãos que portavam armas de fogo de alto calibre, os quais levaram os três de moto pela mata em aproximadamente 1h30 até uma fazenda conhecida como ‘Rancho Alegre’ na cidade de Capanaparo, em Romulo Gallego em Apure, e de lá seguiram na caminhonete”, com o motorista do veículo sendo B. C. J. J. E. 

A polícia venezuelana defende que os quatro “não conseguiram explicar convincentemente” o motivo da sua visita e que o trio alegou se tratar de uma viagem de turismo. Ainda, que o piloto da aeronave disse ter família militar de alta patente do Exército Brasileiro e que o mesmo pediu desculpas por ter ingressado ilegalmente ao país.

Entendimento é que objetivo de brasileiros era recrutar espiões

Na ata policial, a polícia venezuelana diz que o entendimento é do possível crime de espionagem considerando a profissão do piloto, desenvolvimento na língua espanhola, possível violação da soberania ao espaço Venezuelano e a insistência para se comunicar com seus familiares militares do Exército Brasileiro.

“Pressupomos que podia se tratar de recrutadores espiões de órgãos de inteligência da República Federativa do Brasil com o propósito de captar efetivos das unidades militares estratégicas das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas e obter informações das unidades militares para furto de armas e inutilização de sistemas”.

Ainda, que os dois brasileiros e os dois venezuelanos foram levados até a cidade de San Fernando e que uma advogada foi acionada para realizar as diligências policiais e necessárias.

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