Fechar fronteiras é necessário para cepa não atingir Brasil, diz Queiroga - Folha de Boa Vista
MINISTRO DA SAÚDE
Fechar fronteiras é necessário para cepa não atingir Brasil, diz Queiroga
Discurso vai na contramão do que defende o presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que o Brasil e o mundo não aguentam mais um lockdown
Por Folha Web
Em 27/11/2021 às 09:30
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, justificou a decisão do governo brasileiro de fechar fronteiras a seis países africanos como "necessária" para que a nova variante do coronavírus, descoberta na África do Sul e batizada com o nome de Ômicron, não cause "impacto grave" ao Brasil.

“Vamos fechar as fronteiras aéreas para seis países da África: África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue. A medida foi necessária para que a nova variante do coronavírus não cause grave impacto no Brasil.”, disse Marcelo Queiroga nas redes sociais.

Segundo Queiroga, a decisão foi tomada em conjunto e será assinada pelos Ministérios da Saúde, Justiça e Segurança Pública, Casa Civil e Infraestrutura. "A portaria será publicada amanhã e deverá vigorar a partir de segunda-feira", completou Queiroga, nas redes sociais.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou nessa sexta-feira que a nova cepa do SARS-CoV-2, a Ômicron, é uma variante de preocupação (VOCs), a quinta classificada dessa forma. Mas essa nova variante surpreendeu os cientistas pelo número oito vezes maior de mutações de outras cepas já classificadas como de preocupação, além da velocidade de contágio.

O órgão máximo da Saúde no mundo aponta que a variante foi detectada a taxas mais rápidas do que os surtos anteriores de infecção. "Esta variante tem um grande número de mutações, algumas das quais preocupantes. As evidências preliminares sugerem um risco maior de reinfecção, em comparação com outras variantes", alertou a OMS. "Nas últimas semanas, as infecções na África do Sul aumentaram acentuadamente, coincidindo com a detecção da variante B.1.1.529. A primeira infecção B.1.1.529 confirmada conhecida foi de um espécime coletado em 9 de novembro de 2021.".

Nessa sexta, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, anunciou que o Brasil fechará, a partir de segunda-feira, as fronteiras aéreas para seis países da África (África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue), por causa da nova variante do coronavírus. "Vamos resguardar os brasileiros nessa nova fase da pandemia", escreveu Nogueira.

Bolsonaro diz que "Brasil não aguenta novo lockdown"

Antes do anúncio do fechamento das fronteiras, porém, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a declarar que o Brasil e o mundo não aguentavam ter um novo lockdown, ao comentar sobre a possibilidade da chegada da nova variante da Covid-19 ao país. Ele participou, na tarde de sexta, das comemorações do 76° aniversário da Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro.

“Tudo pode acontecer. Uma nova variante, um novo vírus. Temos que nos preparar. O Brasil, o mundo, não aguenta um novo lockdown. Vai condenar todo mundo à miséria e a miséria leva à morte também. Não adianta se apavorar. Encarar a realidade. O lockdown não foi uma medida apropriada. Em consequência da política do 'fique em casa e a economia a gente vê depois', a gente está vendo agora. Problemas estamos tendo”, disse Bolsonaro, ao comentar descoberta de nova cepa.

Questionado sobre a possibilidade de fechar as fronteiras, o presidente disse que não tomaria nenhuma medida irracional. Também disse que não tinha ingerência sobre a realização de festas de Carnaval, que são afeitas aos níveis estaduais e municipais de governo. "Eu vou tomar medidas racionais. Carnaval, por exemplo, eu não vou pro carnaval. A decisão cabe a governadores e prefeitos. Eu não tenho comando no combate à pandemia. A decisão foi dada, pelo STF, a governadores e prefeitos. Eu fiz a minha parte no ano passado e continuo fazendo. Recursos, material, pessoal, questões emergenciais, como oxigênio lá em Manaus", acrescentou, em seguida.

Lula cobra Bolsonaro

Nas redes sociais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou Bolsonaro de omissão e por não exigir vacinação e testes de turistas estrangeiros, como, segundo ele, o mundo inteiro tem feito. Lula e Bolsonaro são potenciais candidatos às eleições do ano que vem. “Bolsonaro segue sendo o maior aliado do coronavírus. No começo da pandemia impediu o governo do Ceará de fechar fronteiras para se proteger da chegada da doença. Agora não quer exigir vacinação e testes de turistas estrangeiros, como o mundo inteiro tem feito”, disse.

*Com informações do UOL

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