Indígenas pedem que Funai não participe de negociações sobre o Linhão - Folha de Boa Vista
WAIMIRI ATROARI
Indígenas pedem que Funai não participe de negociações sobre o Linhão
Em carta, os indígenas informam ainda que não tem prazo para conclusão da leitura do Projeto Básico Ambiental-Componente Indígena (PBA-CI)
Por Dina Vieira
Em 16/06/2021 às 09:45
Os indígenas não deram um prazo para a conclusão da leitura do PBA-CI (Foto: Divulgação)

Uma carta da Associação Comunidade Waimiri Atroari (ACWA) informou nessa terça-feira, 15, que ainda está sendo feita a leitura da versão consolidada traduzida do Projeto Básico Ambiental-Componente Indígena (PBA-CI), para a construção do Linhão de Tucuruí, estando o processo de leitura na fase de reuniões finais.

A carta foi endereçada a secretária de Apoio ao Licenciamento Ambiental, Rose Mírian Hofmann, ao secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Esequiel Roque do Espírito Santo e ao secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Rodrigo Limp Nascimento.

No documento, os indígenas informam que o processo de leitura e aprovação do PBA-CI depende do consenso de todas as aldeias e que as formalidades adotadas devem ser respeitadas para que todos os indígenas sejam ouvidos sobre o assunto.

A carta informa ainda que quando a leitura do PBA-CI for concluída, uma reunião final será convocada para informar sobre a decisão tomada sobre a obra que cortará a Terra Indígena.

Ainda no documento, os indígenas dizem que não terão mais diálogo com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre assuntos ligados ao Linhão de Tucuruí.

Isso porque, segundo a ACWA, a atual presidência da Funai teria feito acusações contra indígenas e a Associação sobre a prática de atos ilícitos.

“Foram acusações graves, de tráfico de influência de prevaricação, além de mencionar que tudo estaria sendo feito para direcionar recursos financeiros do PBA-CI para favorecer determinadas pessoas, dentre eles a própria ACWA, e seu diretor gerente Mario Parwe Atroari”, diz trecho do documento.

Ainda de acordo com a carta, isso teria deixado a comunidade decepcionada e sem entender o que estava acontecendo. “As denúncias feitas pelo presidente da Funai não têm qualquer fundamento”, diz outro trecho.

Ao final da carta, os indígenas informam que convidarão para todas as reuniões referentes ao Linhão de Tucuruí, representantes de órgãos como o Ministério Público Federal, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, da Comissão Especial para Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, da ONU e da OEA.

VÍDEOS RECOMENDADOS
***

Quer o site da FolhaBV com menos anúncios?

Um jornalismo profissional com identificação e compromisso com o regional que fiscaliza o poder público, combate o autoritarismo e a corrupção, veicula notícias interessantes, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. São mais de 50 reportagens todo dia. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

ASSINE A FOLHABV
Gostou?
1
22
Cadastrar-me Enviar Comentário
José Carlos Pacheco de Oliveira disse: Em 16/06/2021 às 12:52:03

"Atraso de Roraima!!!"

Saúde Caburai disse: Em 16/06/2021 às 10:26:27

"Pensa em um atraso para o Estado! O Coletivo sobre sai, isso é a regra... Que demora para ler. Kkkk Se Funai não pode participar, quem poderá? Ah já sei... "

SANTOS disse: Em 19/06/2021 às 16:42:54

"- Meu nobre Saúde Caburaí, isso é ação de ONGs que deixaram de receber muitos recursos federais, pois deles não prestavam contas nem concretizavam os projetos a que se destinavam, ligadas à esquerda canalha e corrupta, desesperada que está com o volume de obras realizadas pelo atual governo. Como o Presidente Jair Bolsonaro afirmou que viria a Roraima para assinar o documento da licença ambiental para a implantação do linhão, a esquerda entrou em desespero, pois será mais uma obra que a esquerdalha comeu dinheiro, prometeu e nunca entregou, prejudicando o Estado de Roraima, onde ela, a esquerda, nunca se afirmou. É cristalino isso!!!"

SANTOS disse: Em 16/06/2021 às 10:19:42

"- Conheço muito indígenas e dentre eles muitos merecedores do maior respeito pelo comportamento ético e social com que se portam. A estes, antecipadamente, peço desculpas pelo meu comentário que se refere a pseudo lideranças indígenas que não passam de oportunistas e vendem seu povo aos exploradores ativistas de ONGs interessadas em escusos objetivos. - Em relação a esse Linhão de Tucuruí, assim como quanto à regularização fundiária, já perdí a conta das vezes que, em comentários neste mesmo matutino, afirmei que essa ladainha ainda se manterá por muito tempo, pois é uma bandeira enorme a ser explorada em campanhas eleitorais, por políticos absolutamente descompromissados com o povo de Roraima. Some-se a isso o interesse de ONGs internacionais, autoras de biopirataria, interessadas em manter toda a área de Roraima, assim como grande parte da Amazônia, bem isolada para não serem perturbadas. - Por parte dos indígenas, além de descabida essa esdrúxula consulta, já houve tempo mais que suficiente para o deslinde da questão, pois eles próprios discutem essa questão há décadas. Essa lorota de leitura de Projeto Ambiental é uma proposital postergação para justificar a indevida exigência de pagamento de indenização, que já foi apresentada em oportunidades anteriores. - Até que essa indenização, embora constitucionalmente indevida, poderia ser levada em consideração caso viesse a ser usada para benefício dos indígenas, coisa que sabemos não será. Aliás, diga-se a bem da verdade, importância bem maior que a indenização pretendida, já foi paga por ONGs às pseudo lideranças indígenas à título der CALA-BOCA. - Ademais, a FUINAI, que sempre foi manipulada pelas ONGs em apreço e, destarte, era figura imprescindível, sempre requerida para deslinde ou assistência nas questões indígenas, está sendo repudiada neste processo. A razão é por demais óbvia: o atual comando da Autarquia não compactua com o bandoleirismo que alí campeava. Sintomático! - Assim, quem acreditou que ainda neste ano de 2021, ou princípio de 2022, a construção do linhão seria reiniciada, pode amargar sua decepção. A não ser que se aplique o que aqui sugerí: entregue-se a obra ao comando do Exército Brasileiro, que possui Know how para tanto, com autorização para que se3 aplique a mesma metodologia utilizada para a construção de outras grandes obras como a BR-174, BR-364, BR-163, etc. "