Cotidiano

Mães cobram atendimento para prematuros na maternidade 

Há mais de três meses, atendimentos não estão sendo feitos por conta da falta de profissionais 

 O Grupo de mães de bebês prematuros que deveriam ser acompanhados em atendimentos ofertados pelo hospital e maternidade Nossa Senhora de Nazaré estão há cerca de três meses aguardando o retorno da normalidade em consultas que deveriam acontecer pelo menos uma vez durante o mês. De acordo com relatos de uma das mães, existe apenas um profissional pediatra fixo no quadro para cumprir alta demanda em atendimentos, e que conforme comunicado feito pela direção do hospital às mães nos primeiros meses do ano, o segundo profissional foi remanejado para outro setor o que ocasionou a sobrecarga dos atendimentos na área da pediatria.

Claudia Araújo é mãe de um bebê de um ano e está há quatros meses sem levar o filho ao pediatra. Ela nos conta que os atendimentos especializados em crianças prematuras em Roraima são feitas somente na maternidade, o que dificulta mais ainda a busca de tratamentos. 

“Bebês nascidos antes de 37 semanas são considerados prematuros e precisam de acompanhamento para certificar que ele crescerá de forma saudável. Infelizmente, os atendimentos não são feitos em outras unidades de atendimento infantil e temos que passar pela maternidade. Não sabemos o motivo da suspensão de atendimentos pediátricos e esse é um dos profissionais mais importantes. Estamos sem informações e ninguém nos esclarece o porquê de tanta demora na normalização dos serviços”, disse.

Outra mãe que não quis ser identificada explicou que mora no interior do município de Iracema, o que dificulta o deslocamento até a capital na busca de informações. “Há um mês não tenho notícias sobre a normalização dos atendimentos e não posso ir até Boa Vista com uma criança especial para simplesmente não ser atendida ou ouvir que não tem previsão para retorno nem para marcar consultas. Precisamos de posicionamento da direção do hospital maternal porque apenas dizem para aguardarmos e não esclarecem os motivos de tanta demora”, desabafou.

A reportagem entrou em contato com o Governo Estadual, responsável pela administração da Maternidade, questionou o número em atendimentos realizados por dia em bebês prematuros e o real quantitativo de médicos atuando no único Hospital público maternal de Roraima, bem como também esclarecer os motivos na demora em atendimentos.

A pasta informou, por meio de nota, que a unidade está inserida no programa do Método Canguru, do Ministério da Saúde (MS), o qual exige que a maternidade garanta atendimento para os bebês prematuros que recebem alta da Unidade Neonatal.

“Esse atendimento é chamado de Ambulatório da 3ª Etapa de Método Canguru, no qual o MS  exige que sejam atendidos os bebês prematuros até 2,5 quilos ou que completam 40 semanas de vida”, destacou.

A nota segue ressaltando que 100% dos bebês que estão inseridos nesse critério, são atendidos pelo Hospital Materno Infantil, não procedendo a informação repassada para a reportagem.

Mesmo não tendo a responsabilidade de atender os bebês com mais de 2,5 quilos ou 40 semanas de vida, o HMI informa que está atendendo esses bebês, que deveriam está sendo assistidos pela atenção básica do município, pois se o mesmo negligenciar sua responsabilidade, os pacientes ficarão sem atendimento. Além dos pediatras/neonatologistas, os bebês também contam com a assistência da área de neuropediatria da unidade”, concluiu.    

ONG Prematuridade presta assistência a 90 prematuros

As mães também fazem parte de uma Organização Não Governamental chamada Prematuridade que aplica o programa ´follow-up´, uma forma de prestar assistência a cerca de 90 bebês prematuros cadastrados no estado. Conforme explicado pela representante da ONG em Roraima, Andressa Leocádio, as mães cobram o direito de ter acesso a atendimentos especializados às crianças, o que não vem acontecendo. 

“Somos uma ONG que luta pelas causas dos prematuros e precisamos de respostas dos responsáveis pelos atendimentos feitos a esses bebês. Queremos que estratégias do poder público sejam pensadas porque as Unidades de Tratamento Intensivo estão sucateadas e atendem além da capacidade para salvar pequenas vidas”, disse.

Andressa também ressaltou que bebês prematuros é uma das causas da mortalidade infantil até os 5 anos de idade, por isso cobram pela normalização dos atendimentos já que, segundo ela, foi dito pela administração da maternidade que bebês prematuros eram prioridades. 

“Somos parceiros e queremos ser parte de um trabalho que alcance essas mães. O governo poderia olhar com mais atenção a essa causa específica da prematuridade no intuito de ajudar quem precisa de atendimento” explicou.