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PROGRAMA DE REPATRIAÇÃO 
Mais de 4 mil já retornaram à Venezuela
Embarque de retorno acontece em frente ao Consulado, em Boa Vista, e somente este ano mais de 360 venezuelanos já voltaram ao seu país
Por Ribamar Rocha
Em 20/08/2019 às 00:25
Apenas o empresário Remídio Monai, da Amatur Turismo, tem colaborado com a repatriação ao fazer um preço mais acessível no aluguel dos ônibus (Foto: Divulgação/Consulado da Venezuela)

Sem muito alarde, o Consulado-Geral da Venezuela em Boa Vista está fazendo um trabalho de apoio aos migrantes venezuelanos que desejam retornar a seu país. O programa começou há um ano e mais de 4 mil já procuram o Consulado para se inscreverem, manifestando vontade de retornar à Venezuela por meio do Programa de Repatriação. Só este ano já foram feitas quatro operações de retorno ao país, que repatriou 367 pessoas, destas, 84 eram crianças. Não há prazo para o fim da operação.  

O plano iniciou em agosto de 2018, logo após o conflito registrado nas ruas de Pacaraima, quando alguns moradores exigiam a expulsão de imigrantes venezuelanos. Á época, muitos venezuelanos retornaram a pé para o território venezuelano. 

À Folha, o cônsul-geral da Venezuela em Roraima, Faustino Torella Ambrosini, disse que a partir desse momento, que o Governo de Nicolás Maduro iniciou a política de repatriação para as pessoas que se manifestassem interessadas em voltar para a Venezuela o fizessem de forma voluntária. 

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“Demonstrar interesse voluntário em voltar para seu país é um dos requisitos mais importantes para ser atendido pelo programa e depois tem que preencher o formulário que entregamos aqui no Consulado”, disse.

Ele destacou o preenchimento do formulário como fundamental para nortear as ações de ajuda que são adotadas pelo governo de Nicolás Maduro, quando da chegada à Venezuela. 

Entre os requisitos, está se a pessoa é portadora de alguma doença ou enfermidade, profissão ou em que pode trabalhar. “De modo que possa ser encaixado em projetos de trabalho e ter direito à alimentação e a preços acessíveis de 23 mil Bolívar Soberano, equivalente a 3 dólares, que é subsidiada do Governo, que é como se fosse o recebimento de uma cesta básica a cada quinze dias”, disse.  

Os demais requisitos do plano são: ser venezuelano, encontrar-se em situação de vulnerabilidade, não ter recursos para retornar à pátria, preencher o formulário de inscrição, além de apresentar a cédula de identidade, passaporte e registro de nascimento. 

É exigida ainda a elaboração de uma carta direcionada ao consulado venezuelano solicitando a repatriação, contendo dados pessoais e os motivos pelo qual solicita a repatriação. Deve ainda destacar que expressa seu desejo voluntário de retornar ao país e a prioridade é para famílias com crianças, grávidas, idosos e depois homens solteiros e que estejam fora dos abrigos. 

“Os menores de idade não viajam sozinhos, devem estar acompanhados por representantes legalmente autorizados e apenas uma maleta de viagem é permitida”, disse. “As pessoas só poderão se beneficiar da operação apenas uma vez e ficam proibidas de participar de outros retornos à pátria pelo programa”, afirmou. 

Ele explicou que o Consulado tem disponibilizado ônibus contratados de empresas de Roraima que os levam até Santa Elena do Uairém, de onde são transportados para suas cidades de origem em veículos providenciados pelos governos de cada cidade.

Os ônibus saem de frente ao consulado e a demanda é de acordo com a procura dos voluntários.  A cada cem pedidos o Consulado contrata dois ônibus que os levam até Santa Helena. 

“Quando estamos com números expressivos é que informamos ao Governo de Bolívar sobre a viagem”, disse Abrosini. “Lá tem uma equipe médica de prontidão para fazer a triagem de todos que chegam e depois passam pela Polícia Migratória para assinar sua repatriação antes de providenciam o transporte para Porto Ordaz e de lá para o destino de cada pessoa”, afirmou. 

Ele informou que a maioria das pessoas é de Maturin, El Tigre, Anaco, Barcelona, São Félix, Tucui (índios Warao), Porto Ordaz e Simon Bolívar, além de Valência e Caracas. (R.R)


Cônsul culpa embargos como motivos da migração 

O cônsul-geral da Venezuela em Roraima, Faustino Torella Ambrosini, afirmou que a saída das pessoas da Venezuela é sempre em busca de atender necessidades básicas, como se alimentar e ter acesso a remédios e emprego. Ele culpou os embargos impostos à Venezuela como motivo principal da atual situação econômica do país.   

“As pessoas estão vindo para Boa Vista, para o Brasil e outros países, em busca de alimento, trabalho e medicamentos, e isso não é culpa do governo de Nicolás Maduro, mas do bloqueio econômico que sofremos, já que não produzimos medicamentos, não temos soberania alimentícia, temos que comprar quase tudo e os bloqueios afetam muito nossa estabilidade econômica, pois não se pode comprar e por isso as pessoas migraram em busca de remédios e alimentos”, afirmou sem, no entanto, citar nomes dos países que fazem o bloqueio. 

Ele citou que a Venezuela tem firmando contratos para aquisição de medicamentos com a Rússia, China, Cuba e com a Cruz Vermelha.  

“É interessante para os brasileiros que acabem com os bloqueios e assim os venezuelanos possam voltar para seu país e encerrar essa migração”, afirmou.  

Quanto ao apoio de empresários parceiros em Roraima, que ajudam no Plano de Repatriação, ele disse que apenas o empresário Remídio Monai, da Amatur Turismo, tem colaborado com a repatriação ao fazer um preço mais acessível no aluguel dos ônibus.“Gostaríamos que houvessem mais empresários no Estado que pudessem ajudar nesse programa”, disse. (R.R)

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osmarina gomes da silva disse: Em 20/08/2019 às 10:23:03

"pura mentira, e se entrou 10 saiu 200, não vai fazer nenhuma diferença,e os que foram tiveram que voltar, eu mesmo já conheci uns que foram e tiveram q voltar. querem distorcer, a realidade."