Militares querem deixar operação que acolhe venezuelanos - Folha de Boa Vista
FRONTEIRA
Militares querem deixar operação que acolhe venezuelanos
Entre os militares, a Operação Acolhida é classificada como Força Tarefa Logística Humanitária
Por Folha Web
Em 27/12/2020 às 18:06
O Ministério da Defesa discute no governo Jair Bolsonaro como retirar as Forças Armadas da Operação Acolhida (Foto: Arquivo FolhaBV)

O Ministério da Defesa discute no governo Jair Bolsonaro como retirar as Forças Armadas da Operação Acolhida, criada para receber e atender venezuelanos. Considerada modelo pelas Nações Unidas e um dos raros trunfos internacionais do governo, a operação está prestes a completar três anos e sofreu mudanças de dinâmica por causa da redução do fluxo de imigrantes provocado pela pandemia da covid-19. Há quem defenda que ela seja apresentada para concorrer ao prêmio Nobel da Paz.

Oficiais generais do Ministério da Defesa e das Forças Armadas já manifestaram internamente o desejo de sair da operação ou ao menos reduzir ao máximo o engajamento das tropas. É corrente entre eles a avaliação de que chegou a hora de "passar o bastão" e diminuir as responsabilidades, assumidas em março de 2018. A operação é coordenada pela Casa Civil, comandada pelo general Walter Braga Netto.

Entre os militares, a Operação Acolhida é classificada como Força Tarefa Logística Humanitária. O comando é do Exército, que cede espaços no 3º Pelotão Especial de Fronteira em Roraima para receber os imigrantes. Eles também trabalham em Boa Vista, capital do Estado, e Manaus (AM), cidades que concentram os venezuelanos e têm abrigos.

A cada três meses, militares da Marinha, da Aeronáutica e principalmente do Exército são deslocados de vários comandos do País para assumir como o contingente da vez. Em janeiro, está prevista a décima troca de pessoal. Ao todo, 650 militares serão enviados a Boa Vista e Pacaraima e Manaus.

Cerca de 44 mil já foram transportados a outras cidades do País, tendo como destinos principais São Paulo, Amazonas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. O ritmo, no entanto, está aquém do desejado. Neste ano, 16,7 mil foram deslocados até novembro, menos do que os 22,2 mil em todo o ano passado. Cerca de 3,5 mil permaneciam nos abrigos, segundo dados do governo.

Nos últimos meses, aumentaram as queixas de oficiais com o envolvimento das Forças Armadas. Ao mesmo tempo, os militares passaram a ser enviados para mais operações de Garantia da Lei e da Ordem, como a Verde Brasil, e o suporte da Operação Covid, durante a pandemia do novo coronavírus.

Os generais dizem que esse "desvio" de função, como classificam, ocorre por pressão política e social, além da falta de pessoal e organização em outros órgãos de governo.

Apesar da vontade de sair da Acolhida, os militares preveem dificuldades em encontrar outro órgão capaz de assumir as principais tarefas operacionais - o atendimento na ponta aos refugiados e imigrantes que escapam da crise generalizada na Venezuela.

Há um outro fator. A cúpula do Ministério da Defesa teme, ao abandonar ações subsidiárias e de assistência, um dano de imagem, pois passaria uma mensagem negativa e perderia prestígio. Esse é um receio que as Forças Armadas têm, na avaliação de um general da ativa que acompanha os debates internos. De acordo com esse general, ainda que a operação seja considerada importante para segurança humana, ela consome efetivo e orçamento.

Além da logística, os militares cuidam da segurança e atendimento de saúde. Outros órgãos do governo prestam atendimento psicossocial, do qual também fazem parte cerca de uma centena de entidades da sociedade civil e da ONU. Os migrantes e refugiados são vacinados, passam por avaliação clínica, entrevistas e podem solicitar emissão de documentos como CPF. Eles recebem refeições, são alojados num dos 12 abrigos temporários, e recebem kits de higiene e limpeza, podendo participar de atividades de lazer e aulas de português.

Um almirante da Marinha e um general do Exército, ambos da ativa e, por isso, ouvidos reservadamente, confirmaram a intenção de deixar a Acolhida. Um comandante da Força Terrestre comparou as Forças Armadas a uma espécie de "Posto Ipiranga" no governo Bolsonaro.

Nos bastidores, militares afirmam que a operação deve se concentrar mais na interiorização dos imigrantes para desafogar a região Norte, menos estruturada - e que o Ministério da Cidadania, que cuida dessa estratégia e tenta encontrar empregos e elos familiares bem como abrigo no destino aos venezuelanos por todo o País, deveria assumir mais protagonismo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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SANTOS disse: Em 29/12/2020 às 10:25:48

"- Os Comandantes Militares das FFAA estão mais que certos. As FFAA já fizeram mais do que deviam e não receberam o devido reconhecimento, principalmente por parte de quem mais se autoproclama defensores de refugiados, imigrantes, etc. - Já tivemos militares, integrantes da Operação Acolhida, serem verbalmente desrespeitados e fisicamente agredidos por imigrantes de duvidosa vida pregressa, e ainda receberem críticas de outras instituições envolvidas nesse affair, quase sempre nascidas no ativismo ideológico dos lacradores defensores de minorias. - As FFAA, disciplinadas por natureza, observadoras e fiéis ao cumprimento das regras vigentes, se mantiveram inertes evitando a criação de constrangedor conflito diplomático. - Entretanto, a manutenção das FFAS nesse mister é validar a irregularidade, pois sabe-se que expressiva maioria de imigrantes, em especial os venezuelanos, estão ilegalmente no País. - Informações dão conta que pouco mais de 20.000 venezuelanos foram interiorizados, ou sejam, enviados a outras Unidades da Federação, o que representa muito pouco posto que quase 1.000 ingressavam diariamente em território brasileiro, mesmo com a fronteira oficialmente fechada. - Existem muitas instituições falando muito e fazendo pouco. É, portanto, hora de se mostrarem efetivamente úteis, assumindo esses afazeres e aliviando o fardo das FFAA, que poderão ser utilizados em outros afazeres em prol do Povo Brasileiro, a quem deve servir como determina nossa Carta Magna."

Max disse: Em 27/12/2020 às 19:32:11

"Concordo com nosso exército, está na hora de se retirar mesmo.....tem ONGs pra isso, levam para outros países, distribui para outros países....nosso país não tem que gastar com estrangeiros não....Já estamos vivendo uma situação difícil.."