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SAÚDE PÚBLICA
Pacientes denunciam falta de medicamentos e exames no HGR
Para serem atendidos, pacientes e familiares precisaram comprar remédios e pagar exames
Por Folha Web
Em 16/07/2019 às 00:25
Por conta da falta de ambulâncias, paciente precisou pedir ajuda aos bombeiros para ser transportada de maca e realizar exames (Foto:Divulgação)

Tatiane Ramos
Colaboradora Folha

Apesar de o governo do Estado ter anunciado no dia 9 de julho que os estoques de medicamentos e insumos para atender as demandas das unidades de saúde de todo o Estado estavam abastecidos, pacientes do Hospital Geral de Roraima (HGR) procuraram a reportagem da Folha de Boa Vista na manhã dessa segunda-feira (15) para denunciar que faltam medicamentos básicos e que alguns dos exames mais necessários estão suspensos na unidade hospitalar.

Rosineia Elias, de 25 anos, que sofreu um acidente na Comunidade Nova Esperança, município de Pacaraima, e teve a sua face cortada, disse que não recebeu medicação para aliviar a dor. “Pela manhã sofri um acidente. O terçado escapuliu da mão do meu filho e pegou no meu rosto, atingindo minha boca. Fui para o HGR sangrando muito. Levei seis pontos dentro e cincos pontos fora da gengiva. O hospital alegou que não tinha o remédio para este fim. Não me medicaram nada para dor, nem mesmo dipirona”, disse. O esposo da vítima, Luis Elias, ainda complementou: “Quando fomos para o atendimento do HGR não havia anestesia e nem vacina antitetânica para costurar o corte, precisamos comprar os medicamentos para proceder com a assistência. O médico passou uma receita e fui aos postos do governo e não tinha o que o doutor prescreveu. Tive que adquirir na farmácia”.

Exames ainda estão sendo pagos por familiares

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Outro caso foi denunciado pelo agente carcerário Enio Mota, de 45 anos, filho da paciente Raimunda do Lago, de 69 anos. Ele contou que sua mãe está internada desde o dia 12 de maio e precisa fazer um exame de arteriografia e angioressonância das carotidas vertebrais que atualmente está suspenso. 

Mota diz que sua mãe sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e três veias que fornecem sangue e oxigênio para o cérebro estão entupidas. Ela só tem uma veia boa. “Essa veia boa está entupindo e o doutor tem que fazer uma cirurgia para desentupir. O médico disse que precisa fazer esse exame de arteriografia para saber qual é a veia correta. Sem o exame, ele não vai fazer a cirurgia e o Neurologista disse que ela está correndo risco de morte, pelo fato da única veia que fornece oxigênio para o cérebro estar entupindo. Hoje mesmo paguei R$ 1mil para fazer a angioressonânica. Precisei ir a uma clínica particular da cidade e não tinha ambulância para levar. Tive que pedir ajuda para os bombeiros. É muito difícil. Pagamos tantos impostos para na hora que precisar não termos bom atendimento”, disse.

O denunciante ainda informa que, “no segundo dia de internação da minha mãe, foram pedidos dois exames: Doppler e Ecocardiograma. Somente após um mês eles foram feitos. A primeira ressonância o aparelho estava em manutenção e tive que pagar R$ 1,3 mil. Tive que comprar também uma sonda gástrica no valor de R$ 1mil porque aqui no HGR não tinha. Todos os remédios são fornecidos por mim, por exemplo, atenalol e losartana, para pressão, sinvastatina, para desfazer o coagulo, xaropes, colírios, óleo de girassol, dentre outros”.

CRM diz que não tem registros de denúncias 

A Folha também entrou em contato para saber se existiam denúncias contra o HGR no Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRMRR) e recebemos a seguinte nota:

Não há nenhuma denúncia realizada por pacientes, registrada no Conselho Regional de Medicina de Roraima, feita este ano e no ano de 2018, referentes à falta de medicamentos e suspensão de exames.

O CRM é um órgão fiscalizador da ética médica e trabalha em prol da sociedade, inspecionando se as unidades públicas e privadas oferecem condições de trabalho para os profissionais e acesso digno à população.

Qualquer pessoa pode fazer na sede da instituição, localizada na Avenida Ville Roy, nº 4123, no horário das 9h às 15h. Após a denúncia é aberta uma sindicância para dar início ás investigações, dando direito à ampla defesa e ao contraditório.

Saúde estadual nega falta de remédios e diz que exames foram suspensos na administração passada

Em resposta à equipe do jornal Folha de Boa Vista sobre as denúncias, a Secretaria de Estado da Saúde de Roraima (SESAU) esclareceu que a denúncia sobre a falta de medicação, anestesia e a vacina antitetânica, não procede. “Não temos problemas com anestesia e sobre a medicação antitetânica, está tudo normal”, disse em nota.

Sobre o exame de arteriografia realizado no CDI: a Sesau informou que foi suspensa na administração passada, por falta de materiais.

“Na atual gestão estes materiais foram contemplados no processo de aquisição de materiais para Hemodinâmica e a previsão para regularização desse exame é até o final de julho”.

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THIAGO CASTRO disse: Em 16/07/2019 às 12:28:31

"VERGONHA ESSE HGR , MAIS VERGONHOSO É QUEM MENTE PRA POPULAÇÃO ASSIM , IMPRESSIONANTE QUE PRA ASSESSORIA DA SESAU E PRO GOVERNO O HGR ESTÁ NO NIVEL DOS HOSPITAIS DE DUBAI , SENDO QUE NEM AGULHAS TEM , SERÁ QUE TA TODO MUNDO MENTINDO ENTÃO"

Radamanthis disse: Em 16/07/2019 às 09:15:44

"Ou seja, de acordo com o governo, essas pessoas estão mentindo. o HGR é o hospital dos sonhos. Gente, é impressionante como o governo tenta esconder seus maus feitos. Substima nossa inteligência e esbofetea de maneira sórdida o contribuinte."