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PARA MIGRANTES
Projeto transforma verdura que iria para o lixo em refeições
Por Ribamar Rocha
Em 22/06/2019 às 00:42
Produtos são recolhidos na Feira do Produtor e colocados em locais disponibilizados pelo Exército para doação (Foto: Diane Sampaio/FolhaBV)

É natural ver comerciantes de feiras livres jogarem produtos como cebolas, batatas, tomates, melancia, laranjas, limões e alface, dentre outros, que são descartados por apresentarem aspectos feios e que são rejeitados pelo consumidor. 

Antes tudo isso ia para o lixo, mas agora não. Um projeto está sendo desenvolvido pelo Deac (Departamento de Abastecimento e Comercialização) da Seapa (Secretaria Estadual de Agricultura, pecuária e Abastecimento), na Feira do Produtor, ainda não tem nome e está em fase de implantação e de busca de parceiros.

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Hoje tem apenas apoio do Exército e atende projetos sociais da igreja Nossa Senhora da Consolata com doação de alimentos para atendimento a pessoas carentes e que vivem na crise migratória em Boa Vista.   

“Percebemos, junto com técnicos da Embrapa, que havia muito lixo gerado pela feira e verificamos que grande parte dos alimentos jogados poderia ser melhor aproveitado e resolvemos recolher e fazer doação”, disse o diretor do Deac, Alcemir de Oliveira, responsável pelas feiras livres do Estado.

Alcemir disse que a primeira parceria surgiu num encontro com o Exército e a igreja Nossa Senhora da Consolata, quando falou da possibilidade de fornecer estes alimentos. 

Ele cita que o projeto está apenas no começo e que buscam mais parceiros, não só em relação aos comerciantes e produtores, que hoje têm cerca de dez, mas de outros parceiros que possam ajudar no recolhimento e separação dos produtos. 

“O recolhimento está sendo feito apenas um dia por semana, às terças-feiras, mas a ideia é conseguir voluntários e ampliar para que aconteça a coleta todos os dias. Mas para isso temos que ter voluntários para fazer a separação que hoje é feita pelos próprios feirantes e depositam nos tambores que o Exército disponibilizou e espalhamos pela feira”, disse. 

A ideia, segundo Alcemir, é trabalhar junto a todos os comerciantes da feira para aderir ao projeto. “É um trabalho à parte que os feirantes vão ter ao separar as frutas, verduras e legumes, mas que ainda são aproveitáveis para o consumo humano, e depois colocar nos tambores”, disse.

Depois é feita a coleta dos produtos, no final da tarde de terça-feira, pelo pessoal da igreja. Alcemir não soube informar quantos quilos de alimentos são recolhidos, mas disse que a quantidade é suficiente para abastecer os projetos sociais desenvolvidos pela igreja.

“Conversando com os coordenadores da igreja, nos informaram que os produtos que são doados são divididos para mais 12 centros de acolhimento. Até para não estragar, eles dividem com outros centros de ações sociais que produzem alimentos para os necessitados”, disse.  

Outra ação que também está sendo desenvolvida é quanto à doação de ossos dos açougues da feira. “São ossos bons e carnudos que seriam jogados no lixo e que agora tem outro destino. Uma comerciante de carne se prontificou a receber e serrar estes ossos no tamanho pequeno e doamos cerca de 40 a 50 quilos a cada terça-feira, que são aproveitados no sopão da igreja”, disse. (R.R)

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