Psicólogo diz por que crianças e adolescentes ‘brincam’ com algo tão sério - Folha de Boa Vista
AMEAÇA DE MASSACRE?
Psicólogo diz por que crianças e adolescentes ‘brincam’ com algo tão sério
Wagner Costa recomenda maior atenção por parte de responsáveis e gestores das escolas após anúncios de supostos massacres em ambiente escolar
Por Lucas Luckezie
Em 13/05/2022 às 06:00
Mensagem deixada em banheiro ganhou repercussão nas redes sociais (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil concluiu que as últimas quatro denúncias de que haveria supostos massacres marcados em escolas de Roraima foram “trotes” organizados por crianças e adolescentes. Um dos casos ocorreu no interior e outros três foram na capital Boa Vista. Nenhuma das ameaças se concretizou.

Mas por que os alunos conseguem brincar com algo tão sério? O psicólogo Wagner Costa, especializado em Ciência da Felicidade (PUC-RS) e mestre em Ciências Sociais (Cruzeiro do Sul-SP), acredita que nessa faixa etária existe um grupo formado por “inconsequentes”.

“O circuito cerebral fica amadurecido após os 21 anos. Então, por isso que se diz que adolescente precisa ter supervisão de um adulto. Quando um adolescente vê uma coisa que ele acha legal, curioso, ele quer fazer. E quando ele pensa em fazer, ele não consegue perceber as consequências daquele ato. Então, ele age de forma inconsequente, sem pensar nos prejuízos que ele pode causar, porque quando ele pensa em fazer, ele só pensa no bem-estar, na alegria e na diversão”, avaliou, diferenciado esse grupo de pessoas do composto por quem sofre de algum transtorno mental.

Wagner Costa é especializado em Ciência da Felicidade e mestre em Ciências Sociais (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

Costa recomenda maior atenção por parte de responsáveis e gestores das escolas. “Quando eu tenho uma boa relação com o meu filho e consigo acompanhar os atos dele, eu consigo perceber quando ele consegue mudar de comportamento. Para os pais, a recomendação é vigilância constante, estar junto do filho, fazer parte da vida do filho e buscar orientá-lo. Por exemplo: pegar um evento desse que ocorreu e sentar com o filho e mostrar: ‘olha, isso aqui não se faz, prejudica as pessoas, isso parece brincadeira, mas é algo muito sério’”, reforçou.

“O gestor da escola precisa sensibilizar os professores, para que os próprios professores tragam de vez em quando esses assuntos para a discussão, porque o melhor remédio para esse tipo de comportamento é a prevenção, que se faz com educação”, completou o especialista.

Após constatar que são os próprios alunos os responsáveis pela criação das mensagens ameaçadoras, a Polícia Civil orienta aos pais e responsáveis “a terem um pouco mais de atenção em relação às atitudes dos filhos, para evitar que eles pratiquem atos infracionais” e disse que o Sistema de Segurança Pública está atento a qualquer tipo de ameaça que possa expor a segurança no ambiente escolar.

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