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TRANSPLANTES
Rejeição é de 70% sendo a maior barreira para doação de órgãos
Negação de realizar a doação faz com que um grande número de pessoas continue na fila; uma pessoa pode salvar até oito vidas com doação
Por Ana Paula Lima
Em 11/05/2019 às 00:41
(Foto: Diane Sampaio/FolhaBV)

A doação de órgãos ainda parece se tratar de um tabu social, e por causa disso, muitas captações deixam de ser feitas por falta de orientações e conscientização por parte dos familiares. Atualmente, somente a família pode permitir que seja realizada a doação, após a morte por causa encefálica de um paciente e assim, fazer todos os procedimentos de transplante. 

Desde o ano passado, Roraima passou a ter um centro de captação de órgãos que são enviados para outros estados onde será feito o transplante. Mesmo com a possibilidade de salvar até oito vidas, o número de rejeição familiar é de 70% dos casos registrados no estado, conforme avalia a Central Estadual de Transplante. 

Do ano passado para cá, já foram feitas quatro doações de órgãos, sendo uma delas ocorrida nesta quarta-feira, 08. Por conta da população em Roraima ser pequena, os futuros transplantes que possam ocorrer aqui serão apenas de rins e córneas, o de outros órgãos continuarão sendo enviados para outros estados com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB).

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“Após o diagnóstico de morte por causa encefálica, é feita uma abordagem familiar, onde a família tem a opção de doar ou não esses órgãos. Estando a família de acordo, a Central Estadual inicia toda logística junto com a Central Nacional para captação e locação desses órgãos conforme a prioridade nacional”, explicou o Coordenador Estadual da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), Douglas Teixeira.

O coordenador frisou que entende que muitas famílias acabam não aceitando a doação por uma questão emocional da notícia da morte, mas que é preciso entender que a doação de órgãos pode permitir que outras famílias sejam ajudadas. Ele destaca que as pessoas que possuem o desejo de doar órgãos devem manifestar em vida o pedido e informar os familiares sobre a decisão.

São duas comissões hospitalares no Hospital Geral de Roraima (HGR) e no Hospital da Criança Santo Antônio para fazer as capitações. Ainda não há um local de referência para que os transplantes sejam feitos no estado, mas a expectativa é que até o final do ano, uma equipe local já esteja preparada para o procedimento. Enquanto isso, os pacientes roraimenses que precisam de transplantes são encaminhados para outros estados.

Atividades serão feitas para aumentar conscientização sobre doação de órgãos

Para aumentar a conscientização sobre o assunto, está sendo feita uma capacitação no HGR e no Hospital da Criança. O projeto irá se estender para empresas e instituições públicas para que tenham mais informativos sobre a doação de órgãos. Em um terceiro momento, serão feitos debates em escolas e universidades.

“Se a família está ciente de que você é doador, no momento certo eles irão falar. Então que as pessoas possam conversar sobre isso, tirar essa questão do sentimento e falar de algo que ninguém deseja, mas pode acontecer, e se declarem doadores de órgãos”, prosseguiu.

Quem tiver interesse em mais informações sobre a doação de órgãos e como funciona o processo de captação, basta mandar um e-mail para transplantesrr@gmail.com. 

Transplantado relata que conseguiu voltar à vida normal com doação

O gestor ambiental Silvio Teixeira relembra na ponta da língua o dia exato em que saiu da lista de espera e pôde finalmente se livrar da hemodiálise. Ao receber o transplante de rim, conseguiu voltar à rotina normalmente e carrega sempre o sentimento de gratidão pela família que permitiu a doação dos órgãos.

“No dia 12 de julho vai fazer sete anos que fiz o transplante. Antes era muito difícil porque não tinha essa captação em Roraima, mas agora estão podendo salvar algumas vidas. Sei que é no momento da dor, mas é de grande importância a família permitir”, relatou. Atualmente ele é presidente da Associação dos Transplantados Renais de Roraima (ASTRAR), que tem 82 membros.

Teixeira pontuou que são mais de 70 mil pessoas na fila de espera para receber a doação de um órgão, desse número, 43 mil são para transplantes renais. “Eu agradeço muito à família que doou para que hoje eu pudesse ter a minha saúde restaurada”, comemorou. (A.P.L)

(Divulgação/Secom)

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