Secretário assegura que consumo de peixe produzido no Estado é seguro - Folha de Boa Vista
SÍNDROME DE HAFF
Secretário assegura que consumo de peixe produzido no Estado é seguro
Gestor garante que a produção local está livre da Síndrome de Haff, doença que provoca lesões nos rins e músculos
Por Folha Web
Em 20/09/2021 às 06:00
Aluízio Nascimento, titular da Seapa, garante que a produção local está livre da Síndrome de Haff (Arquivo/Reprodução)

Após confirmação de casos da Síndrome de Haff nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará e Pará, o titular da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Roraima (Seapa), Aluízio Nascimento, garantiu que não há registros da doença no estado. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa Agenda da Semana, da Rádio Folha FM 100.3.

A enfermidade é causada por uma toxina que pode ser encontrada em alguns tipos de peixe de água doce e em crustáceos. O paciente pode ter lesões nos músculos e nos rins. O secretário esclareceu que, provavelmente, as ocorrências nesses quatro estados foram de pessoas que consumiram algum pescado em estado já próximo da decomposição. 

Nascimento salientou que a Síndrome de Haff é causada pelos peixes ou crustáceos acondicionados de forma inadequada. Conhecida também como doença da urina preta, a enfermidade causa dormência, falta de ar e deixa a urina da “cor de café”. Se não tratada com rapidez, pode evoluir para insuficiência renal e falência múltipla de órgãos.

“A população de Roraima não precisa ficar com temor de comer peixes, principalmente, o produzido no nosso estado. Essa doença é provocada pelos peixes de rio. Basicamente, 90% do pescado consumido em Roraima é produzido aqui e em cativeiro seguindo as normas sanitárias. Nós recomendamos: voltem a comprar peixe”, pediu.

Os casos de Síndrome de Haff tiveram impacto no comércio amazonense e, consequentemente, para os produtores de Roraima. É que das 17 mil toneladas de peixes produzidas no estado, 10 mil são vendidas para o Amazonas. Sete mil toneladas são consumidas pela população local.

“O peixe produzido em Roraima não é congelado. Ele é vendido in natura, ou seja, resfriado. Nossos clientes deixaram de comprar da gente porque não tinham onde estocar nosso produto. Os clientes deles não têm o costume de comprar peixe congelado. Sem demanda lá e sem ter como estocar nossa produção, nossos parceiros amazonenses deixaram de comprar”, lamentou.

Para evitar que os 4.200 pescadores artesanais ou ribeirinhos tenham prejuízos, o governo de Roraima incentiva a população a comprar os peixes criados nos açudes do estado. Segundo estimativa da Seapa, houve retração de 70% na comercialização dos peixes produzidos em Roraima. “Os prejuízos são para toda a cadeia produtiva”, salientou Nascimento.

O secretário ressaltou que o atual governo de Roraima tem apoiado os produtores locais e que a intenção é que o estado se torne em até cinco anos, o quinto maior produtor de peixes do Brasil. “Pretendemos, por exemplo, ampliar de 5.700 para 10 mil hectares de lâmina d’água para produção dos pescados”, adiantou.

Além dos incentivos fiscais, outra proposta em análise para impulsionar o setor é introduzir o peixe no cardápio da merenda escolar. Essa medida já seria implantada nesse momento para evitar os prejuízos financeiros ocasionados pela queda nas vendas para o estado do Amazonas.

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