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CONTINGENCIAMENTO
Sem recursos, mestranda pode parar pesquisa
O contingenciamento determinado pelo Ministério da Educação pode afetar diretamente pesquisas em andamento, que ficam sem manutenção de equipamentos
Por Ana Paula Lima
Em 17/05/2019 às 01:27
Edimilla Carneiro está estudando a resistência bacteriana em Roraima, focada em descobrir se elas estão espalhadas no ambiente hospitalar (Foto: Diane Sampaio/FolhaBV)

Diversas pesquisas realizadas na UFRR sofrerão impactos por conta do contingenciamento dos recursos da universidade. Os Recursos Naturais são os que mais possuem bolsas de mestrado na instituição, seguido de Geografia, Agronomia, Sociedade e Fronteira, Letras, Antropologia Social e Desenvolvimento da Amazônia. Entre as pesquisas consideradas prioritárias para a população roraimense estão as que investigam se as doenças em peixes podem causar intoxicação em seres humanos e se animais que vivem dentro de igarapés e a importância deles para o meio ambiente e na cadeia alimentar do homem, também feita no CBio. 

O laboratório de biologia molecular também é local de diversas pesquisas, que vão desde a análise dos aspectos do vírus e imunológicos a fim de contribuir na melhoria da qualidade de vida dos pacientes vítimas da hepatite B até os estudos de arbovírus, como dengue, chikungunya e zika. Ele foi o primeiro laboratório a fazer detecção de DNA desses vírus em Roraima.

Nesse local, a estudante Edimilla Carneiro, faz o aprofundamento de seu trabalho junto com outros 11 colegas. Atualmente no mestrado, ela encara com tristeza a possibilidade de interromper sua pesquisa, pois apesar da manutenção da bolsa, ela se preocupa com o corte no auxílio alimentação e na falta de manutenção dos equipamentos que utiliza na pesquisa. 

“É desanimador. Quem sai perdendo é a comunidade. Temos muitos cortes de financiamento e uma das minhas dificuldades é conseguir comprar o material para desenvolver em laboratório”, comentou, explicando que para uma pesquisa dessa magnitude precisa ter muita dedicação. “Chego na faculdade 8h da manhã e só saio à noite”. 

Estudante do ensino público desde o fundamental, a certeza que queria seguir carreira em alguma área da saúde veio desde muito cedo. Ela queria procurar soluções para melhorar a população e por isso começou a estudar a resistência bacteriana nos pacientes internados no Hospital Geral de Roraima (HGR).

“Isso é um dos principais motivadores para a gente continuar a pesquisa. Descobrir coisas que estão aqui, mas ninguém sabe, e que oferecem risco à população. Eu me encantei completamente com essa linha de pesquisa”, disse com orgulho. 

O sonho de poder entender cada vez mais o processo de evolução bacteriana chegou junto com o primeiro lugar no mestrado e a bolsa de R$ 1.500 para conseguir se sustentar, já que o tempo de pesquisa é integral. Nessa fase, o foco é verificar se as bactérias estão disseminadas no ambiente e entram em contato com a comunidade. 

“Já encontramos resistência bacteriana nas fossas sépticas do HGR. Sabemos que essas bactérias podem estar escapando até chegar à estação de tratamento. Se desse, queria descobrir se tem no Rio [Branco]. Queremos saber se as comunidades ribeirinhas já têm essa resistência. Essa é a maior importância da minha pesquisa”, comentou.

Edimilla justificou que a população precisa entender que muitas doenças são descobertas nos laboratórios de universidades e que a dependência dos recursos federais é necessária para continuar esse trabalho. “O futuro é muito incerto. Eu amo pesquisa. Tenho receio de cortarem minha bolsa e ter que terminar o meu mestrado de forma mais rápida possível. Eu quero e vou me formar, mas tenho medo de não sair como eu queria que saísse, com meu trabalho concluído ajudando de alguma forma a quem precisa”, assegurou. 

Manutenção de equipamentos dependem diretamente de recursos da universidade

O contingenciamento das verbas pode ter impacto direto na pesquisa feita pela estudante no Centro de Estudos da Biodiversidade (CBio). O equipamento de refrigeração queimou devido às constantes quedas de energia e, por depender dos recursos da universidade, ainda não foi consertado. 

Com o bloqueio, é ainda mais difícil imaginar se pode voltar a funcionar normalmente, já que a redução do dinheiro pode impactar os gastos discricionários. Sem a central de ar que precisa ser mantida ligada, os outros equipamentos no laboratório também podem queimar. (A.P.L)

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