Cotidiano

Setrabes vai transferir crianças abandonadas pelos venezuelanos

Os abrigos infantis do governo têm 31 crianças e adolescentes e 4 bebês venezuelanos e estão superlotados

RODRIGO SANTANA

Editoria de cidades

Após a Secretaria de Trabalho e Bem Estar (Setrabes) ter sido notificada da decisão da justiça estadual para interditar os abrigos infantis do estado, a Diretora do Departamento de Proteção Social e Especial (DPSE), Dinorá Cavalcante, informou que a secretaria está articulando com os demais órgãos e a Operação Acolhida a viabilidade de um plano de contingenciamento. 

“Queremos ver um melhor lugar para atender as crianças e adolescentes venezuelanos. Os abrigos não têm mais capacidade de suportar os acolhidos. Estamos fazendo uma articulação com o Exército para encaminhar os imigrantes venezuelanos para abrigos da Operação Acolhida”, explicou.

Dinorá informou que atualmente a capacidade do abrigo masculino é de 15 acolhidos, mas superou os 30, sendo oito brasileiros e 22 venezuelanos. Já o abrigo feminino, que possui capacidade para 13 acolhidas, conta hoje com 18, sendo nove brasileiras e nove venezuelanas com quatro bebês.

“Diante disso, encontramos uma série de dificuldades, primeiro com relação à estrutura e depois com a alimentação. Toda manutenção que um abrigo precisa ter diariamente está comprometida”, disse.

Ela lembrou que o número de abrigados aumentou muito com a imigração venezuelana, e que o Governo do Estado procurou atender a demanda de crianças e adolescentes que chegaram da Venezuela sem os pais ou responsáveis. 

“Os abrigos, mesmo com todas as dificuldades, decidiram abrigar os imigrantes menores de idade para que eles não ficassem em situação de vulnerabilidade. Por se tratar de acolhimento de venezuelanos, fazemos um trabalho em conjunto com a Operação Acolhida, que nos dá uma força muito grande”, informou.

Ao ser questionada sobre a possibilidade de ampliação da estrutura física dos abrigos, Dinorá disse que a Setrabes está fazendo um levantamento arquitetônico para então elaborar projetos a fim de captar recursos federais para a realização de qualquer tipo de obra.

“Hoje, o Estado de Roraima não tem capacidade financeira para executar melhorias na estrutura dos abrigos, com a ampliação dos espaços. Está sendo feito estudo sobre as condições da estrutura dos abrigos, para que no futuro possamos aumentar a capacidade de acolhimento”, garantiu.

Ela declarou que estado não está se opondo em acolher os jovens em vulnerabilidade social. Mas reconheceu que não adianta mais fazer o acolhimento de mais crianças que chegam, sem ter capacidade necessária. 

“Hoje conversamos com toda a equipe da Setrabes para tomarmos as medidas necessárias para resolver os problemas. Nós vamos cumprir o prazo determinado pela justiça para reorganizar o acolhimento dos menores que vivem hoje nos abrigos masculinos e femininos”, garantiu.